Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suas similaridades, vertentes, ambivalências e divergências.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Graça e livre arbítrio

Jacobus Arminius

No que diz respeito graça e o livre arbítrio, ensino em conformidade com as Escrituras e o consentimento ortodoxo: O Livre arbítrio é incapaz de fazer ou aperfeiçoar qualquer bem espiritual genuíno sem a graça. Que não se diga que eu, assim como Pelágio, cometo uma falácia em relação à palavra "graça" quero dizer que ela é a graça de Cristo que pertence à regeneração. Afirmo, portanto, que a graça é simples e absolutamente necessária para a iluminação da mente, para o devido controle das emoções, e para a inclinação da vontade ao que é bom. É essa graça que opera sobre a mente, os afetos e a vontade, que infunde bons pensamentos na mente, e inspira a por em ação bons desejos, e inclina a vontade a colocar em prática bons pensamentos e bons desejos. Essa graça precede, acompanha e segue; excita, assiste, opera para que queiramos o bem, e colabora para que não queiramos em vão. Ela afasta as tentações, dá assistência e oferece socorro em meio às tentações, sustenta o homem contra a carne, o mundo e Satanás, e concede ao homem, nesta grande luta o gozo da vitória. Ela levanta novamente aqueles que foram vencidos e caíram, estabelece e lhe provém com uma nova força, e torna-os mais cauteloso. Essa graça dá início a salvação, é o que promove, aperfeiçoa e consuma.

Confesso que a mente de um homem natural e carnal é obscura e sombria, que suas afeições são corruptas e desordenadas, que sua vontade é obstinada e desobediente, e que o próprio homem está morto em pecados.

.Tradução: Lailson Castanha

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WORKS OF ARMINIUS VL 2. An Open Letter to Hippolytus a Collibus - 4. GRACE AND FREE WILL

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sobre os decretos de Deus, que dizem respeito à salvação dos homens PECADORES, segundo seu próprio sentido

Jacobus Arminius.
15. SOBRE OS DECRETOS DE DEUS, QUE DIZEM RESPEITO A SALVAÇÃO DE HOMENS PECADORES, SEGUNDO SEU PRÓPRIO SENTIDO.
.1. O primeiro decreto sobre a salvação dos pecadores, como aquele pelo qual Deus resolve nomear seu Filho Jesus Cristo como Salvador, Mediador, Redentor, sumo sacerdote, também aquele que pode expiar os pecados, e, pelo mérito de sua própria obediência pode recuperar os perdidos a salvação, e dispensá-los pela sua eficácia.
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2. O segundo decreto é aquele pelo qual Deus resolve receber em favor aqueles que se arrependem e creem, e, para salvar em Cristo, por causa de Cristo e por Cristo, os que perseveram, mas para deixar debaixo do pecado e da ira aqueles que são impenitentes e incrédulos, e condená-los como estrangeiros de Cristo.
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3. O terceiro decreto é aquele pelo qual Deus resolve para administrar esses meios de arrependimento e fé, são necessárias, suficientes e eficazes. E essa administração é direcionada de acordo com a sabedoria de Deus, por que ele sabe o que é adequado, pelo qual ele sabe aquilo que é adequado, ou seja, se convém a misericórdia ou a severidade; mas também segundo a sua justiça, por qual ele está preparado para acompanhar e executar [os direcionamentos] de sua sabedoria
.4. Destes, segue um QUARTO DECRETO, a respeito da salvação de pessoas específicas, e na condenação de outras. Este descansa ou depende da presciência e previsão de Deus, por que ele sabe quem creria com a ajuda da graça preveniente ou anterior, e perseveraria pelo auxílio da graça posterior ou seguinte, e quem não iria crer e perseverar.
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5. Disto, Deus diz que "sabe quem são seus", e o número daqueles que serão salvos, e daqueles que serão condenados, é certo e fixo, e o quod e o qui, [a substância e as partes de
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.quem ele é composto,] ou, como a expressão das escolas, materialmente e formalmente.
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6. O segundo decreto [descrito no § 2] é a predestinação para a salvação, que é o fundamento do cristianismo, salvação e da certeza da salvação, é também a matéria e a substância da doutrina ensinada pelos apóstolos.
.7. Mas essa predestinação, pela qual Deus teria decretado salvar criaturas e as pessoas em particular para revestir-los com fé, não é o fundamento do cristianismo, da salvação, nem da certeza da salvação.

Tradução: Lailson Castanha

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ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius Vl 2_15. On The Decrees Of God Which Concern The Salvation Of Sinful Men, According To His Own Sense
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11. OF THE FALL OF ADAM
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sábado, 23 de janeiro de 2010

DA QUEDA DE ADÃO

Jacobus Arminius
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11. DA QUEDA DE ADÃO
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1. Adão era capaz de continuar na bondade e de abster-se de pecar, e isso em realidade e em referência à questão, e não apenas pela potencialidade impedida de ser posta em ação, por conta de algum decreto anterior de Deus, ou melhor, não sendo possível conduzir a um ato pelo decreto anterior.
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2. Adão pecou livremente e voluntariamente, sem qualquer necessidade, interna ou externa.
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3. Adão não caiu por meio do decreto de Deus, nem por ser ordenado a cair nem por deserção, mas pela mera permissão de Deus, que não é colocada em subordinação a predestinação quer à salvação ou a morte, mas que pertence a providência, como se distingue até agora, em oposição a predestinação.
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4. Adão não caiu, necessariamente, quer no que diz respeito a um decreto, nomeação, deserção, ou permissão, a partir do qual é evidente que tipo de julgamento deve ser formado sobre as expressões das seguintes descrições:
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5. "Confesso, certamente, que pela vontade de Deus todos os filhos de Adão cairam nesta condição miserável em que estão confinados e presos." (Calvin's Institute, lib. 3, cap. 23.)
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6. "Eles negam, em palavras expressas, a existência deste fato - que foi decretado por Deus que Adão devesse perecer por sua própria deserção".
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7. "Deus sabia de antemão o que resultaria ao homem, ele tornou-se, assim, foi ordenado pelo seu decreto."
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8. "Deus não só previu a queda do primeiro homem, mas por sua própria vontade, ordenou ele."
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Obs: Neste comentário, sobre a queda de Adão, Jacobus Arminius traça sua assertiva levando em consideração seu distanciamento da teologia calvinista, por isso, ao final de suas considerações, destacando algumas afirmativas contrárias ao seu pensamento (quatro últimas citações), intentando mostrá-las como inadequadas. A primeira, afirmação citada é de Calvino.
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Tradução: Lailson Castanha
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ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius, Vl 2.
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11. OF THE FALL OF ADAM
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

“Não sois das minhas ovelhas” (Jo 10. 26) – uma interpretação arminiana.

A Bíblia é enfática na ressalva de que ninguém pode ir até Cristo, se o Pai não o enviar. Mas é clara também, no fato de que, apenas serão salvos os que crerem e se submeterem a Cristo. Quanto ao número das pessoas que irão até Cristo, declarado nas suas palavras, “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim”(Jo 6.37), as Escrituras afirmam: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” (Jo 12.32). Sobre a vontade do Pai, em relação a essas pessoas, Jesus afirma: “Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna”.(Jo 6.40a)
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Sobre essa questão, vários pesquisadores das Escrituras, teólogos, e debatedores livres, afirmam que o fato de Jesus afirmar: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas,” indica que existem pessoas que, por serem rejeitadas por Deus, foram, por conseguinte, impedidas de crer.
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Segundo eles, a ordem estabelecida seria:
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Deus rejeita, por isso impede as pessoas de crer.
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Quando Jesus afirma: “Mas vós não credes, porque NÃO SOIS DAS MINHAS OVELHAS”,(Jo 10.26) com isso afirmava, que a prova que os tais não eram participantes de seu rebanho, era a ausência de fé, não a impossibilidade dada por Deus de que cressem, tanto que, por não crerem, foram censurados por Cristo. Se Eles não fizessem parte das ovelhas, como parte de um plano específico de Deus, os tais não seriam censurados. Não se pode ignorar que estas palavras foram direcionadas à grupos de judeus que já tinham anteriormente desprezado a Jesus, chegando, até mesmo a afirmarem: "Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis?"(Jo 10.20). Esses Judeus tentavam Jesus, com toda sorte de provocações e não criam em suas obras, ademais, rejeitaram a Cristo acusando-o de proferir blasfêmias: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (Jo 10.33).
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As Escrituras não afirmam que os tais judeus já foram rejeitados de antemão, pelo contrário, sobre os judeus as Escrituras afirmam: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam(...)” (Jo 1.11). Isso deixa bem claro, que os judeus citados por Cristo, não estavam entre as suas ovelhas porque, anteriormente eles mesmos (os judeus incrédulos) já o tinham rejeitado, e não porque Cristo precedentemente os rejeitou . Muitos textos sacros evidenciam o fato de que, o próprio Deus encerra os insubordinados na desobediência e endurece ainda mais os já antes duros de coração, que não acolhem o amor da verdade para serem salvos, enviando a “operação do erro, para darem crédito à mentira; afim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade, antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça”.(2 Ts 2.10,11); Reflitamos também no texto seguinte de Rm 1.28: “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm” .
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O grupo descrito por Jesus como "não pertencente as suas ovelhas” ao contrário da idéia de ser um grupo absolutamente rejeitado, fazem parte daqueles judeus descritos por João, aqueles a quem Jesus viera, filhos da mesma Jerusalém que “que mata os profetas, e apedreja os lhe foram enviados!”, sobre a qual Jesus expressou o conhecido lamento: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” seguido do severo juízo: “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (MT .23 37-39).
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Com essa interpretação, rejeitamos a proposição anteriormente destacada, proposta pelos grupos contrários ao arminianismo, entendendo que não está em harmonia com as Escrituras.

Jacobus Arminius, falando sobre o decreto de Deus, afirma:

"O segundo preciso e absoluto decreto de Deus, é aquele em que ele decretou receber em generosidade aqueles que se arrependem e crêem, e, Cristo, pelo seu nome e por Ele, garante a salvação de tais que se arrependem e perseveram fielmente até fim; mas para deixar em pecado, e sob a ira, todos as pessoas impenitentes e incrédulas, e aos maldizentes como estrangeiros de Cristo."(1)
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Corroborando a assertiva de Arminius, propomos o enunciado seguinte, por entender que é mais harmônico com a totalidade dos ensinos bíblicos, a saber:
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Deus rejeita a todos quantos não dão crédito à verdade, impedindo que, posteriormente, creiam.
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“Se não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.(Ml 2. 2)
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Lailson Castanha.
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(1) ARMINIUS, Jacobus. The Works Of James Arminius V1.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

"Duplex amor Dei" na teologia de Jacobus Arminius.

Dr. William den Boer, professor de História da Igreja e História dos Dogmas, na Universidade Apeldoorn em sua fecunda pesquisa direcionada a teologia arminiana, ressalta um conceito arminianio anuviado por outros temas que permeiam o debate em torno da teologia de Jacobus Arminius, principalmente a questão do livre arbítrio. O conceito é o mesmo termo que deu o título para um de seus livros, a saber: Duplex Amor Dei, ou, amor duplo de Deus
Apesar de reformado, Dr Willian den Boer, procura desmistificar algumas ideias equivocadas sobre Arminius e sua teologia. De Boer destaca que a teologia arminiana é pouco estudada e consequentemente mal compreendida.
Em sua citada obra, ele defende, que e a preocupação central da teologia arminiana é destacar a justiça de Deus, apesar de ressaltar, que este tema não se desassocia de outros, estão todos interligados; o destaque ao livre arbítrio humano na teologia arminiana, surge como consequência a centralidade da justiça de Deus. Além de destacar a justiça de Deus, Armínius destaca que a escolha do pecado é do homem em sua completa liberdade para escolher, e, portanto, o mesmo é inteiramente responsável pelo pecado e suas consequências. Deus criou o homem com livre arbítrio, que se manteve após a queda. Percebe-se a justiça de Deus em sua permissão ao exercício da liberdade de escolha do homem. Este homem, em seu livre arbítrio, é inteiramente responsável por todo o pecado, e assim sendo, Deus não pode nunca ser o seu autor. O livre-arbítrio é essencial ao ser humano. Deus criou o homem com a capacidade de exercer escolhas e o trata de forma justa (entendendo por justiça como dar a alguém o lhe é devido). Sem liberdade real do homem, Deus seria o autor de tudo, inclusive o pecado e o mal.
Após a queda de Adão, Deus chama toda a raça humana para a participação numa Nova Aliança. Ele oferece a salvação para todas as pessoas, tendo sua justiça, fundamentada no sacrifício substitutivo de Cristo. Segundo Arminius, Deus em sua graça previniente, disponibiliza todos os meios necessários para que o homem, em sua liberdade, receba a salvação, sendo que o homem a recebe somente através da fé em Cristo, por intermédio da sua graça". Willian den Boer ressalta que na teologia de Jacobus Arminius, “Deus toma a iniciativa para a Nova Aliança. Ele vê no sacrifício vicário de Cristo a satisfação de Sua justiça, é Cristo que dá os meios da graça. O homem possui a livre vontade, e continuamente depende da graça Deus”. Arminius enfatiza que o homem é sempre responsável pela sua descrença, e a sua recusa em aceitar a oferta da graça de Deus, nesta ênfase desfaz-se da tese calvinista da predestinação absoluta. Predestinação incondicional em última análise, significa que as pessoas não têm nenhuma responsabilidade e que Deus seria a causa da incredulidade e do pecado. Crença e descrença seria uma necessidade, atribuída por Deus ".
Sobre os problemas que as pessoas vêm nas possibilidades escolhas do homem caído, De Boer afirma: "Mas Armínio salientou que a escolha do homem, realmente, nunca pode ser uma boa opção sem a graça de Deus.”, isso indica que o homem não tem mérito em sua boa escolha, ela sempre está atrelada a ação da graça de Deus. Normalmente os calvinistas sempre usam o termo "arminiano" em suas críticas aos evangélicos. Eles dão demasiada ênfase sobre "a escolha pessoal a Jesus, sem a ação da graça de Deus . "Isso não é o que Arminius tinha em mente", explica a diferença Den Boer, "Deus está sempre ativamente a encorajar as pessoas a escolher, sem a graça de Deus, seu o incentivo não estaria lá. Mas não há compulsão irressitivel de Deus, Deus, desta forma faz justiça à liberdade essencial do ser humano. Mas o homem não é um indivíduo autônomo que opta por Deus, o homem sem a graça não escolhe próprio bem ". Antes da queda, o homem percebia o bem com clareza, por que Deus, o Sumo Bem, não havia se afastado do homem, após a queda, o homem afetado, só escolhe o bem, com o auxílio da graça. Depois da queda, apesar de continuar com o seu livre arbítrio, ela jamais pode fazer uma escolha virtuosa pois só visualiza e conhecer o que é mal. Por isso, que só faz bom uso do seu livre arbítrio a partir da graça, que mostra a opção virtuosa ao homem.
O teólogo Holandes, também ressalta acertadamente que Armínius não era pelagiano como afirmam os calvinistas, destacando que Arminius considerava a nossa salvação depende da graça de Deus.
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Em seu livro “Duplex Amor Dei. Características contextuais da teologia de Jacobus Arminius (1559-1609)”, Den Boer indica que Arminius acreditava que a doutrina da predestinação de Calvino, Beza e seus seguidores, assim como Gomarus, faz significar que Deus é o autor do pecado. É perceptível que a consequência final da doutrina da predestinação defendida no calvinismo é que Deus é o autor do pecado. Mas ao invés de pensar sobre isso, é dito que isto é entendido devido à estreiteza de nossas mentes. Arminius não aceitou essa justificativa. Sobre isto, citando apenas um exemplo, ele comentou que poderia ser declarado que Deus criou os homens à perdição, coisa que acreditava ser uma idéia contrário à justiça de Deus. Para evitar esse sentimento contraditório, Arminius destaca a justiça de Deus. A justiça de Deus se refletiu no seu amor duplo (duplex amor Dei "). O amor primário de Deus pela ação da sua justiça, demostrando ódio ao pecado e o secundário, em sua relação graciosa com a criatura humana. No conceito de duplo amor, Arminius segundo De Boer, se afasta da Teologia Reformada, na questão da relação entre o conhecimento de Deus e sua vontade. Na questão se o conhecimento de Deus existe antes da vontade de Deus, ou vice-versa, os Teólogos reformados ensinam que a vontade de Deus “é” antes de seu conhecimento. Em primeiro lugar, Deus quer o que os pecadores fazem, então ele sabe quem ele quer bem-aventurados. A Criação de Deus e a predestinação são dominadas por sua vontade livre e soberana. Claro que falamos aqui de uma forma humana, sabendo que o conhecimento de Deus está posicionado na eternidade e entendendo a complexidade desse assunto. Teologicamente falando, esse juízo é feito como organização ao pensamento.
Atrás da análise do amor de Deus está a questão da relação entre a essência de Deus e seus atributos. Deus e Seus atributos de perfeição são idênticos, mas em nossa compreensão, os vemos como propriedades diferentes. A distinção entre os atributos de Deus é uma distinção virtual – não real em si .
Os atributos de Deus não são os sentimentos de Deus. Justiça, bondade, amor e graça, são atributos de sua plenitude. O amor de Deus (Amor ") é a determinação de seu amor eterno, decretando que homem seja eleito para a salvação, pela graça de Cristo através da fé.
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Deve-se considerar a manifestação do amor de Deus de duas formas, ou seja, um duplo amor de Deus: o primeiro deles é o amor à justiça [ou justiça], pelo qual Deus mostra o seu ódio ao pecado. O segundo é um amor pela criatura, é um amor pelo homem, segundo a expressão do apóstolo aos Hebreus: "Porque o que vem a Deus deve cer que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam "(Hb 11:6).
Den Boer assim define o duplo amor: Arminius identifica o duplo amor de Deus como fundamento da religião em geral, e da religião cristã, em particular. A primeira e mais importante é o amor pela justiça, o segundo e subordinado amor, é para a humanidade. O último é subordinado, porque há uma coisa que o limita: o amor de Deus pela justiça. Em outras palavras, Deus pode amar uma única pessoa, quando sua justiça foi satisfeita com relação a essa pessoa.”
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Lailson Castanha.....
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Foto: Dr. William den Boer, professor de História da Igreja e História dos Dogmas, na Universidade Apeldoorn
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domingo, 3 de janeiro de 2010

Cristianismo desencarnado.

O que se conhece por cristianismo hoje, quase nada tem haver com a fé em Cristo e no seu sacrifício na Cruz como fator preponderante para nossa reconciliação e recomeço, nada tem a ver com amor e justiça. Hoje cristianismo em suas diversas vertentes é uma religião desencarnada de sua matéria principal. Vemos nas igrejas apenas a idéia de cristianismo, mas não conseguimos enxergar essa idéia encarnada.
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A essência Cristã é Cristo, ele é visto no meio da cristandade pelos seus valores, e quando esses valores são adotados e exercitados de forma real, quando isso acontece, quando a matéria principal, que é a doutrina de Cristo está encarnada, não mais haverá representação, mas através da vivência desses valores haverá a demonstração de vida cristã, e todos os que estão a ver, verão um cristianismo autêntico de uma fé encarnada, demonstrada nas ações e nos valores da cristandade. Cristo, através do cristianismo encarnado será entendido, por que seus valores serão expostos na vivência de cada um que tem no cristianismo sua identidade existencial. Mas o que vemos hoje nos círculos cristãos, não é a mensagem cristã encarnada, em cada vertente vemos uma encarnação ou uma idéia dominante, tomando lugar da mensagem evangélica, incorporada nas manifestações e preocupações de cada seguimento cristão representado. Em alguns seguimentos, egoísmo incorporado numa teologia de um deus prestador de serviços, é que domina a liturgia. Em outros vemos a teologia, apesar de não intrínseca, não essencial, dominando a preocupação dos clérigos dessa representação cristã, o domínio é tão forte que muitas vezes o excesso de zelo pela teologia que encarnam, os fazem esquecer de enfatizar o amor, a mais importante manifestação do cristianismo. É o dogma teológico ganhando mais corpo do que os preceitos de Cristo é a ostentação teológica em maior apreço do que o cristianismo encarnado. E por outro lado também é real na maioria das comunidades cristãs, a despreocupação com o ensino cristão é o cristianismo sem o uso dos dons para o serviço do Reino de Deus, sem o ensino sem a exortação, é o cristianismo sem a responsabilidade com as vidas. É o cristianismo sem discípulos, desencarnado. A situação é tão horrenda, que lideres que defendem uma linha teológica expõe uma crise aberta recentemente na comunidade do outro, que defende um outro pensamento. A vitória da teologia para o primeiro grupo foi mais importante do que guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. A teologia encarnou-se, colocando a unidade cristã apenas como uma mensagem. Corpo mesmo, vivência, apenas ao dogma teológico.
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Só com o cristianismo encarnado seremos diligentes em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz, porque o amor cristão, o amor de Cristo encarnado, tem poder de nos unir mesmo em nossas diferenças filosóficas e teóricas. É necessário que os cristãos busquem com toda alma viver esse amor, para que Cristo e não a teologia seja glorificada.
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Apesar de naturalmente nos identificarmos com um sistema teológico ou filosófico, por termos uma pessoalidade e nela uma tendência que nos diferencia do raciocínio do outro ser, temos em comum a uniformidade das principais doutrinas do cristianismo e nelas devemos nos apegar, para não nos distanciarmos do amor e da convivência harmoniosa com os domésticos na fé.
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Patrística, agostianismo, tomismo, calvinismo, arminianismo, teologia relacional, apesar de serem importantes como sistemas de identidade filosófica-teológica, nada são se comparado com a importância da encarnação da mensagem de Cristo na vida dos cristão.
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"Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos". ( 1Jo.3 16.)
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(1)_"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, (2)_com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor (3)_esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; (4)_há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação". (Ef.4.1-4)
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Lailson Castanha
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Gravura: H. Bosch (1450 - 1516)
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

SOBRE A CRIAÇÃO DO HOMEM CONFORME A IMAGEM DE DEUS


SOBRE A CRIAÇÃO DO HOMEM CONFORME A IMAGEM DE DEUS

Jacobus Arminius

Disputa nº 26

1. o homem é uma criatura de Deus, consistindo de corpo e alma racional, bom, e criado a imagem divina - em conformidade com o seu corpo, criado a partir de matéria pré-existente, isto é, terra misturada e espalhada com umidade aquosa e etérea, - em conformidade com a sua alma, criada a partir do nada, pela respiração de ar em suas narinas.
2. Mas o corpo teria sido incorruptível, e, pela graça de Deus, não teria sido suscetível á morte, se o homem não tivesse pecado, e não teria, por esse feito, proporcionado para si a necessidade de morrer. E porque devesse ser o recipiente para a alma, foi equipado pelo sábio Criador com excelentes órgãos
3. Mas a alma é de uma natureza inteiramente admirável se considerar sua origem, substância, faculdades e hábitos.
(1) Sua origem; a partir do nada, criada por infusão, e, infundida na criação à um corpo devidamente preparado para a sua recepção, podendo formar a matéria com uma forma, e, e sendo unida ao corpo pela ligação do nascimento, pôde, com ele, pode estabelecer com ele uma ufisamenon, produção. Criada, digo, por Deus no tempo, como ele ainda, diariamente, cria uma nova alma em cada corpo.
4. Sua substância é simples, material e imortal. Simples eu digo, não em relação a Deus, pois consiste em ato e potência ou capacidade, de ser e sua essência, de sujeito e acidentes, mais é simples em relação as coisas materiais e compostas. É imaterial, porque ela pode subsistir por si só, e quando separada do corpo, pode operar sozinha. É imortal, não certamente de si, mas pelo sustento da graça de Deus..
5. Suas faculdades são duas, o entendimento e a vontade, como de fato, o objeto e a alma são duplos. Para o entendimento apreender a eternidade, a verdade universal e particular, por um natural e necessário, ademais, por um ato uniforme. Mas a vontade tem uma inclinação para o bem. No entanto, esta é também, segundo o modo de sua natureza, para o bem universal e para aquele
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que é o Bem principal, ou, de acordo com o modo da liberdade, a todos os outros [tipos de] bem.
6. Finalmente. Em seus costumes que são, primeiro, a sabedoria, pelo qual o intelecto de forma clara e suficientemente entende a verdade sobrenatural da bondade assim como da felicidade e da justiça. Em segundo lugar, Justiça e santidade da verdade, porque a vontade capacitada para seguir o que esta sabedoria ordenou que se fizesse e que ele mostrou que se desejasse. Essa justiça e sabedoria são chamadas de original, porque o homem as teve desde sua própria origem, e se o homem tivesse continuado na sua integridade, igualmente teria sido comunicado a sua posteridade.
7. Em todas essas coisas, a imagem de Deus maravilhosamente brilhou. Nós dizemos que essa é a imagem pela qual se assemelhou a seu Criador, e manifestou-se conforme o modo de sua capacidade -em sua alma, de acordo com a sua substância, faculdades e hábitos - no corpo,embora isso não possa ser adequadamente dito, ter sido criado a imagem de Deus que é puro espírito, e algo divino, assim como, se o homem não tivesse pecado, o seu corpo nunca teria morrido, e porque é capaz de distinta incorruptibilidade e glória, da qual trata o apóstolo em 1 Coríntios 15, porque apresenta alguma excelência e majestade para além dos corpos de outros seres vivos, e, por último, porque é um instrumento bem equipado, para as ações e operações admiráveis - em toda a sua pessoa, de acordo com a excelência, integralidade, e o domínio sobre o resto das criaturas, a quais foram confiadas a ele.
8. As partes dessa imagem podem ser assim distinguidas: algumas podem ser chamadas de natural ao homem, e outras sobrenatural; algumas essenciais, e outras acidentais. É natural e essencial para uma alma ser um espírito, e de ser dotado do poder de compreensão e de vontade, tanto de acordo com a natureza e o modo de liberdade. Mas o conhecimento de Deus e das coisas relacionadas a salvação eterna, é sobrenatural e acidental, como o são igualmente a retidão e a santidade da vontade, de acordo com esse conhecimento. A imortalidade é medida essencial para a alma, que não pode morrer se não deixar de ser, mas é por esse motivo sobrenatural e acidental, porque é através da graça e da ajuda da sua preservação, que Deus não fica confinado a prover a alma..
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9. Mas a imortabilidade é inteiramente sobrenatural e acidental, pois ela pode ser retirada do corpo, e o corpo pode retornar ao pó, de onde foi tirado. Sua excelência acima de outros seres vivos, e sua peculiar aptidão para produzir vários efeitos, são naturais a ele e essencial. Seu domínio sobre todas as criaturas, que pertence a todo o homem, como ser constituido de corpo e alma, pode em parte, ser considerado como pertencentes a ele, de acordo com a excelência de sua natureza, e, em parte, pelo dom da graça, da qual o domínio, parece ser uma evidência, que nunca é inteiramente tomada fora da alma, apesar de variada, e de ser aumentada e diminuida de acordo com graus e partes.
10. Assim o homem foi criado, para que pudesse conhecer, amar e adorar o seu Criador, e poderia viver com ele para sempre em estado de bem-aventurança. Por este ato de criação, Deus claramente manifestou a glória de sua sabedoria, bondade e poder.
11. A partir desta descrição do homem, ao que parece, ele é servido para realizar o ato de religião a Deus, pois tal ato é exigido dele - que ele é apto para a recompensa, que pode ser devidamente julgada para aqueles que executam [atos de] a religião de Deus, e de punição, que pode ser justamente impostas aqueles que inflingiram a religião por negligência, e, portanto, que a religião pode, através de um merecido direito, exigir do homem, de acordo com essa relação, e está é a relação principal, de acordo com o que devemos, na sagrada teologia, tratar sobre a criação do homem conforme a imagem de Deus.
12. Além desta imagem de Deus, e essa referência para as coisas sobrenaturais e espirituais, esta sob nossa consideração o estado da vida natural em que o primeiro homem foi criado e constituido de acordo com o apóstolo Paulo,
"o que é natural foi primeiro, e posteriormente o que é espiritual" (1Co 15.46).
Este estado é fundado na união natural do corpo e da alma e na vida que a alma vive naturalmente no corpo; de que união e vida é que alma obtém para o seu corpo, coisas que são boas para ele, e, por outro lado, o corpo está pronta paras as obras que são congruentes a sua natureza e desejos. De acordo com este estado ou condição, existe uma relação mútua entre o homem e as coisas boas deste mundo, cujo efeito
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é que o o homem pode desejar-lhes, e, em obtê-los para si, pode outorgar as obras que considere necessárias e convenientes.

Obs: Podemos observar neste texto, que Jacobus Arminius, a exemplo dos teólogos e filósofos escoláticos como Maimônedes e Tomás de Aquino, se apropriava da linguagem e dos conceitos aristotélicos. Diferentemente de Calvino que seguia a tradição platônica/agostiniana.
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Tradução e comentário adicional: Lailson Castanha

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Luis de Molina e o Molinismo

Molinismo é uma doutrina teológica desenvolvida pelo Jesuíta Luis de Molina, nascido em Cuenca na Espanha em setembro de 1535 e falecido em Madrid no dia 12 de outubro de 1600. Molina tornou-se um jesuíta da Universidade de Coimbra, do Porto. (1553), onde estudou Filosofia e Teologia (1554-62). Lecionou em Coimbra (1563-67) e em Évora (1568-83) onde passou seus últimos anos de escrita. Escreveu as obras: Concordia liberi arbitrii cum gratiae donis (1588-89; "A Harmonia do livre-arbítrio com dons de graça"); divina Praescientia, Providentia e praedestiatione et Reprobatione; em Commentaria partem primam divi Thomae (1592; "Comentário sobre a primeira parte [da Summa de] St. Thomas "), e de jure et Justitia, 6 vol. (1593-1609; "Na Lei e Justiça"). Sua doutrina visa conciliar a onisciência de Deus com o livre arbítrio humano. Willian Lane Craig é, provavelmente o seu defensor contemporâneo mais conhecido, embora existam outros molinistas importantes como Terrance Tiessen, Alvin Platinga e Thomas Flint. Em termos básicos, os molinistas sustentam que, além de saber tudo o que irá acontecer, Deus também sabe o que aconteceria, se Ele, ou qualquer ser agisse de forma diferente de suas ações feitas.

Categorias do conhecimento de Deus.

A partir de Luis de Molina, o molinismo divide o conhecimento de Deus em três categorias distintas. A primeira é o conhecimente de Deus referente as verdades necessárias. Estas verdade são independentes da vontade ativa de Deus, não podendo ser falsas. Para servir de exemplo, podemos incluir proposições como: "Todos os solteiros não são casados" ou "X não pode ser A e não ser ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto, na mesmo forma e no mesmo lugar".
O segundo tipo de conhecimento é o conhecimento gratuito de Deus. Este tipo de conhecimento consiste de verdades contingentes que dependem da vontade de Deus, ou verdades que Deus causa, que ele não tem que causar. Podemos incluir como exemplo, declarações como: "Deus criou a Terra" ou citar algo especial neste mundo que Deus tem concretizado.
O terceiro tipo de conhecimento é o da "ciência média" (mídia scientia) que descreve as coisas que são contingentemente verdadeiras, mas que são independentes da vontade de Deus. O conhecimento médio, ou a ciência média, é o termo que se relaciona com o conhecimento eterno de Deus, a respeito de todas as possíveis ações em relação a todos os possíveis acontecimentos que poderiam lhes ocorrerem. Estas são as verdades que não necessitam serem verdades, mas que são verdadeiras, sem ser Deus a causa primária delas. "Se eu tivesse tomado o trem ao invés de dirigir, eu não teria me atrasado para o trabalho". Não tomei o trem, então Deus não está envolvido como causa. Não é uma necessidade lógica o trem ser a melhor opção, portanto se é verdade, é contingente. Neste caso, o molinismo se apóia na seguinte afirmação de Jesus escrita em Mt 11. 23:
"E você Cafarnaum, você que se exalta para o céu? Você será levada ao Hades. Pois se os milagres feitos em ti, tivessem tido feitos em Sodoma, ela teria permanecido até hoje."
O molinismo alega que neste exemplo, Deus sabe o que é contingentemente verdadeiro e independente da sua livre vontade, ou seja, que os sodomitas teriam respondido de forma tal, que Sodoma ainda existiria no tempo de Jesus.
Mateus 11.23 contém o que é comumente chamado de liberdade contrafatual da criatura. Mas contrafatuias devem ser distinguidas de presciência. A Bíblia contém vários exemplos de presciência ou profecia, como Dt 31. 16-17, onde Deus diz a Moisés que os Israelitas abandonarão a Deus depois de serem libertados do Egito, ou em 1Sm 23.1-14 e Sabedoria de Salomão 4.1.
Alguns opositores da posição do molinismo defendem que em Deus pré-conhecimento e conhecimeto de contrafatuais são exemplo do que Deus vai trazer ativamente. Isto é: quando Cristo descreve a resposta dos sodomitas no exemplo acima, Deus iria ativamente fazer com que eles permanecessem até hoje. Quanto a essa objeção, os molinistas respondem observando que as Escrituras contèm exemplos da presciência de Deus em relação a atos malignos. Por exemplo, quando os israelitas abandonam a Deus, ou a negação de Cristo por parte de Pedro, são exemplo a que se chamaria atos explícitos de pecado. Obviamente, isto é uma falácia, segundo os molinistas. Para que esta descrição da profecia possa ser válida, todas as profecias devem ser inteiramente boas, e nunca conter atos de maldade, mas isto não é o que os opositores acreditam ser o caso.
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Conhecimento de contrafatuais.
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Os molinistas acreditam que Deus não só tem conhecimento das verdades necessárias e verdades contingentes, mas que a ciência média que Deus contém, não está limitada a seu conhecimento de contrafatuais. Uma assertiva contrafatual é uma afirmação da forma "se fosse o caso de P, seria o caso de Q." Ou, Se Bob estivesse no Taiti ele iria escolher livremente ir nadar em vez de tomar banhos de sol". Em relação a ilustração, os molinistas declarariam que, mesmo Bob não estando no Taiti, Deus ainda pode saber se ele iria nadar ou tomar banhos de sol. O molinismo acredita que Deus, usando sua ciência média e presciência, examinou todos os mundos possíveis e, em seguida atualizou/atualiza um particular. O conhecimento médio de Deus de contrafatuais joga uma parte integrante desta escolha em um mundo particular.
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Molinistas dizem que a ordenação lógica para a criação de eventos seria a seguinte:
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1. Conhecimento de Deus de verdades necessárias.
2. Conhecimento médio de Deus ou ciência média (incluindo os contrafatuais)
- criação do mundo -
3. Conhecimento livre de Deus (ontologia do mundo real)
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Portanto a ciência média de Deus, o seu conhecimento médio, desempenha um papel importante na atualização do mundo. Na verdade, parece, como se o conhecimento médio de Deus contrafatuais desempenhasse um papel mais imediato na criação do conhecimento de Deus.
A colocação do conhecimento médio de Deus (ciência média) entre o conhecimento de Deus de verdades necessárias e o seu decreto criador, é crucial. Pois se o conhecimento de Deus era médio após o seu decreto da criação, então, Deus estaria causando ativamente o que as várias criaturas fariam, em várias circunstãncias, e, assim, estaria destruindo o livre arbítrio. Mas colocando o conhecimento médio, (e, assim, contrafatuais), antes do decreto da criação, Deus permite a liberdade, no sentido do livre arbítrio. A colocação do conhecimento médio, vem logicamente depois das verdades necessárias; mas antes do decreto da criação Deus também dá a possibilidade do levantamento dos mundos possíveis, decidindo qual mundo irá realizar.
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Implicações teológicas.
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O sistema do molinismo tem implicaçoes teológicas para uma variedade de doutrinas. No molinismo, Deus mantém uma medida da providência divina sem prejudicar a liberdade do homem (livre-arbítrio metafísico). Tendo Deus o conhecimento médio, Ele sabe o que um agente vai fazer livremente em uma situação particular. Assim, um agente quando colocado em circunstância C , terá a opção de escolher livremente o X sobre a opção Y . Assim, se Deus quis realizar X, tudo o que Deus faria é: usando o seu conhecimento médio atualizaria o mundo em que um elemento foi colocado em C, por conseguinte, A iria livremente escolher X. Deus retém um elemento da providência sem anular uma decisão, e o propósito divino para (realização de X) é cumprido.
Molinistas também acreditam que podem auxiliar na compreensão da salvação. desde que houve um debate entre Agostinho e Pelágio sobre a questão da salvação, mais especificamente, como Deus pode eleger os crentes e os crentes ainda irem a Deus livremente. Protestantes que se inclinam mais para a eleição de Deus, no aspecto de sua soberania são geralmente calvinistas, enquanto aqueles que acentuam o livre arbítrio do homem e a graça previniente, são chamados arminianos. No entanto, o molinismo pode abarcar tanto a soberania de Deus, como a liberdade de escolha do homem.
Tome a salvação do agente A. Deus sabe que se ele fosse para um lugar de circunstância C, então A iria livrimente crer em Cristo. Então Deus atualiza o mundo onde ocorre C, e, destarte, A livremente crê. Deus ainda mantém uma medida de sua providência divina, porque ele atualiza o mundo em que A escolhe livremente. Mas, ainda assim mantém o seu livre arbítrio. É importante destacar que o molinismo não afirma duas proposições contraditórias quando afirma a providência de Deus e liberdade do homem (livre arbítrio). A providência de Deus se estende para a atualização do mundo em que um agente pode acreditar em Cristo.
O molinismo destoa do calvinismo, em sua afirmação que Deus concede a salvação, mas o homem tem a possibillidade de livremente, aceitá-la ou rejeitá-la. Isso difere da predestinação calvinista, que afirma que sua salvação já está determinada por Deus, sem nenhum papel para a vontade individual do homem. Alguns críticos, por ignorarem a teologia arminiana, e sua consideração a soberania de Deus, também acreditam que o molinismo se distancia do arminianismo, por ter uma maior visão do papel da soberania de Deus na salvação.
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Textos bíblicos basilares do molinismo.
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Os molinistas defendem que sua posição é bíblica. Algumas passagens bíblicas são por eles destacados para fundamentar a idéia do conhecimento médio de Deus (mídia scientia). Molina já havia destacado os três seguintes textos: 1Sm 23.6-10; Pv 4.11; e Mt 11.23. Outras passagen susadas pelos molinistas são: Jr 38. 17-18 e 1Co 2.8. O filósofo norte americano Willian Lane Craig argumentou veementemente que muitas das declarações de Cristo parecem indicar o conhecimento médio. Craig cita as seguintes passagens: Mt 17,27; Jo 15.22-24; Lc 4. 24-46; Mt 26. 24. Portanto, convém notar que a maioria destes textos indicam que Deus tem conhecimento contrafatual. Para que esse conhecimento seja conhecimento médio, deve ser logicamente anterior ao conhecimento gratuito de Deus, coisa que os textos bíblicos mencionados não parecem afirmar ou negar.
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Crítica.
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A objeção ao fundamento do molinismo, é atualmente a objeção contraposta mais debatida e atualmente considerada a mais forte. O argumento afirma que não há nenhuma base metafísica para a veracidade dos contratuais para a liberdade da criatura. Não existem produtores de "verdade" que fundamente os contrafatuais. Os opositires afirmam sobre a "ciência média" que os antecedentes histórico de qualquer mundo possível não determinam a veracidade de um contrafatual para uma criatura com o seu livre arbítrio (naturalmente os molinistas aceitam isso, mas negam que isso implica, ausência nos contrafatuais da criatura livre, de valores de verdade.
Muitos filósofos e teólogos que abraçam a objeção ao fundamento preferem a alegação que ao invés de contrafatuais de liberdade serem verdades, contrafatuais prováveis são veradeiros. Assim, em vez de verdades do seguinte tipo: Deus sabe que em circunstância C a criatura X livremente fará A -, adota este modelo: Deus conhece verdades dessa sorte: "Deus sabe que em circunstência C, a criatura X provavelmente faria A". No entanto, como Edward Wierenga salientou, contrafatuais prováveis são verdades contingentes e também caem vitimas da mesma objeção fundamental.
Os molinistas respondem ao argumento acima de duas maneiras. Primeiro eles afirmam que há fortes razões teológicas e filosóficas para afirmar o molinismo, e se os atuais métodos epstemológicos não se alinharem, então, eles deve ser reformulados.
Os molinistas são muito mais seguros da doutrina do conhecimento médio, do que da teoria particular da verdade feita.
A segunda resposta é que, o que faz os contrafatuais da criatura verdadeiramente livre, é o que faz qualquer outra coisa verdadeira. Willian Lane Craig diz que, para um contrafatual de liberdade ser verdade, não é necessário que os acontecimento que se referem realmente existam, tudo o que é necessário é que eles existam sob as condições especificadas.
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Conclusão
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O Molinismo conduziu uma séria luta teológica entre os dominicanos e os jesuítas por mais de três séculos. Assembléias especiais em Roma (1598-1607) e outros esforços para apaziguar os dois lados falharam. Molina em seu “Concordia” visou uma concepção unificada da justiça e da misericórdia divina, presciência e orientação divina, da predestinação e da condenação, da graça e da liberdade humana. O significado de sua teoria reside na sua visão otimista da natureza humana, permitindo a possibilidade da graça suficiente, ou seja, um favorável parecer pela efetividade da graça, que se efetiva na harmoniza entre a soberania de Deus no acordo e recepção do homem em sua liberdade.
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Tradução e adptação: Lailson Castanha.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sobre a comparação da lei e o evangelho.

Jacobus Arminius
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Discussão 13
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SOBRE A COMPARAÇÃO DA LEI E O EVANGELHO
Requerido: PETER CUNÆUS
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1. Uma vez que a lei deveria ser considerada em dois aspectos, não só como foi originalmente entregue aos homens na constituição na inocência primitiva, mas também como ela foi dada a Moisés e imposta sobre os pecadores (em que ele tem em conta as Escrituras denominada de "Antigo Testamento", ou "o Velho Pacto), pode muito bem, de acordo com este duplo aspecto, ser, comparada com o Evangelho que recebeu a denominação de "o Novo Testamento", como oposição ao Velho. Isto pode ser feito em referência tanto a seu acordo e sua diferença, na verdade, seria inconveniente sermos levados a tomar seu acordo geral em consideração, sem sua diferença, a fim de que não sermos obrigados a repetir duas vezes a mesma coisa.
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2.
A lei, portanto, como foi primeiramente entregue a Adão e como ela foi dada por Moisés, concorda com o Evangelho.
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(1.) Em geral, é a consideração de que um é o autor. Um e o mesmo Deus é o autor de ambas, que emitiu a Lei como um legislador; (Gênesis 2:17; Êxodos 20:2;) mas promulgou o Evangelho como o Pai de misericórdias e o Deus de toda Graça: daí no primeiro é frequentemente denominada "a Lei de Deus”, e neste último "o Evangelho de Deus” (Rm.1. 1.)
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(2.) Em geral, a relação de seu tema.
Para a doutrina, cada uma compõe-se de uma ordem à obediência, e da promessa de uma recompensa. Neste âmbito cada uma delas tem o nome de hrwt "a lei”, que também é comumente atribuída a ambas nas Escrituras. (Is 2.3.)
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(3.) Em geral, a consideração de seu efeito, que é a glória da sabedoria, bondade e justiça de Deus.
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(4.) Em seu objeto comum, como não tendo sido distinguidos pelos aspectos especiais. Porque a lei foi imposta aos homens, e aos homens também foi o manifestado Evangelho.
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3.
Há, adicionalmente, um acordo apropriado da lei tal como foi entregue a Adão, com o Evangelho. Desse acordo, a lei tal como determinada através de Moisés, é excluída: ela é colocada na possibilidade de seu desempenho. Adão, foi capacitado, com a ajuda de Deus para cumprir a lei, por aqueles poderes que ele tinha recebido na criação, de outra forma, a transgressão não poderia ter sido imputada a ele por crime. O evangelho também está inscrito no coração de todos aqueles que estão em comunhão com Deus, que pode ser capaz de cumprir a condição de que ele prescreve.
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4. Mas a diferença entre a lei, como foi primeiro entregue, e o Evangelho, compõe-se principalmente das seguinte indicações.
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(1.) Em especial a respeito do autor. Pois, no exercício de benevolência à sua criação inocente, Deus entregou a lei sem se referir a Cristo, ainda como justiça estrita que necessita obediência, com a promessa de uma recompensa e condenação a uma punição. Mas, no exercício da graça e misericórdia, e com respeito a Cristo o seu ungido, Deus revelou o seu evangelho e, através da justiça temperada com sua misericórdia, promulgou suas exigências e suas promessas.
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(2.) Na determinada relação da sua questão. A Lei diz, "Faça isso, e tu deveis viver”(Rm 10.5.) Mas o Evangelho diz: "Se tu creres, tu serás salvo”, e esta diferença reside não só no postulado, a partir dos quais o primeiro é chamado "a lei das obras", mas o Evangelho"a lei da fé” (Rom. 3.27), mas também na promessa; já que, embora em cada um deles a vida eterna fosse prometida, contudo, pelo que Evangelho deveu ser conferida com morte e ignomínia, mas pela lei com natural disposição. (2 Tm 1.10.) Além disso, no Evangelho é anunciado remissão dos pecados como preparação para a vida eterna da qual nenhuma menção é feita em [Adamic] Lei; porque nem era esta remissão necessária a quem não era um pecador, nem seu anúncio [então] seria útil a ele, embora posteriormente pudesse ter-se transformado em um pecador.
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5. (3.) Eles também diferem quanto ao modo de recompensa.
Pelo acordo com a Lei [primitiva] “para aquele que trabalha, a recompensa seria de dívida” (Rm 4.4;) para aquele que transgrediu, o castigo infligido seria da gravidade da estrita justiça. Mas, para quem nEle crê, o prêmio é oferecido de graça, e para aquele que não crer, a condenação é devida, de acordo que com justiça e perdão moderado em Cristo Jesus (João 3.16, 19; 21, 41.) Eles são diferenciados na consideração especial do seu objetivo. Sendo que a Lei entregue ao homem enquanto inocente, já constitui em favor de Deus(Gn 2.17.), porém, o Evangelho foi oferecido ao homem como um pecador, em alguém que deveria ser trazido de volta para o favor de Deus, porque ele é "a palavra da reconciliação." (2 Coríntios. 5.19.)
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(5.) Diferem na peculiar relação a seu fim. Pela lei são reconhecidas a sabedoria, bondade e estrita justiça de Deus, mas pelo Evangelho é manifestada uma medida da mais ilustre exibição da sabedoria de Deus de sua bondade unida com a graciosa misericórdia e justiça docemente temperada em Cristo Jesus. (1 Coríntios. I, 20-24; Ef 1.8; Rm 3:24-26.)
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A lei de Moisés
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6.
Mas a diferença entre a lei que uma vez foi dada por Moisés, que é denominada "o Velho Testamento", e do evangelho uma vez que está sob a denominação de "o Novo Testamento", reside, segundo as Escrituras nas seguintes indicações.
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(1). Na propriedade distinta de Deus que os instituiu. Ele fez o velho pacto, como quem estando irado pelos pecados que ficaram sem expiação embaixo do pacto anterior [Adamic]. (Hb 9, 5, 15). Mas instituiu o novo, como sendo reconciliado ou, pelo menos como prestes a conseguir a reconciliação por esse pacto no amor de seu Filho, e pela palavra da sua graça. (2 Coríntios. 5, 17-21; Ef. 2, 16, 17.)
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(2). Na forma de instituição, o que corresponde, em cada um delas para a condição das coisas a ser instituídas.
A lei de Moisés foi entregue com os sinais mais óbvios do desprazer Divino e do juízo terrível de Deus contra pecados e pecadores. Mas evangelho foi dado com os símbolos assegurados da benevolência bom prazer e amor em Cristo. Daí o apóstolo diz: "Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e a escuridão, e às trevas, e à tempestade etc. "Mas chegastes ao Monte Sião” etc. (Hb 12.18-24.)
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(3.) No conteúdo das ordens e promessas. As ordens da lei foram essencialmente carnais (Hb 7. 16) e continha "a escrita ordens que eram contrárias a nós:" (Col. 2. 14.) A maior parte das promessas foram do mesmo modo corporais, e estipularam compromissos de uma herança terrestre, que aperfeiçoou "o velho homem." (Hebreus 10:1.) Mas o Evangelho é espiritual, (João 4:21, 23,) contendo ordens espirituais e a promessa de uma herança celeste que concorda "com o novo homem" (hebreus 8:6; o Efésios 1:3), embora prometa bênçãos terrestres, como adições, àqueles que "buscam primeiro o reino de Deus e a sua justiça." (Mateus 6:33.)
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7 (4.)
Colocamos a quarta diferença no Mediador ou Intercessor. Moisés é o mediador do Antigo Testamento, Jesus Cristo do Novo (Gl 3. 19; Hb 9. 15.) A lei foi dada por um servo mas o evangelho foi dado pelo Senhor que a si mesmo se revelou (Hb 3.5,6). "A lei foi dada por Moisés; a Graça e verdade vieram por Jesus Cristo”(João 1, 17.) A lei foi dada pelas mãos de um mediador (Gálatas 3:19) de acordo com o que é mencionado em outras passagens; (Levítico 26:46; Deuteronômio 5:26-31;) e Cristo é denominado "o Mediador do Novo Testamento." (Heb. 9.15.).
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(5.) Eles também diferem quanto ao sangue utilizado para a confirmação de cada Testamento.
O antigo pacto foi ratificado pelo sangue de animais (Ex 24. 5,6; Hb 9. 18-20;), mas o novo foi confirmado pelo sangue precioso do Filho do Deus, (Hebreus 9:14,) que está de mesmo modo nesta conta chamado "o sangue do Novo Testamento." (Mateus 26:28.).
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(6). Diferem no lugar da sua promulgação.
O Velho Pacto foi promulgado no monte Sinai; (Ex. 19. 18;), mas o novo "passou diante de Sião e de Jerusalém (Is 2. 3; Miquéias 4. 2.) Esta diferença é também apontada de forma clara pelo apóstolo Paulo (Gl. 4. 24-31; Hb 12.18 - 21.).
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8. (7). A sétima diferença deve ser tomada a partir do assunto, tanto aqueles a quem cada um foi dado, como em que cada um foi escrito.
A antiga lei foi dada para o "velho homem". O Novo Testamento foi instituído para o "novo homem". A partir desta circunstância, Stº Agostinho supõe que esses dois Testamentos obtiveram a denominação de “Velho" e de “Novo Testamento ". A antiga Lei foi escrita em “tábuas de pedra (Ex 30.1, 18). Mas o evangelho é "escrito em tábuas de carne (Jr. 31. 33; 2 Coríntios 3. 3.).
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(8.) A oitava diferença está nas adjunções, e isto em duas maneiras.
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(i) A antiga lei era “fraca e desprezível", e incapaz de dar vida.(Gálatas. 4. 9; 3. 21). Mas o evangelho contém as inescrutáveis riquezas de Cristo. "(Efésios 3. 8) e "é" o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. "(Romanos. 1, 16.).
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(ii.) A antiga lei era um fardo insuportável, que "nem os judeus,
nem os seus pais foram capazes de suportar." (Atos 15.10). Mas o evangelho contém o "jugo" de Jesus Cristo que é "fácil", e "o seu fardo", que é leve (Mateus 11.29, 30).
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9. (9.) A nona diferença deve ser tomada a partir da biodiversidade dos seus efeitos.
O Antigo Testamento é "a letra que mata", a administração da morte e da condenação. "Mas o Novo Testamento é o" Espírito que dá a vida "o ministério do Espírito de retidão e da vida (2 Coríntios 3. 6-11.). O Velho Pacto é semelhante a Agar, "gerando para“ escravidão”, o Novo como Sara, gera para liberdade (Gl 4.23, 24). "A lei entrou para que a ofensa abundasse," (Rm. 5.20,) e que "operasse a ira (4. 15.) mas, "o sangue do Novo Testamento ", exposto no Evangelho (Mt 26. 28,) expia o pecado (Hb 9. 14, 15) e, " fala melhor do aquele de Abel"(12, 24). O Antigo Testamento é o vínculo em que os pecados são escritos: (Cl 2.14), mas o evangelho é a proclamação da liberdade e da doutrina da cruz para o qual foi pregado o vínculo ou a escrita contra nós", e foi por esse mesmo ato ", retirado do caminho."
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(10.) A décima diferença será colocada no tempo, tanto da promulgação de cada uma e da sua duração.
O Antigo Testamento foi promulgado quando Deus levou os filhos de Israel para fora do Egito. (Jr. 31. 32.), mas o novo, posteriormente, nestes últimos tempos. (Hb 8. 8,9.) Foi designado que o Antigo Testamento perdurasse até o advento de Cristo e depois seria abolido (Gl 3.19; Hb 7.18; 2 Coríntios 3.10). Porém, o Novo Testamento continuará sempre, a ser confirmado pelo sangue do grande Sumo Sacerdote", que é feito sacerdote após o poder de uma vida infinita "pela palavra de um juramento (Hb 7.16-20), e, através do eterno Espírito, ofereceu-se para Deus" (9,14.) desta última diferença, é provável que a denominação de "o Velho Testamento" e "o Novo", derivaram-se dessa origem.
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Os santos NO ÂMBITO DO ANTIGO TESTAMENTO
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10. Mas, afim de que não se suponha que os Pais, que viveram sob a lei do Antigo Testamento, eram inteiramente destituídos de graça, fé e vida eterna, deve ser lembrado que até naquele período, a promessa esteve na existência que tinha sido feita a Adão acerca "da Semente da mulher," (Gênese 3:15,) o que também diz respeito à semente de Abraão, a quem "as promessas foram feitas," (Gl 3.16) e nos quais "todas as famílias da terra deviam ser abençoadas” (Atos 3. 25;) e que estas promessas foram recebidas na fé pelos santos pais. Dado que esta promessa é compreendida por revelação sob o nome de "o Velho Testamento," tomadas de uma ampla aceitação, e é chamado pelo apóstolo diaqhkh "o testamento (Gl 3.17), bem como, no plural, "os concertos da promessa” (Efésios 2.12;) também temos de considerar agora", este concerto da promessa o Novo Testamento, bem como o evangelho, chamado por meio da excelência, como sendo a conclusão das promessas(Gl 3. 16, 17,) e como sendo a promessa "(Hb 9.15), concordam e diferenciam-se um do outro.
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11. Colocamos um acordo nessas coisas que dizem respeito ao mérito de cada um. Pois:
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(1). No que diz respeito à Causa Eficiente, ambas foram confirmadas através da mera graça e misericórdia de Deus em consideração a Cristo.
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(2.) A questão de cada uma foi a mesma: isto é, "a obediência da fé foi exigida em ambas, (Gn 15, 6; Rm 4; Hb 11), e a herança da vida eterna foi prometida através da imputação da justiça da fé e, através graciosa adoção em Cristo
(Rom. 9.4; Hb 11.8.).
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(3.) Um tema, que é Cristo que foi prometido aos pais nas escrituras proféticas, a quem Deus tem mostrado no Evangelho
(At 3.19, 20; 13:32.).
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(4.) Um fim, o louvor da gloriosa graça de Deus em Cristo
(Rm 4.2, 3.).
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(5). Ambos os testamentos foram celebrados com os homens investidos na mesma relação formal, isto é, com homens como pecadores, aqueles que “não trabalham, mas que crêem naquele que justifica o ímpio". (Rm 9, 8 ; 11, 30-33.).
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(6.) Ambas têm o mesmo Espírito de testemunho ou selo da verdade, nas mentes daqueles que são participantes do pacto. (2 Coríntios 4:13.) para que desde então "a adoção" e "a herança" pertença do mesmo modo aos pais no Velho Testamento, (Romanos 9:4; o Gálatas 3:18,) e "o Espírito da adoção," que é "o penhor da herança," não possa ser-lhes negado. (Romanos 8.15; Efésios 1:14).
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(7.) Concordam em seus efeitos.
Os pactos geram filhos para a liberdade "Em Isaque será chamada a tua descendência." (Rm 9.7). "Então, irmãos, não somos os filhos da escrava, mas da livre, e somos como foi Isaque, os filhos da promessa (Gl.4.31, 28.). Ambas administram a a justiça da fé e a herança por meio dela. (Rm 4.13.) Ambas excitam alegria espiritual nos corações dos fiéis (João 8. 56; Lucas 2.10.).
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(8). Finalmente, concordam neste particular - que ambas foram confirmadas pelo juramento de Deus. Nenhum delas, portanto, deviam ser abolidas, mas a antiga era para ser cumprida por esta última. (Heb. vi, 13, 14, 17; vii, 20, 21.) (Hb 6.13,14,17; 7. 20, 21).
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12. Mas há uma diferença em algumas circunstâncias acidentais que não derrogam (alteram) nada de sua unidade substancial.
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(1.) Com respeito do acidente e do seu objeto: Quando o advento de Cristo se aproximou, ele foi proposto pela promessa
(Ml 3.1.) Mas Ele é manifestado agora no Evangelho (1 João I. 1,2; 4. 14).
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(2). Daí também surge à segunda diferença, em respeito ao acidente da fé, necessário sobre seu objeto.
Para como as coisas do presente e do passado são sabidas mais claramente do que as coisas futuras, assim, que a fé em Cristo que viria, era mais obscura do que a fé contemplada em Cristo no presente (Hb. 11.13; Nm 14.17.)
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(3.) A esses se acrescenta a terceira diferença - que Cristo com seus benefícios foi outrora proposto para os israelitas em tipos e sombras: (Hb. 12; Gl 3.16). Mas agora ele é oferecido no Evangelho "a ser visto com o rosto desvendado, exibindo a realidade das coisas na sua própria imagem.
(2 Coríntios. 3.18; João I, 17; Col. 2. 17; Gl. 3.13, 25.).
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(4.) Esta diversidade das administrações exibe a quarta diferença no próprio herdeiro.
O apóstolo “compara os filhos de Israel a um herdeiro “infante” que necessitava da supervisão de “tutores e curadores”; e compara os crentes sob o Novo Testamento a um herdeiro adulto.(Gl. 4.1-5.).
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(5). Daí se infere uma quinta-diferença. Que o infante herdeiro, em "nada diferente de um servo"
, foi mantido em cativeiro sob a economia do cerimonial da lei, a partir do qual são libertas dessa servidão as pessoas que crêem em Cristo após a expiração do "tempo da tutela, designado antes pelo do Pai”.
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(6). A condição em que Espírito do herdeiro infante esta acomodado, permitir-nos a sexta diferença: que o herdeiro estava na verdade sob a influência do "Espírito de adoção”, mas, sendo ele, então, apenas um infante, este Espírito estava atemorizado, mas o herdeiro adulto está sob a influência completa "do Espírito de adoção” excluindo-se inteiramente esse medo
(Rm 8. 15; Gl 4.6.).
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(7). A sétima diferença consiste no número daqueles que são chamados para a comunhão em cada um desses pactos.
A promessa foi confinada dentro das fronteiras da “comunidade de Israel” a partir da qual os gentios eram "estrangeiros", sendo também “estranhos as alianças da promessa” (Efésios 2:11-13, 17.). Mas o Evangelho foi anunciado a toda a criatura embaixo do céu, e o monte de separação é completamente removido. (Mt 28.19; Mc 16.15; Cl 1.13.).
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13.
Mas os três, a lei, a promessa e o evangelho podem tornar-se sujeitos de considerações de outra ordem, quer como oposição entre si, ou como subordinada umas as outras. A condição da lei, pois, tal como foi entregue a Adão exclui a obrigatoriedade sobre a promessa de anunciar o Evangelho e, por outro lado, a necessidade de fazer a promessa o anúncio do Evangelho, declara que o homem não obedeceu a lei que lhe foi dada. A justificação não pode ser tanto, de uma só vez "da graça” e "da dívida” nem pode, ao mesmo tempo, admitir e excluir a "jactância". (G. 2 17; Rm 4. 4, 5; 3. 27). Foi também apropriado que a promessa devesse preceder o Evangelho, e em contrapartida devesse ser cumprida pelo Evangelho em vez de, como era inadmissível que tal grande bênção fosse oferecida, salvo se fosse ardentemente desejada, por isso era inadequado que o fervoroso expectante desejo fosse frustrado. (1 Pedro 1.10-12, Ageu 2.7, Malaquias 3.1). Também não é menos justo, que, após a promessa ter sido feita, a lei devesse ser recitada, pelo que poderá ser evocado a evidente necessidade da graça da promessa (Gl 3.19-24; Atos 13.38, 39) e, estando convencido dessa necessidade, poderão ser compelidos a fugir para o seu abrigo. (Gl.2. 15, 16.) A utilização da lei também foi benéfica para o Evangelho que devia ser recebido pela fé (Cl 2.14, 17). Enquanto a promessa era atual, foi também a vontade de Deus adicionar outros preceitos, e, sobretudo, como foram os cerimoniais, pelo que o pecado pode ser ["encerrado”] ou testemunhado contra, e um aviso prévio pôde ser dado do cumprimento das promessas. E quando a promessa foi cumprida, era a vontade de Deus que estes preceitos fossem revogados, como que tendo completado as suas funções. (Hb 10. 9, 10). Finalmente, a lei moral deveria servir tanto para a promessa como para o evangelho que já foi recebido pela fé como uma regra segundo a qual crentes devem conformar suas vidas. (Sl 119:105; Tito 3:8.). Mas, concedeu Deus, a partir de sua palavra, capacidade para compreender, ainda mais claramente, sua gloriosa economia, para a sua glória, em Cristo.
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The Works of James Arminius Vl 1
Public Disputations: Disputation 13: On the comparison of the Law and the Gospel
DISPUTATION 13: ON THE COMPARISON OF THE LAW AND THE GOSPEL
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/j.htm#DISPUTATION%2013
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Tradução: Lailson Castanha
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Como Jacobus Arminius acredito que: "As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si mesmas.[...] Nenhum escrito composto por Homens, seja um, alguns ou muitos indivìduos à exceção das Sagradas Escrituras[...] está isento de um exame a ser instituído pelas Escrituras. É tirania, papismo, controlar a mente dos homens com escritos humanos e impedir que sejam legitimamente examinados, seja qual for o pretexto adotado para a tal conduta tirânica." (Jacobus Arminius) - Contato: lailsoncastanha@yahoo.com.br

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