Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suas similaridades, vertentes, ambivalências e divergências.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

“Não sois das minhas ovelhas” (Jo 10. 26) – uma interpretação arminiana.

A Bíblia é enfática na ressalva de que ninguém pode ir até Cristo, se o Pai não o enviar. Mas é clara também, no fato de que, apenas serão salvos os que crerem e se submeterem a Cristo. Quanto ao número das pessoas que irão até Cristo, declarado nas suas palavras, “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim”(Jo 6.37), as Escrituras afirmam: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” (Jo 12.32). Sobre a vontade do Pai, em relação a essas pessoas, Jesus afirma: “Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna”.(Jo 6.40a)
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Sobre essa questão, vários pesquisadores das Escrituras, teólogos, e debatedores livres, afirmam que o fato de Jesus afirmar: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas,” indica que existem pessoas que, por serem rejeitadas por Deus, foram, por conseguinte, impedidas de crer.
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Segundo eles, a ordem estabelecida seria:
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Deus rejeita, por isso impede as pessoas de crer.
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Quando Jesus afirma: “Mas vós não credes, porque NÃO SOIS DAS MINHAS OVELHAS”,(Jo 10.26) com isso afirmava, que a prova que os tais não eram participantes de seu rebanho, era a ausência de fé, não a impossibilidade dada por Deus de que cressem, tanto que, por não crerem, foram censurados por Cristo. Se Eles não fizessem parte das ovelhas, como parte de um plano específico de Deus, os tais não seriam censurados. Não se pode ignorar que estas palavras foram direcionadas à grupos de judeus que já tinham anteriormente desprezado a Jesus, chegando, até mesmo a afirmarem: "Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis?"(Jo 10.20). Esses Judeus tentavam Jesus, com toda sorte de provocações e não criam em suas obras, ademais, rejeitaram a Cristo acusando-o de proferir blasfêmias: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (Jo 10.33).
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As Escrituras não afirmam que os tais judeus já foram rejeitados de antemão, pelo contrário, sobre os judeus as Escrituras afirmam: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam(...)” (Jo 1.11). Isso deixa bem claro, que os judeus citados por Cristo, não estavam entre as suas ovelhas porque, anteriormente eles mesmos (os judeus incrédulos) já o tinham rejeitado, e não porque Cristo precedentemente os rejeitou . Muitos textos sacros evidenciam o fato de que, o próprio Deus encerra os insubordinados na desobediência e endurece ainda mais os já antes duros de coração, que não acolhem o amor da verdade para serem salvos, enviando a “operação do erro, para darem crédito à mentira; afim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade, antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça”.(2 Ts 2.10,11); Reflitamos também no texto seguinte de Rm 1.28: “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm” .
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O grupo descrito por Jesus como "não pertencente as suas ovelhas” ao contrário da idéia de ser um grupo absolutamente rejeitado, fazem parte daqueles judeus descritos por João, aqueles a quem Jesus viera, filhos da mesma Jerusalém que “que mata os profetas, e apedreja os lhe foram enviados!”, sobre a qual Jesus expressou o conhecido lamento: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” seguido do severo juízo: “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (MT .23 37-39).
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Com essa interpretação, rejeitamos a proposição anteriormente destacada, proposta pelos grupos contrários ao arminianismo, entendendo que não está em harmonia com as Escrituras.

Jacobus Arminius, falando sobre o decreto de Deus, afirma:

"O segundo preciso e absoluto decreto de Deus, é aquele em que ele decretou receber em generosidade aqueles que se arrependem e crêem, e, Cristo, pelo seu nome e por Ele, garante a salvação de tais que se arrependem e perseveram fielmente até fim; mas para deixar em pecado, e sob a ira, todos as pessoas impenitentes e incrédulas, e aos maldizentes como estrangeiros de Cristo."(1)
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Corroborando a assertiva de Arminius, propomos o enunciado seguinte, por entender que é mais harmônico com a totalidade dos ensinos bíblicos, a saber:
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Deus rejeita a todos quantos não dão crédito à verdade, impedindo que, posteriormente, creiam.
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“Se não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.(Ml 2. 2)
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Lailson Castanha.
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(1) ARMINIUS, Jacobus. The Works Of James Arminius V1.
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8 comentários:

  1. Estimado Lailson, a paz!

    Companheiro, Esse verso de João 6.44 diz: "Ninguém pode vir a mim se pelo Pai não for concedido". De acordo com o arminianismo, quem são os que o Pai Deus? VOcê não acha que isso se trata de eleição incondicional?

    Outra questão:

    Vocês arminianos atacam a nossa cosmovisão (calvinista) de fazer com que Deus seja o autor do pecado, mas se for assim não seria também Deus autor do pecado no arminianismo uma vez que Deus sendo onipotente PERMITE que o pecado aconteça? Penso que, se levarmos as implicações da lógica aristotélica sempre Deus será o autor do pecado.

    Por que você pensa que as escrituras devem seguir a mesma lógica Aristotélica assumindo a idéia de que Deus quando determina o pecado é o autor do pecado? Como você prova que as escrituras segue a determinada lógica?

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  2. Companheiro Anônimo (postagem 10 de outubro de 2012), saúde.

    É importante relembrarmos que as Escrituras devem ser interpretadas em sua totalidade, nunca, em textos isolados.

    Quando lemos que ninguém pode vir ao Pai, sem a sua concessão, entendemos, com as demais escrituras, que toda a atitude inicial, em relação à reaproximação do homem com Deus, vem do Pai. Sem a manifestação graciosa do Pai, jamais o homem chegaria a Cristo. O que não somos autorizados a afirmar é que todos os chamados serão incondicionalmente salvos; como afirmam as Escrituras: porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. (Mt 20:16). E quando admitimos que dos chamados há rejeitados e há escolhidos, estamos a admitir condições para ter a chamada confirmada, portanto, diante dessa realidade, a ideia de eleição incondicional, configura-se como imprópria.

    Quanto a sua compreensão de que a cosmovisão arminiana também corrobora a ideia de Deus ser autor do pecado, entendo como incabível. Ser Onipotente, e, permitir que algo aconteça, não significa criar esse algo. Deus como onipotente tem suas escolhas. Em relação ao pecado, embora pudesse interferir em seu surgimento, preferiu que o homem fosse livre para inaugurá-lo, uma vez que, segundo o desejo de Deus, ela nascesse com o seu livre arbítrio, ou seja, capacidade de exercer escolhas, mesmo que, entre essas escolhas, existisse a possibilidade de o homem não seguir a totalidade das orientações de Deus – que é o pecado, ou seja, afastamento da vontade de Deus. Quanto ao que estamos a discutir, a lógica aristotélica não força uma hipótese, ela só constata uma evidência. Além disso, essa mesma lógica não corrobora a interpretação de que onipotência de Deus implica em criação do pecado. Se você insistir nessa interpretação tentado buscar auxílio na lógica, estará forçando uma adequação lógica, e com isso, criando uma falácia.

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  3. Lailson, encontrei por acaso o seu blog, mas, sem demagogia, não sei qual dos textos são melhores, se o seu artigo ou se esta resposta, dada ao comentarista anônimo. excelente a sua linha de pensamento. Escrevi certa vez uma "síntese" sobre a predestinação e o livre arbítrio segundo a minha linha de pensamento contrastando Armínio e Calvino. Se permitires, pretendo postar o seu artigo na minha página. http://www.oportaldateologia.com
    Lógico que vou citá-lo. Se concordar entre nesta minha pagina e poste na caixa de comentário a sua permissão. Grato.

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  4. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fp 2. 13

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  5. Ao "O portal da teologia".

    Fico feliz em saber que os textos expostos no Ideário arminiano tem contribuído com meus irmão. Fique a vontade para expor os textos na página de "O portal da teologia.

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  6. Companheiro anônimo, o que está escrito nas Escrituras, acolhemos. Realmente Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade, porém, a questão é a maneira que ele opera e efetua (estabelece). O texto sacro não aponta para um agir inflexível, uma vontade fechada, que determina, absolutamente, uns para uma direção e outros para outra. Não é assim que as Escrituras nos ensinam:

    Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
    Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;
    Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
    Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.
    Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.
    O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. (1 Timóteo 2:1-6)

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Como Jacobus Arminius acredito que: "As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si mesmas.[...] Nenhum escrito composto por Homens, seja um, alguns ou muitos indivìduos à exceção das Sagradas Escrituras[...] está isento de um exame a ser instituído pelas Escrituras. É tirania, papismo, controlar a mente dos homens com escritos humanos e impedir que sejam legitimamente examinados, seja qual for o pretexto adotado para a tal conduta tirânica." (Jacobus Arminius) - Contato: lailsoncastanha@yahoo.com.br

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