Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suas similaridades, vertentes, ambivalências e divergências.

domingo, 8 de agosto de 2010

Philipp Van Limborch

Philipp Van Limborch ou Felipe de Limborch(Amsterdam, 19 junho de 1633 a 30 de abril de 1712) foi um pastor protestante e teólogo holandês remostrante.

Ele era filho de um advogado. Sua educação se deu nas cidades de Utrecht, Leiden e Amsterdã. Em 1652 estudou teologia na Universidade de Utrecht. Ele recebeu em 1657 uma nomeação como pastor na Igreja Remostrante em Gouda. Depois de 1667 ele foi transferido para Amsterdã. Um ano mais tarde,foi professor no Seminário Remostrante. Van Limborch era amigo do filósofo Inglês John Locke.

Sua obra mais importante, Institutiones Theologiae Christianae ad praxin promotionem pietatis et pacis, christianae directae UNICE (Amsterdam 1686) é uma exposição detalhada do sistema teológico de Simon Episcopius e Stephanus Curcellaeus. A quarta edição de 1715 contém a obra Relatio historica de origine et progressu controversiarum in foederato Belgio de praedestinatione. Limborch ainda escreveu:

De veritate religionis Christianae amica coltatio cum erudito Judaeo (Gouda 1687)
Historia Inquisitionis (1692), incluindo uma versão do Liber Sententiarum Inquisitionis Tolosanae (1307-1323)
Commentarius in Acta Apostotorum et in Epistolas ad Romanos et ad Hebraeos (Rotterdam 1711)


Seus trabalhos editoriais incluíram a publicação de vários trabalhos de seus predecessores e a publicação de cartas, obras como: Epistolae ecclesiasticae praestantum ad eruditorum virorum (Amsterdam, 1684), principalmente, as cartes de Jacobus Arminius, Joannes Uytenbogardus, Konrad Vorstius (1569-1622), Gerhard Vossius (1577-1649), Hugo Grotius, Simon Episcopius (seu avô) e Caspar Barlaeus; essas cartas são do valor grande para a história do arminianismo.

Uma tradução para o Inglês da Theologia foi feita por William Jones em 1702 sob o título de A Complete System or Body of Divinity, both Speculative and Practical, founded on Scripture and Reason (Londen 1702). A tradução da Historia Inquisitionis por Samuel Chandler, com uma longa introdução sobre a origem e evolução do processo e suas causas reais ou imaginárias [1].
A obra de Limborch - Liber Sententiarum Inquisitionis Tolosanae ainda é considerado um feito histórico pelo cuidado de sua transcrição de um manuscrito escrito pelo dominicano inquisidor Bernard Gui. Este manuscrito foi considerado perdido durante muito tempo, mas finalmente foi encontrado em Londres (British Library, MS. Adicionar. 4697). Uma nova edição do manuscrito ((Le Livre des sentences de l'inquisiteur Bernard Gui (1308-1323)) foram fornecidas por Annette Pales-Gobillard (2 volumes, Paris, 2003).

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Referências:
Wikipedia - com base no texto da Encyclopædia Britannica Eleventh Edition.
Para consultar:
A compleat system, or body of divinity, both speculative and practical : founded on Scripture and reason (1702)
http://www.archive.org/details/compleatsystemor01limb

THEOLOGIA CHRISTIANA - Latin
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Philippe van Limborch, De veritate Religionis Christianae Amica Collatio cum Erudito Judaeo, Basilea, apud Joh. Rudolph Im-Hoff, 1740, Texto: 692 págs. Indices: 28 págs.
Em destaque, a autobiografia do judeu Uriel da Costa (1585 - 1640), que desiludido com a religião judaica, se suicidou. Sua autobiografia intitulada Exemplar Humanae Vitae, foi transcrita por Philipp Van Limborc em sua obre De veritate Religionis Christianae Amica Collatio cum Erudito Judaeo.http://www.arlindo-correia.com/exemplar_humanae_vitae.html

Gravura: Philipp Van Limborch

terça-feira, 27 de julho de 2010

O caráter de Deus e a predestinação

2 - O caráter de Deus e a predestinação

John Wesley

Apresentam-se então o livre arbítrio de um lado e a condenação do outro. Vejamos qual é o plano mais defensável, se o absurdo do livre arbítrio, como alguém pensa ser, ou se o outro com o absurdo da condenação. Se for do agrado do Pai das luzes abrir os olhos do nosso entendimento, vejamos qual destes contribui mais para a glória de Deus, para a manifestação dos seus glorioso atributos, da sua sabedoria, justiça e misericórdia aos filhos dos homens.
Primeiramente a sua sabedoria. Se o homem for até certo ponto livre, se pela "luz que alumia a todo aquele que vem ao mundo" lhe forem postos diante de si a vida e a morte, o bem e o mal, então quão gloriosamente aparece a multiforme sabedoria de Deus em toda a economia da salvação do homem! Querendo-se que todos os homens sejam salvos, mas não se querendo forçá-los a isso, querendose que todos os homens sejam salvos, mas não como árvores ou pedras, mas como homens, como criaturas inteligentes, dotadas de entendimento para discernir o que é bom e de liberdade para aceitá-lo ou recusá-lo, o esquema de todas as suas dispensações vai bem com este seu ôrothesis seu plano, "o conselho da vontade"! O seu primeiro passo é feito no sentido de iluminar o entendimento pelo conhecimento geral do bem e do mal. O Senhor acrescenta a isto muitas convicções internas as quais não há um homem sobre a terra que não as tenha sentido freqüentemente. Outras vezes Ele, com delicadeza, move a nossa vontade, nos impulsiona a andar na luz. Instilanos no coração bons desejos, embora talvez não saibamos de onde vêm. Ele procede desse modo com todos os filhos dos homens mesmo aqueles que não têm conhecimento da sua palavra escrita. Mas supondo-se que o homem é, até certo ponto, um agente livre, que arranjo de sabedoria é organizado! Como cada parte deste plano convém a este fim! Salvar o homem como homem. Colocarem-se a vidae a morte perante ele e então, sem o forçar, persuadi-lo a escolher a
vida...
Chegamos à sua justiça. Se o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, ele se torna um objeto próprio da justiça de Deus que o absolve ou o condena, que o recompensa ou pune. Mas se ele não é, não se torna objeto daquela. Uma simples máquina não capaz de ser absolvida nem condenada. A justiça não pode punir uma pedra por cair ao chão, nem, no nosso plano, um homem por cair no pecado, ele não pode senti-la mais do que a pedra, se ele está, de antemão, condenado... Será este homem sentenciado a ir para o fogo eterno preparado para o diabo e os seus anjos por não fazer o que ele nunca foi capaz de evitar? "Sim, porque é a soberana vontade de Deus". "Então, ou temos achado um novo Deus ou temos feito um"! Este não é o Deus dos cristãos. Nosso Deus é justo em todos os seus procedimentos; não ceifa onde não semeou. Ele requer apenas, de acordo com o que Ele deu, e onde ele deu pouco, pouco será pedido. A glória da sua justiça está em recompensar a cada um segundo as suas obras. Aqui se mostra aquele glorioso atributo evidentemente manifesto aos homens e aos anjos de que se aceita de cada um segundo o que ele tem e não segundo o que ele não tem. Este é aquele justo decreto que não pode passar quer no tempo quer na eternidade...
Assim Ele gloriosamente distribui o seu amor, supondo-se que esse amor recaia em uma dentre dez de suas criaturas, (não podia eu dizer uma dentre cem?), e não se importe com as restantes, que as noventa e nove condenadas pereçam sem misericórdia ; é suficiente para Ele amar e salvar a única eleita. Mas por que tem misericórdia apenas desta e deixa todas aquelas para a inevitável destruição? "Ele o faz porque o quer" Ah!, que Deus concedesse sabedoria submissa àqueles que assim falam! Pergunto: qual seria o pronunciamento da humanidade a respeito de um homem que procedesse desse modo?
A respeito daquele que, sendo capaz de livrar milhões da morte apenas com um sopro de sua boca, se recusasse a salvar mais do que um dentre cem e dissesse: "Eu não faço porque não o quero"? Como exaltarmos a misericórdia de Deus se lhe atribuímos tal procedimento? Que estranho comentário é aquele da sua própria palavra: "A sua misericórdia é sobre toda a sua obra!"...
A soberania de Deus aparece: 1) Em fixando desde a eternidade aquele decreto sobre os filhos dos homens de que "aquele que crer será salvo" e o "que não crer será condenado". 2) Em todas as circunstâncias gerais da criação, no tempo, lugar, no modo de criar todas as coisas, em nomear o número e as espécies das criaturas visíveis e invisíveis. 3) Em conceder talentos naturais aos homens, estes a estes e aqueles àqueles. 4) Na disposição do tempo, do lugar e das outras circunstâncias exteriores tais como pais e amigos atendendo ao nascimento de cada um. 5) Na dispensação dos vários dons do seu Espírito para a edificação da sua Igreja. 6) Na ordenação de todas as coisas temporais tais como a saúde, a fortuna, os amigos, todas as coisas que carecem de eternidade. Mas é claro que, na disposição do estado eterno dos homens, não somente a soberania, mas a justiça, a misericórdia e a verdade mantêm as rédeas. O governador do céu e da terra, o Eu, Sou, sobretudo o Deus bendito para sempre, com aquelas qualidades, dirige e prepara o caminho diante da sua face.

Obras: "A predestinação calmamente considerada"
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BURTNER, R.W. e CHILES, R.E., compiladores. Coletânea de Teologia de John Wesley. Rio de Janeiro: Instituto Metodista Bennett, 1995. 2ed., 50-54
(X,232-36).

Gravura: Imagem de John Wesley.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sobre a obediência aos mandamentos de Deus em geral.

Jacobus Arminius

Disputa 70

SOBRE A OBEDIÊNCIA AOS MANDAMENTOS DE DEUS EM GERAL.

1. Como o submeter da obediência é o dever de um inferior, portanto, para a realização da mesma, a humildade é necessária. Esta, geralmente considerada, é uma qualidade pela qual, qualquer um se torna pronto à submeter-se a outro, para realizar e executar suas ordens, e, neste caso, para submeter-se a Deus.

2. Obediência diz respeito em parte a um ato interno e, em parte a um externo. O desempenho dos dois é necessária para a completa obediência, verdadeira e sincera. Porque Deus é Espírito, e o observador de corações, que exige a obediência de todo o homem, tanto do homem interior como do exterior - a obediência pelas inclinações do coração e dos membros do corpo. O ato externo sem o interno é a hipocrisia, e o interno, sem o externo, é incompleto, a menos que o homem seja impedido da realização do ato externo, sem sua imediata culpa.

3. Com isto, quase coincide a expressão dos teólogos escolásticos" para executar uma ordem, ou de acordo com a substância do ato somente, ou igualmente de acordo com a qualidade necessária e o modo, " em qual sentido, igualmente, Lutero parece ter pronunciado essa expressão - " Advérbios salvação e maldição."

4. A graça e a concordância especial de Deus são necessários para o desempenho de toda a obediência, verdadeira e sincera, até mesmo para o homem interior, das inclinação do coração, e de um modo lícito. Porém permitimos que ela seja feita uma matéria de discussão, se a revelação, e aquela assistência de Deus, que é chamado de "geral", e que é contrário a esta ajuda especial, e distinta dela, seja suficiente para realizar o ato externo do corpo e da substância do ato.

5. Apesar de que a graça especial que se move, excita, estimula e incita a obedecer, fisicamente move o entendimento e a inclinação do homem, de modo que não possa ser de outra maneira do que afetado com a percepção dela, ainda ela não efetua ou alicia o consentimento exceto moralmente, ou seja, pelo modo da persuasão, e pela intervenção da vontade livre do homem, que a vontade livre não só exclui coerção, mas igualmente toda a antecedente necessidade e determinação.

6. Mas, que a especial concorrência ou assistência da graça, que é também chamado de graça "cooperante e de acompanhante" não difere em espécie, nem em eficácia dessa graça excitante, que é chamado de preveniente e operante, mas é a continuação da mesma graça. É denominada "cooperante" ou "concomitante", só por conta da concomitância da vontade humana, que a graça operante e preveniente aliciou da vontade do homem. Esta concomitância não é negada a quem a graça excitante é aplicada, a menos que o homem ofereça resistência à graça excitante.

7. Dessas premissas, podemos concluir que um homem regenerado é capaz de agir melhor do que ele faz, e pode deixar mais o mal do que ele deixa, e, portanto, que nem no sentido em que é recebido por Santo Agostinho nem naquele em que algum do nossos teólogos compreendem, é a graça eficaz necessária para o desempenho de obediência - uma particularidade que é muito harmoniosa com a doutrina de Santo Agostinho.

COROLÁRIO

Coação apenas limita a liberdade de um agente, não a destrói ou a tira fora, e tal circunscrição não é feita, exceto por meio de intervenção ou da inclinação natural, a inclinação natural, portanto, é mais contrária à liberdade do que a coação o é.

Tradução: Lailson Castanha.
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. The Works Of Arminius.Vl.2.
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/arminius.htm 

sábado, 17 de julho de 2010

Sobre a causa do pecado universal.

Jacobus Arminius

10. SOBRE A CAUSA DO PECADO UNIVERSAL

1. Embora o pecado não possa ser cometido por ninguém exceto por uma criação racional, e, por isso, deixa de ser um pecado, por esta mesma circunstância, se sua causa for atribuída a Deus; no entanto, parece possível, por quatro argumentos, fixar essa acusação sobre o nossos teólogos. "Segue-se de sua doutrina de que Deus é o autor do pecado".

2. A primeira razão. - Porque eles ensinam que, "sem previsão do pecado, Deus absolutamente decidiu declarar sua glória através da justiça punitiva e da misericórdia, na salvação de alguns homens e na condenação de outros".

Ou, como outros deles afirmam: "Deus resolveu ilustrar a sua própria glória pela demonstração da graça salvadora, a sabedoria, a ira, habilidade e poder mais gratuito, na salvação de alguns homens em particular, e na condenação eterna de outros; que não pôde ser feito, nem foi feito, sem a entrada do pecado no mundo."

3. Segunda razão. - Porque eles ensinam "que, para alcançar aquele fim principal e supremo, Deus ordenou que o homem devesse pecar e se tornar corrompido e, pelo qual, Deus abriu um caminho próprio para a execução do presente decreto."

4. Terceira razão. - Porque eles ensinam que "Deus negou ao homem, ou tenha retirado do homem, antes de pecar, a graça necessária e suficiente para evitar o pecado", que é equivalente a isso - como se Deus tivesse

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imposto uma lei sobre o homem que era simplesmente impossível de ser executada ou observada por sua própria natureza.

5. Quarta razão. - Porque eles atribuem a Deus alguns atos, em parte externo, em parte, mediato, e em parte imediato, que, uma vez sendo estabelecido, o homem não foi capaz de fazer o contrário do que pecar por necessidade de uma consequente e antecedente coisa em si, que inteiramente tira toda a liberdade, contudo, sem essa liberdade um homem não pode ser considerado, ou contado, como sendo culpado do cometimento de pecado.

6. A quinta razão. - Testemunhos da mesma descrição pode ser adicionada em que nossos teólogos afirmam, em palavras expressas que "o reprovado não pode escapar da necessidade de pecar, especialmente porque esse tipo de necessidade é injetada através da nomeação de Deus". (Institutas de Calvino Lib. 2, 23).

Tradução: Lailson Castanha
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. The Works Of Arminius.Vl.2
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/arminius.htm#2


quarta-feira, 16 de junho de 2010

SOBRE A PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Jacobus Arminius

502 21. SOBRE A PERSEVERANÇA DOS SANTOS

 1. Perguntas. - É possível aos verdadeiros crentes cairem totalmente e finalmente:

2. Alguns deles, na verdade, totalmente e finalmente caem da fé?

3. O parecer que nega "que os verdadeiros crentes e as pessoas regeneradas são capazes de caírem, ou realmente caem da fé, totalmente e finalmente," nunca foi, desde tempos dos apóstolos até os dias de hoje, considerado pela igreja como uma doutrina católica. Nem sempre o que afirma o contrário, teve sua opinião considerada como herética, de fato, aquele que afirma que é possível para os crentes se desvirem da fé, sempre teve mais defensores na igreja de Cristo, do que aquele que nega a possibilidade de sua real ocorrência.

Tradução: Lailson Castanha
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. The Works Of Arminius.
Gravura: Jacobus Arminius

terça-feira, 15 de junho de 2010

SOBRE A PREDESTINAÇÃO PARA A SALVAÇÃO, E SOBRE A CONDENAÇÃO CONSIDERADA NO GRAU MAIS ELEVADO

Jacobus Arminius

5. SOBRE A PREDESTINAÇÃO PARA A SALVAÇÃO, E SOBRE A CONDENAÇÃO CONSIDERADA NO GRAU MAIS ELEVADO

1. O primeiro na ordem dos decretos divinos não é o da predestinação, pelo qual Deus preordenou para fins sobrenaturais, e por que ele resolveu salvar e condenar, declarar sua misericórdia e sua justiça punitiva, e ilustrar a glória da sua graça salvadora, e da sua sabedoria e poder que correspondem a essa graça gratuita.

2. O objeto da predestinação para fins sobrenaturais, para a salvação e morte, para a demonstração da misericórdia e da justiça punitiva, ou da graça salvadora, a sabedoria e o poder mais livre de Deus, não é criaturas racionais indefinidamente conhecidas de antemão , capazes de salvação, de perdição, da criação, da queda, e de reparação ou de serem recuperadas.

3. Também não é o sujeito, algumas criaturas particulares entre aquelas que são considerados deste modo.

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4. A diferença entre os vasos para a honra e os para desonra, isto é, de misericórdia e ira, não tem referência a adorno ou a perfeição do universo ou da casa de Deus.

5. A entrada do pecado no mundo não tem referência à beleza do universo.

6. A criação, no estado reto da justiça original não é um meio para a execução do decreto de predestinação, ou de eleição, ou de reprovação.

7. É horrível para afirmar que "o meio da reprovação é a criação, no estado reto da justiça original"; (Gomarus, em suas teses sobre a Predestinação;) e nesta afirmação são propostas duas volições contrárias de Deus a respeito de uma e mesma coisa.

8. É uma afirmação horrível, que "Deus predestinou qualquer homem, Ele se agradou não somente com a condenação, mas igualmente com às causas da condenação." (Beza, vol. I, fol. 417.)

9. É uma afirmação horrível, que "os homens são predestinados à morte eterna, pela vontade revelada ou a escolha de Deus, sem qualquer demérito da parte deles." (Calvin, Inst. L. I, c. 2, 3).

10. Esta, também, é uma afirmação horrível: "Alguns homens foram criados para a vida eterna, e outros para a morte eterna."

11. Não é uma expressão feliz, que "a preparação para a destruição não é para ser referida a qualquer outra coisa, que o conselho secreto de Deus".

12. A permissão para a queda [de Adão] no pecado, não é o meio de execução do decreto da predestinação, ou da eleição, ou da reprovação.

13. É uma afirmação absurda, que "os deméritos dos réprobos são os meios subordinados de levá-los diante à destinada destruição."

14. É uma afirmação falsa, de que "a causa eficiente e suficiente, e material da predestinação, são deste modo, encontradas naqueles que são reprovados."

15. Os eleitos não são chamados "vasos de misericórdia" na relação de meio e fim, mas porque a graça é única causa movente, através da qual é feito o próprio decreto da predestinação para a salvação.

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16. Nenhuma pequena injúria é infligida a Cristo como mediador, quando ele é chamado de "a causa subordinada da salvação destinada".

17. A predestinação dos anjos e dos homens diferem muito umas das outras, que nenhuma propriedade de Deus pode ser prefixado em ambos, a menos que sejam aceitos numa ambígua acepção.

Obs: Em uma das teses de que Arminius rejeita (14) , o teólogo se apropria de termos aristotélicos como causa eficiente e material, conceitos mais especificamente ligados as causas envolvidas na constituição das coisas. Em sua Metafisica Aristóteles enumera quatro causas, a saber:

Causa material — do que é feito a coisa.
Causa formal — o que determina forma das coisas.
Causa eficiente — o que faz a coisa.
Causa final — a finalidade de quem cria.

Tradução: Lailson Castanha
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius Vl 2

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Entendimento arminiano-wesleyano de santidade na vida cristã.

Ruthie Córdova

"Entendimento arminiano-wesleyano de santidade na vida cristã "

Reação a um artigo do MRE. Jerald E. Rice

Quando nos referimos à nossa herança teológica Wesleyana-arminiana parece que dessa herança, só conhecemos o aspecto Wesleyano e muito pouco ou quase nada dos aspectos arminianos. A verdade é que Jacobus Arminius contribuiu de maneira valiosa ao pensamento teológico que agora manejamos. Seu papel foi fundamental na história da a Igreja e especialmente na Holanda.

Como teólogo, Jacobus Arminius expôs claramente a intenção de Deus em relação a uma salvação gratuita do homem através de Jesus Cristo e de sua responsabilidade em aceitar ou rejeitar esta graça; frente a uma fortemente propagada e condenada educação da predestinação. Esta declaração levou outras implicações para a compreensão da relação dinâmica entre o homem e Deus, a ação da graça divina no mundo, o crescimento espiritual da pessoa e a resposta humana a essas ações do amor de Deus. Estes foram os fundamentos para o desenvolvimento de doutrinas que fizeram diferença na vida dos crentes e deram um impulso à empresa evangelística de Wesley, um século depois. As correções propostas por James Arminius ao ensino calvinista são as marcas de sua teologia e estas foram apresentadas de forma clara, breve e concisa na proposta de Rice. No entanto, não se discutiu as diferenças entre os conceitos de Arminio de perfeição e santificação com os de Wesley como diz o autor: “Eu acho que Arminius não se refere a santificação.”

Quanto ao ensino da perfeição, ainda que Arminio não tivesse amplamente desenvolvido, discutido ou negado, ele contemplava a idéia de que o crente poderia ser perfeito nesta vida com a ajuda da graça divina e de nenhuma maneira, sem ela. Este assunto da perfeição, tem sido uma preocupação crescente nas mentes dos pensadores ao longo dos anos, mas nem sempre significando a mesma coisa. Conforme o historiador Paul Bassett: "A história da idéia de perfeição cristã e da história da doutrina da inteira santificação não não são as mesmas ... As duas caminham juntas, mas nem sempre estiveram ligadas "(Bassett 1994: 18).

Os seguidores de Arminius, Limborch e Episcopus unindo, mais tarde, outros aspectos de suas ideias, enfatizando que a perfeição é possível pela graça divina, mas com a participação do esforço humano na exclusão de hábito do pecado, corrigindo falhas para resistir à tentação, e a intenção de crescer na vida espiritual cada vez mais. Mas, tanto em Arminius como nos seus sucessores, a graça Deus era a única e vital que ajudava os seres humanos a amar como é requerido, e que isso não algo impossível ou difícil de realizar sobre esta terra, porque Deus exige apenas o que pode ser executado. Não temos nenhum registro de que Arminius discutira ou escrevera sobre a experiência da santificação, como ensinada por John Wesley. Sua contribuição valiosa para nossa tradição teológica está relacionado principalmente à livre graça e aos outros aspectos discutidos, e a sua posição contra o ensino calvinista. A Teologia Arminiana, enriquecida pelas contribuições dos sucessores de James Arminius passou ao longo dos anos e influenciou o pensamento de grupos religiosos, incluindo o Anglicanismo na Inglaterra, através de seus Trinta e Nove Artigos de Fé.

No entanto, independentemente da teologia anglicana, John Wesley bebeu em outras fontes devocionais que contribuíram para o discernimento dos conceitos teológicos que mais tarde seriam desenvolvidos em doutrinas importantes dentro de seu sistema teológico. John Wesley como Armínius afirmava que a salvação é alcançada pela graça divina e pela fé somente, e era para todos, mas a não salvação de todos, envolve liberdade e responsabilidade humana, assim, ele rejeitou a doutrina calvinista da predestinação pessoal. Wesley acreditava também, que havia crescimento em graça na vida do crente, mas havia uma possibilidade da perda da salvação ou de uma queda da graça se houvesse negligência, e que a perfeição cristã era a plenitude do amor de Deus no coração e todo o seu ser, para amá-Lo e fazer a Sua vontade completamente. Além disso, Wesley ensinou sobre a graça preveniente (que é bem explicado em artigo), a natureza da Santíssima Trindade, a natureza da Igreja e dos sacramentos, os aspectos escatológicos e obter a certeza da salvação através do testemunho do Espírito Santo.

Quanto à perfeição cristã, Wesley pareceu concordar com Arminius quando ele disse também que a perfeição só é possível pela graça de Deus (E disse) que é recebido através dos meios de graça. Wesley desenvolveu mais a doutrina explicando como se alcança essa experiência, afirmando que é possível adquiri-la nesta vida, observando a necessidade de se entregar completamente a Deus, explicando o que acontece no crente, localizando em seu sistema soteriológico chamando de maneiras diferentes, definindo-a do ponto de vista relacional, e diferenciando dos outros trabalhos internos de graça, etc. Esta doutrina é conhecida como inteira santificação. Assim, Wesley definiu um tipo de perfil do crente perfeito:

"Aquele que tem a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16)
quem anda como Cristo andou (1 João 2:6)
mãos limpas e coração puro (Salmo 24:4)
aquele que é limpo de toda a imundícia da carne e do espírito (2 Coríntios
07:01)
aquele em quem não há ocasião de tropeço, e que, por conseguinte, não comete
pecado
aquele em quem a Palavra de Deus é cumprida (Ezequiel 36:25, 29),
aquele que Deus santificou em todas as coisas (1 Tessalonicenses 5:23)
quem anda na luz (1 João 1:7)
aquele que testemunha ao mundo que Cristo vive nele (Gl 2:20)
aquele que é santo, como Deus que vos chamou, é santo, tanto no coração
como em uma conversão (1 Pedro 1:15)
Quem ama o Senhor teu Deus com todo seu coração e serve-o com todas as
forças
Aquele que ama seu próximo como a si mesmo ... e principalmente a aqueles que
o desprezam e o perseguem
... Aquele que mostra misericórdia, benignidade, humildade, mansidão,
tolerância (Colossenses 3:12)
aquele cuja vida é cheia de fé, paciência, esperança e de obras de amor.
E tudo quanto faz, por palavras ou por obras, faz tudo em nome
no amor e no poder do Senhor Jesus
aquele que faz a vontade de Deus,
aquele que tem um coração ardente de amor de Deus, um coração que
continuamente oferece todo pensamento, palavra e ação como um sacrifício
espiritual e agradável a Deus em Cristo "(Wesley, 1979: 30-31).

A contribuição de John Wesley para a nossa herança teológica é precisamente a sua noção de perfeição cristã e inteira santificação. Um cristão perfeito é aquele que "ama a Deus plenamente com o coração, mente e alma" (Deuteronômio 06:05) Santificado "renovado à imagem de Deus" em verdadeira justiça e santidade da verdade " (Efésios 4:24) (Wesley 1979: 32). Ou seja, o crente perfeito é aqueles que "é chamado para algum tipo de perfeição do espírito, atitude ou motivo, ou mesmo ação nesta vida, que ... depende ... da obra do Espírito Santo ... que é ideal e a semelhança de Cristo ... que se expressa em termos de amor perfeito "(Bassett, 1994: 19). O inteiramente santificado reconhece que em sua vida “há um momento em que verdadeiramente ama a Deus e ao próximo ... marca o início de um relacionamento qualitativamente diferente com Deus e ao próximo ... é perfeccionado... é também um princípio de perfeccionamento em amor ... que depende sempre, e em todas as formas, da graça de Deus em Cristo que é a purificação do pecado, é um aspecto integral do presente tempo e do processo que se segue "(Bassett, 1994: 19-20).

E, claro, tal como discutido no artigo de Rice, Wesley deu a perfeição cristã uma dimensão presente e futura, que é conhecido como o otimismo radical, onde o crente ou a comunidade de todos os crentes perfeitos ou inteiramente santificados, influencie e impacte outras pessoas, em suas estruturas de sociais, nos centros trabalhistas, nos sistemas da vida e tudo o que lhe diz respeito, procurando a transformação e bem-estar comum e ainda mais, contribuindo para os propósitos divinos da restauração de todas as coisas e do mundo.

Tanto Jacobus Arminius como John Wesley, descobriram a verdade bíblica de que a vida perfeita é uma vida de graça. Para que o ser humano se relacione com Deus de graça, tem de se fazer um filho da graça, ser transformada em graça, viver e morrer nessa graça que continua até a eternidade.

Bibliografia

Bangs, Clark. 1978. "Arminianismo", Mana Ministerial, maio e junho.
Ruthie Cordova
Bassett, Paulo e William Greathouse. Explorando a santidade cristã. Kansas City:
Nazarene Publishing House, Volume 2, 1994.
Deal, William S. A Marcha da santidade através do século: Uma Breve História do
Doutrina de Santidade. Kansas City: Imprensa Beacon Hill, 1978.
Wesley, John. Perfeição cristã. Kansas City: Casa Nazarena de Publicações,
1979.
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Dra. Ruthie Irene Córdova é uma missionária mundial com a Igreja do Nazareno em Costa Rica. Ela é peruana. Sua salvação e serviço são o resultado do trabalho missionário da Igreja do Nazareno, no Peru.
Serve como um professora em tempo integral e pessoa de relações públicas no Seminário Nazareno de las Américas (SENDAS), Seminário Nazareno das Américas, em San Jose, Costa Rica (América Central). Ela ensina a Bíblia, Teologia, Pastoral e cursos de Educação Cristã para estudantes de diferentes países da América Latina em todos os níveis (curso de estudo, BA, MA) de programas de Educação Teológica (residência e descentralizada).
Recebeu o bacharelado em Relações Públicas do Instituto de Relações Públicas em Chiclayo, Peru, bacharelado em Teologia pelo Seminário Nazareno das Américas, em San Jose, Costa Rica, o Mestre em Divindade, Mestre de Educação Religiosa e Doutora em Ministério pelo Seminário Teológico Nazareno em Kansas City. Foi ordenada presbítera no distrito de Kansas City.
Antes da sua nomeação, Ruth serviu como pastora associado na educação, eprimeiramente na Igreja do Nazareno espanhola em Chicago, Illinois, onde é membra. Ela também trabalhou como assistente editorial espanhol para publicações internacionais da Nazareno, sede em Kansas City. Serviu como pastora de crianças no Boulevard Rainbow Igreja do Nazareno em Kansas. Antes da sua atual missão, ela serviu como missionária na educação teológica no Seminário Teológico Nazareno na Guatemala.
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Tradução e adaptação: Lailson Castanha
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domingo, 11 de abril de 2010

Soteriologia: simples interpretação ou interpretação complexa?

Entres os dois maiores ramos teológicos do protestantismo, há uma grande tensão, principalmente, em torno das interpretações soteriológicas. Os calvinistas, vanguardistas da teologia protestante, procurando reafirmar a sua interpretação, re-interpretam alguns trechos bíblicos tirando deles a simplicidade expositiva. Deixam de interpretar o texto de maneira simples passando a interpretá-los de forma complexa, e, como tal, carente de acréscimos argumentativos.
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Crendo na eleição como uma escolha excludente, a saber, uns escolhidos intrinsecamente por Deus para a danação e outros para a salvação, sem nenhuma relação com os seus atos e escolhas, não admitem a simplicidade expositiva e informativa de textos que indicam que a obra propiciatória de Cristo na Cruz teve como finalidade remir os pecados da humanidade, por entenderem que, se Deus intrinsecamente já criou alguns para a danação, não poderia intentar remir os pecados daqueles que já foram feitos para a ignomínia.
O problema é que, em sua simplicidade verbal, já trazendo em seu bojo uma transmissão completa de uma ideia, alguns desses textos bíblicos não admitem rearranjos de conjecturas interpretativas. Para corroborar nossa tese, usaremos como exemplo a seguinte assertiva de João:

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.(1Jo 2.2).

Quando lemos essa afirmação, percebemos:

1. Que o texto é direcionado para um grupo de pessoas. Isso fica claro no uso do termo simples “nossos”.
2. Que a extensão da informação do texto não se refere apenas ao grupo que recebe a informação. A afirmação “e não somente pelos nossos” evidencia esse fato.
3. Em relação as pessoas que recebem a informação, fica claro que elas são pecadoras. Tanto que João fala ”nossos pecados”, se referindo ao grupo na qual se coloca como membro.
4. Esse grupo de pessoas são alvos de uma ação benévola de alguém (Cristo). “E ele é a propiciação pelos nossos pecados”.
5. Que o texto fala de um outro grupo. Isso fica fica claro no uso do termo composto “todo o mundo”.
6. Em relação a esse grupo, fica claro que também são pecadores. “ não somente pelos nossos [pecados], mas também pelos de todo o mundo.”
7. Esse grupo também é alvo da ação benévola de Cristo. Ele é a propiciação(...)também pelos [pecados]de todo o mundo.

Em relação ao texto joanino, nossa análise se propôs a esclarecer que a informação de João é simples e clara e nela não há nada de velado que necessite, para o seu desvelamento, de uma exegese sintética. Um texto simples pede uma exegese simples.

Usando a mesma proposta argumentativa, vamos a outro texto:

Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.(1Tm 4.10)

No texto de Paulo direcionado a Timóteo, vemos também a proposta de Cristo em salvar a todos. Na afirmação do apóstolo, percebemos algumas ideias, a saber:

1. Que existe a possibilidade de salvação a todos os homens
2. Que existe relação de condicionalidade para o alcance da salvação: “[Salvador]principalmente dos fiéis”
3.Que o texto distingue algumas pessoas de um todo. Entre todos os homens, os fiéis são destacados.
4. As pessoas destacadas tem uma maior prioridade em relação ao todo.
5. Essa prioridade não elimina a extensão da salvação, pois apesar do reforço, principalmente dos fiéis, continua a afirmação, “salvador de todos os homens”.
6. Que os fiéis estão contidos no grupo de “todos os homens”.
7. Que o destaque “principalmente dos fiéis” que estão contido no grupo dos homens, demostra uma diferenciação entre homens e homens.
8. Que nessa diferenciação está implícita uma certa condição para a eficácia da obra salvadora de Deus.
9. Se a salvação de Deus fosse excludente a priori, Paulo não relacionaria em sua assertiva a expressão "Salvador de todos os homens".
10. Se não existisse condicionalidade nas escolhas de Deus, não existiria o reforço “principalmente” dos fieis, pois, sendo dupla a eleição, a frase correta seria salvador apenas dos escolhidos. Fidelidade seria apenas a consequência de quem Deus desejou que o escolhesse, portanto não seria necessário o acréscimo, “principalmente dos fiéis”.

Portanto, embora os calvinistas insistam em rejeitar a ideia de que a obra redentora de Crista visa beneficiar a totalidade da raça humana, os textos simples, escritos para as pessoas de simples entendimento, não escrito de maneira rebuscada, escritos de maneira direta, sem a necessidade de ser interpretado fora da lógica simples da qual se valem, deixam claro a todos, que o amor de Deus realmente foi direcionado a todo o mundo, embora a salvação só seja definitivamente alcançada por aqueles que crerem no amor de Cristo e se submeterem aos seus preceitos, como diz as Escrituras, também de maneira simples, “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16.16)

Sobre as realidades descritas na Bíblia, devemos fazer nossas ponderações, através das informações transmitidas nas próprias Escrituras, direcionadas de forma simples, aos simples, levando-se em consideração a simplicidade de seu anúncio. Sobre elas e com isso em mente devemos refletir. Os comentários bíblicos não podem, de maneira alguma, invalidar, e nem deixar de levar em consideração, o poder que alguns textos tem de transmitir naturalmente suas ideias as pessoas comuns. Existem textos, que por sua clareza e explicitude, não carecem de nenhuma argumentação fora de sua estrutura linguística e comunicativa.

Observemos outro exemplo de simplicidade e objetividade comunicativa.

E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
(...)O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos
Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.
(Jo. 3.14-36).
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Fica-nos claro que, se a transmissão dessa mensagem for contaminada com conchavos hermenêuticos, com a perda de sua simplicidade comunicativa, perderá a sua finalidade, consequentemente fugindo da direção informativa proposta por seu autor.
Temos que ter cuidado em não extrair a qualidade do texto puro, qualidade de alcançar as mentes simples, pois, extraindo sua simplicidade através de argumentações não simples, diferentemente do que propõe a mensagem original, fatalmente nos desviaremos da finalidade do autor original, a saber, transmitir a ideia a qualquer pessoa através do contato direto com a mensagem pura, levando-as a dependência de interpretações complexas, fazendo-as, por conseguinte, fugirem da prática de analisar diretamente o texto sacro.

Lailson Castanha
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sobre a predestinação, considerada no estado primordial DO HOMEM


Jacobus Arminius

9. Sobre a predestinação, considerada no estado primordial DO HOMEM

1. Não é uma afirmação verdadeira, que "fora dos homens considerados naturalibus puris, (com ou sem coisas sobrenaturais), Deus determinou, por decreto da eleição, elevar à felicidade sobrenatural, alguns homens em particular, mas, deixar outros in nature (na natureza) ".

490 2. E é precipitado afirmar que "pertence à relação ou analogia do universo, que alguns homens sejam colocados à direita e outros à esquerda, assim como o método do mestre construtor exige que algumas pedras sejam colocadas à esquerda, e outras à direita, de uma casa que está para ser construída."

3. A permissão pela qual qual Deus permite a alguns homens de se desviarem e perderem o fim sobrenatural, é insensatamente tornada subordinada a esta predestinação, porque pertence à providência dirigir e conduzir uma criatura racional à felicidade sobrenatural de uma forma que é agradável à natureza daquela criatura.

4.Também sobre a permissão, da qual Deus permitiu que nossos primeiros pais caíssem em pecado, é precipitado dizer que se subordina a essa predestinação.

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sábado, 27 de março de 2010

SOBRE Deus considerado de acordo com sua natureza

Jacobus Arminius

2. SOBRE DEUS CONSIDERADO DE ACORDO COM SUA NATUREZA

1. Deus é bom por uma necessidade natural e interna, não voluntariamente; o qual a última palavra é estupidamente explicada pelos termos "sem constrangimento” e "não servilmente".
2. Deus conhece de antemão as coisas futuras através da infinidade de sua essência e, através da perfeição preeminente de sua compreensão e previsão, e não como ele quis ou determinou que devesse necessariamente ser feito, embora ele não previsse, exceto o que era futuro, e não seria futuro a menos que Deus houvesse decretado a execução ou a permissão.
3. Deus ama a justiça e as suas criaturas, contudo ama a justiça ainda mais do que as criaturas, das quais, resultam duas consequências:
4. A primeira, que Deus não odeia a sua criatura, exceto por causa do pecado.
5. A segunda, que Deus não ama absolutamente nenhuma criatura para a vida eterna, exceto quando considerada justa, seja pela justiça legal ou evangélica.
6. A vontade de Deus é correta e útil em distinguir o que é antecedente e que é conseqüente.
7. A distinção entre a vontade de Deus que está em segredo ou a sua boa vontade, e aquela que é revelada ou significada, não pode ser rigorosamente examinada.
8. justiça punitiva e misericórdia não são, nem podem ser "o único movimento" ou causas finais do primeiro decreto, ou de sua primeira operação.
9. Deus é bendito em si mesmo e no conhecimento de sua própria perfeição.
Ele é, portanto, de nada necessita, nem precisa de demonstração de nenhuma das suas propriedades por meio de operações externas: Mas se ele fizer isso, é evidente que ele faz de sua pura e livre vontade, embora, nesta declaração [de qualquer das suas propriedades] certa ordem deva ser observada
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de acordo com as várias egressas, ou "saídas" da sua bondade, e de acordo com a prescrição de sua sabedoria e justiça.
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. The works of Arminius. vl 2
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quarta-feira, 24 de março de 2010

SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS

Jacobus Arminius

1. SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS

1. A regra da verdade teológica não é dupla, uma principal e outra secundária, mas é uma e simples, as Sagradas Escrituras.

2. As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si, e é uma afirmação imprudente ", que são na verdade a regra, mas apenas quando compreendida de acordo com o significado da confissão das igrejas Holandesas, ou quando explicada pela interpretação do Catecismo de Heidelberg.

3. Nenhum escrito composto por homens - por um homem, por alguns homens, ou por muitos - (com exceção das Escrituras Sagradas,) é axiopison "honroso de si mesmo", ou autopison "de si mesmo implicitamente merecedor de credibilidade", e, portanto, não está isento de um exame a ser instituída por meio das Escrituras.

4. É uma afirmação irrefletida, "que a Confissão e o Catecismo são colocados em questão, quando são submetidos a um exame", pois eles nunca foram colocados para além do perigo de serem postos em dúvida, nem podem eles ser assim colocados.

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5. É tirania e papismo controlar a mente dos homens com os escritos humanos, e impedir que eles sejam submetidos a um exame legítimo, mesmo sob qualquer pretexto que a conduta tirânica for adotada.
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Fonte:The Works of Arminius Vol. 2

http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO

Myer Pearlman
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V. A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO
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Temos estudado as preparações para a salvação e considerado a natureza desta. Nesta seção consideramos: É a Salvação final dos cristãos incondicional, ou poderá perder-se por causa do pecado?
A experiência prova a possibilidade duma queda temporária da graça, conhecida por "desviar-se". O termo não se encontra no Novo Testamento, senão no Antigo Testamento. Uma palavra hebraica significa "voltar atrás" ou "virar-se"; outra palavra significa "volver-se" ou ser "rebelde". Israel é comparado a um bezerro teimoso que volta para trás e se recusa a ser conduzido, e torna-se insubmisso ao jugo. Israel afastou-se de Jeová e obstinadamente se recusou a tomar sobre si o jugo de seus mandamentos.
O Novo Testamento nos admoesta contra tal atitude, porém usa outros termos. O desviado é a pessoa que outrora tinha o zelo de Deus, mas agora se tomou fria (Mat. 24:12); outrora obedecia à Palavra, mas o mundanismo e o pecado impediram seu crescimento e frutificação (Mat. 13:22); outrora pôs a mão ao arado, mas olhou para trás (Luc. 9:62); como a esposa de Ló, que havia sido resgatada da cidade da destruição, mas seu coração voltou para ali (Luc. 17:32); outrora estava em contacto vital com Cristo, mas agora está fora de contacto, e está seco, estéril e inútil espiritualmente (João 15:6); outrora obedecia à voz da consciência, mas agora jogou para longe de si essa bússola que o guiava, e, como resultado, sua embarcação de fé destroçou-se nas rochas do pecado e do mundanismo (1 Tim. 1:19); outrora alegrava-se em chamar-se cristão, mas agora se envergonha de confessar a seu Senhor (2 Tim. 1:8 ;2:12); outrora estava liberto da contaminação do mundo, mas agora voltou como a "porca lavada ao espoja-douro de lama" (2 Ped. 2:22; vide Luc. 11:21-26).
É possível decair da graça; mas a questão é saber se a pessoa que era salva e teve esse lapso, pode finalmente perder-se. Aqueles que seguem o sistema de doutrina calvinista respondem negativamente; aqueles que seguem o sistema arminiano (chamado assim em razão de Armínio, teólogo holandês, que trouxe a questão a debate) respondem afirmativamente.

1. Calvinismo.
A doutrina de João Calvino não foi criada por ele; foi ensinada por santo Agostinho, o grande teólogo do quarto século. Nem tampouco foi criada por Agostinho, que afirmava estar interpretando a doutrina de Paulo sobre a livre graça.
A doutrina de Calvino é como segue: A salvação é inteiramente de Deus; o homem absolutamente nada tem a ver com sua salvação. Se ele, o homem, se arrepender, crer e for a Cristo, é inteiramente por causa do poder atrativo do Espírito de Deus. Isso se deve ao fato de que a vontade do homem se corrompeu tanto desde a queda, que, sem a ajuda de Deus, não pode nem se arrepender, nem crer, nem escolher corretamente. Esse foi o ponto de partida de Calvino — a completa servidão da vontade do homem ao mal. A salvação, por conseguinte, não pode ser outra coisa senão a execução dum decreto divino que fixa sua extensão e suas condições.
Naturalmente surge esta pergunta: Se a salvação é inteiramente obra de Deus, e o homem não tem nada a ver com ela, e está desamparado, amenos que o Espírito de Deus opere nele, então, por que Deus não salva a todos os homens, posto que todos estão perdidos e desamparados? A resposta de Calvino era: Deus predestinou alguns para serem salvos e outros para serem perdidos. "A predestinação é o eterno decreto de Deus, pelo qual ele decidiu o que será de cada um e de todos os indivíduos. Pois nem todos são criados na mesma condição; mas a vida eterna está preordenada para alguns, e a condenação eterna para outros." Ao agir dessa maneira Deus não é injusto, pois ele não é obrigado a salvar a ninguém; a responsabilidade do homem permanece, pois a queda de Adão foi sua própria falta, e o homem sempre é responsável por seus pecados.
Posto que Deus predestinou certos indivíduos para a salvação, Cristo morreu unicamente pelos "eleitos"; a expiação fracassaria se alguns pelos quais Cristo morreu se perdessem.
Dessa doutrina da predestinação segue-se o ensino de "uma vez salvo sempre salvo"; porque se Deus predestinou um homem para a salvação, e unicamente pode ser salvo e guardado pela graça de Deus, que é irresistível, então, nunca pode perder-se.
Os defensores da doutrina da "segurança eterna" apresentam as seguintes referências para sustentar sua posição: João 10:28,29: Rom. 11:29; Fil. 1:6; 1 Ped. 1:5; Rom. 8:35; João 17:6.

2. Arminianismo.
O ensino arminiano é como segue: A vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos. (1 Tim. 2:4-6; Heb. 2:9; 2 Cor. 5:14; Tito 2:11,12.) Com essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Embora a salvação seja obra de Deus, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.
As Escrituras certamente ensinam uma predestinação, mas não que Deus predestina alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina " a todos os que querem" a serem salvos — e esse plano é bastante amplo para incluir a todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade tem sido explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação lemos as palavras: "quem quiser pode vir"; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: "eleitos segundo a presciência de Deus". Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvos, e predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o fixou.
A doutrina da predestinação é mencionada, não com propósito especulativo, e, sim, com propósito prático. Quando Deus chamou Jeremias ao ministério, ele sabia que o profeta teria uma tarefa muito difícil e poderia ser tentado a deixá-la. Para encorajá-lo, o Senhor assegurou ao profeta que o havia conhecido e o havia chamado antes de nascer (Jer. 1:5). Com efeito, o Senhor disse: "Já sei o que está adiante de ti, mas também sei que posso te dar graça suficiente para enfrentares todas as provas futuras e conduzir-te à vitória." Quando o Novo Testamento descreve os cristãos como objetos da presciência de Deus, seu propósito é dar-nos certeza do fato de que Deus previu todas as dificuldades que surgirão à nossa frente, e que ele pode nos guardar e nos guardará de cair.

3. Uma comparação.
A salvação é condicional ou incondicional? Uma vez salva, a pessoa é salva eternamente? A resposta dependerá da maneira em que podemos responder às seguintes perguntas-chave: De quem depende a salvação? É irresistível a graça?
1) De quem depende, em última análise, a salvação: de Deus ou do homem? Certamente deve depender de Deus, porque, quem poderia ser salvo se a salvação dependesse da força da própria pessoa? Podemos estar seguros disto: Deus nos conduzirá à vitória, não importa quão débeis ou desatinados sejamos, uma vez que sinceramente desejamos fazer a sua vontade. Sua graça está sempre presente para nos admoestar, reprimir, animar e sustentar.
Contudo, não haverá um sentido em que a salvação dependa do homem? As Escrituras ensinam constantemente que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida e a morte, e Deus nunca violará esse poder.
2) Pode-se resistir à graça de Deus? Um dos princípios fundamentais do Calvinismo é que a graça de Deus e irresistível. Quando Deus decreta a salvação de uma pessoa, seu Espírito atrai, e essa atração não pode ser resistida. Portanto, um verdadeiro filho de Deus certamente perseverará até ao fim e será salvo; ainda que caia em pecado, Deus o castigará e pelejará com ele. Ilustrando a teoria calvinista diríamos: é como se alguém estivesse a bordo dum navio, e levasse um tombo; contudo está a bordo ainda; não caiu ao mar.
Mas o Novo Testamento ensina, sim, que é possível resistir à graça divina e resistir para a perdição eterna (João 6:40; Heb. 6:46; 10:26-30; 2 Ped. 2:21; Heb. 2:3; 2 Ped. 1:10), e que a perseverança é condicional dependendo de manter-se em contacto com Deus.
Note-se especialmente Heb. 6:4-6 e 10:26-29. Essas palavras foram dirigidas a cristãos; as epístolas de Paulo não foram dirigidas aos não-regenerados. Aqueles aos quais foram dirigidas são descritos como havendo sido uma vez iluminados, havendo provado o dom celestial, participantes do Espírito Santo, havendo provado a boa Palavra de Deus e as virtudes do século futuro. Essas palavras certamente descrevem pessoas regeneradas.
Aqueles aos quais foram dirigidas essas palavras eram critãos hebreus, que, desanimados e perseguidos (10:32-39), estavam tentados a voltar ao Judaísmo. Antes de serem novamente recebidos na sinagoga, requeria-se deles que, publicamente, fizessem as seguintes declarações (10:29): que Jesus não era o Filho de Deus; que seu sangue havia sido derramado justamente como o dum malfeitor comum; e que seus milagres foram operados pelo poder do maligno. Tudo isso está implícito em Heb. 10:29. (Que tal repúdio da fé podia haver sido exigido, é ilustrado pelo caso dum cristão hebreu na Alemanha, que desejava voltar à sinagoga, mas foi recusado porque desejava conservar algumas verdades do Novo Testamento.) Antes de sua conversão havia pertencido à nação que crucificou a Cristo; voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de Deus e expô-lo ao vitupério; seria o terrível pecado da apostasia (Heb. 6:6); seria como o pecado imperdoável para o qual não há remissão, porque a pessoa que está endurecida a ponto de cometê-lo não pode ser "renovada para arrependimento"; seria digna dum castigo mais terrível do que a morte (10:28); e significaria incorrer na vingança do Deus vivo (10:30, 31).
Não se declara que alguém houvesse ido até esse ponto; de fato , o autor está persuadido de "coisas melhores" (6:9). Contudo, se o terrível pecado da apostasia da parte de pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas essas admoestações careceriam de qualquer fundamento.
Leia-se 1 Cor. 10:1-12. Os coríntios se haviam jactado de sua liberdade cristã e da possessão dos dons espirituais. Entretanto, muitos estavam vivendo num nível muito pobre de espiritualidade. Evidentemente eles estavam confiando em sua "posição" e privilégios no Evangelho. Mas Paulo os adverte de que os privilégios podem perder-se pelo pecado, e cita os exemplos dos israelitas. Estes foram libertados duma maneira sobrenatural da terra do Egito, por intermédio de Moisés, e, como resultado, o aceitaram como seu chefe durante a jornada para a Terra da Promissão. A passagem pelo Mar Vermelho foi um sinal de sua dedicação à direção de Moisés. Cobrindo-os estava a nuvem, o símbolo sobrenatural da presença de Deus que os guiava. Depois de salvá-los do Egito, Deus os sustentou, dando-lhes, de maneira sobrenatural, o que comer e beber. Tudo isso significava que os israelitas estavam em graça, isto é: no favor e na comunhão com Deus.
Mas "uma vez em graça sempre em graça" não foi verdade no caso dos israelitas, pois a rota de sua jornada ficou assinalada com as sepulturas dos que foram destruídos em conseqüência de suas murmurações, rebelião e idolatria. O pecado interrompeu sua comunhão com Deus, e, como resultado, caíram da graça. Paulo declara que esses eventos foram registrados na Bíblia para advertir os cristãos quanto à possibilidade de perder os mais sublimes privilégios por meio do pecado deliberado.

4. Equilíbrio escriturístico.
As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo como do Arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O Calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação — e assim o faz a Bíblia; o Arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem — e assim o faz a Bíblia. A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são colocadas em posição antagônica, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada à soberania e à graça de Deus na salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do homem, como reação contra o Calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo.
Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade onde a graça de Deus havia recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido fortemente defendidas, ele acentuava a graça de Deus. Quando deixamos os mistérios da predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com o assunto. João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos conduziram milhares de almas a Cristo.
Pregadores piedosos calvinistas, do tipo de Carlos Spurgeon e Carlos Finney, têm pregado a perseverança dos santos de tal modo a evitar a negligência. Eles tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de Deus certamente perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em dúvida o fato do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na santidade, dizia Calvino, bem faria em duvidar de sua eleição.
É inevitável defrontarmo-nos com mistérios quando nos propomos tratar as poderosas verdades da presciência de Deus e a livre vontade do homem; mas se guardamos as exortações práticas das Escrituras, e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que se nos ordenam, não erraremos. "As coisas encobertas são para o Senhor Deus, porém as reveladas são para nós" (Deut. 29:29).
Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente dos perigos da vida cristã. Maior ênfase deve ser dada aos meios de segurança — o poder de Cristo como Salvador; a fidelidade do Espírito Santo que habita em nós, a certeza das divinas promessas, e a eficácia infalível da oração. O Novo Testamento ensina uma verdadeira "segurança eterna", assegurando-nos que, a despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou dificuldades exteriores, o cristão pode estar seguro e ser vencedor em Cristo. Ele pode dizer com o apóstolo Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom. 8:35-39).
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PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da bíblia; Tradução Lawrence Olson. São Paulo: Editora Vida, 2006.
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domingo, 21 de março de 2010

Entre a razão e a loucura.

Passaram-se séculos e séculos, e na mesma movimentação gerações e gerações também passaram. Nesta passagem história muitíssimas ideias foram engendradas e admitidas, como também, posteriormente rejeitadas.
Na era clássica, considerada o apogeu da razão, em terras gregas, nasce a filosofia. As primeiras movimentações racionais, tidas como articulações do pensamento lógico foram registradas naquele lugar e momento histórico. Na ambiência grega, no período clássico, foram registrados os problemas que os homens começavam a levantar, problemas esses frutos de mentes reflexivas, que pediam soluções racionais. Por soluções racionais, podemos entender como: soluções buscadas a partir de ponderações da mente humana, distanciando-se de respostas místicas reducionistas, ou presas nos costumes e nas tradições.
Os primeiros filósofos como Tales, Anaxímenes e Anaximandro de Mileto, bem como Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eléia buscavam entender a origem das coisas, em palavras comuns, como surgiu o mundo, do que ele foi formado e qual a sua substância fundamental. Questões do Ser e do Devir foram também tratadas, respectivamente por Parmênides e Heráclito, que também aborda a noção de Lógos. Em Sócrates, e posteriormente, com Platão e Aristóteles outras questões foram levantadas, como: política, ética, conhecimento, fundamento da realidade, constituição, características e atributos humanos, arte, essência, contingência, além do início das coisas, entre outras. Os três grandes filósofos citados influenciaram as gerações posteriores, e tiveram os seus pensamentos como pressupostos para os sistemas de ideias que se formariam, tanto que os grandes pensadores do período helênico como os grandes filósofos religiosos medievais tiveram como base para suas filosofias, Sócrates Platão e Aristóteles. Os pré-socráticos Parmênides e Heráclito, também exerceram muita influências na mente dos filósofos posteriores
Fora da Grécia, até mesmo antes de sua da era clássica, também foram registradas muitas agitações do pensamento humano resultando na criação de muitas questões. Por exemplo, as Escrituras Judaicas, narram as indagações do Eclesiastes, atribuída a Salomão, sobre questões da existência como: temporalidade/finitude, o problema da vaidade, injustiça, sabedoria e ignorância entre outras. Nas mesmas escrituras, o problema do mal e da aparente ausência da justiça, são problematizadas no livro do profeta Habacuque. Vemos questões semelhantes nos Salmos, no livro de Jó, e em outros profetas bíblicos.
Voltando a historia Ocidental, a existência, atributos e ação de Deus, passam a ser exaustivamente cogitadas. Na Idade Média, desde o seu início no século IV, com Santo Agostinho, Deus passa a ser problematizado. Os filósofos cristãos, já tendo como pressuposto, a ideia de Deus como regente do universo, herdada da precedente tradição patrística dos primeiros anos da era Cristã, passaram a conjecturar a ideia de Deus, atribuindo-lhes características, estudando atributos tidos como seus e explicando supostas determinações, motivações e decretos divinos, além de tentar explicar o seu ser. A partir deste momento histórico, a filosofia passa a trabalhar ao lado da teologia tendo entre seus maiores articuladores filósofos religiosos, como, o já citado Santo Agostinho (cristão), Santo Anselmo (cristão), Abelardo (cristão),
Averróis (muçulmano), Avicena (muçulmano), Maimônides (judeu), São Tomás de Aquino (cristão). Esses filósofos, além de tratar questões metafísicas, trataram também de questões existenciais, mesmo que pautando suas ideias em realidades ontológicas. Entre essas abordagens, talvez a mais importante seja a questão da liberdade. Afinal, existe livre-arbítrio humano, ou Deus, absolutamente determina tudo?
Num outro momento, na Renascença,(XIII – XVII), talvez mais firmemente no século XV, o homem procurou reavivar a atitude racional, ou seja, a atitude do livre pensar. Esse ato foi uma reação contra o pensamento medieval, preso em pressupostos dogmáticos, que por tal característica, impediam o homem de pensar livremente. Essa tomada de posição favoreceu a empresa científica – que passou a engendrar e alcançar grandes inventos e descobertas. Talvez, Pico della Mirandola (1463-1494), foi o grande impulsionador desse novo momento, quando publicou o seu Discurso sobre a Dignidade do Homem. A renascença patenteou-se como a era da razão e do humanismo.
A era da razão, teve como grande representante o filósofo francês René Descartes (1596—1650). Com o sua cérebre afirmação Cogito Ergo Sun, apresentou a razão, como primazia do saber. O inglês Francis Bacon (1561—1626), por propor a reforma do conhecimento e com isso inaugurando um novo modelo epistemológico, que deu origem a ciência moderna, também foi um nome de grande importância. O advento da Reforma iniciada no século XVI com a tese defendida por Lutero de que o homem podia, por si só, interpretar as Escrituras, sem o auxílio dos bispos da igreja, revigorou ainda mais o sentimento de liberdade e valor humano mesmo não intentando tal fim.
Na esteira humanista figuras como Erasmo de Rotterdã (1446-1536), Luis de Molina (1535-1600) se destacam. Entre suas teses estavam a da liberdade humana, mesmo diante da grandeza de Deus. Em outras palavras, o humanismo defendido por esses filósofos assentava-se na ideia de que a soberania de Deus não eliminava a liberdade do Homem.
Apesar da época, e de seus contornos humanistas, o dogmatismo não deixa de mostrar sua força. O próprio Lutero, outrora defensor da livre interpretação bíblica, lança ataques odiosos contra Erasmo por conta de sua posição favorável a ideia do livre arbítrio. O ranço teológico se acentuou ainda mais, com as pressuposições teológicas de Calvino (1509-1564), principalmente em sua noção de predestinação e eleição. Para ele, Deus absolutamente predestina o homem para salvação ou para danação, sem nenhuma relação com suas ações. Para o homem, ser caído, vítima do pecado original, não restava nada, a não ser se submeter à eleição ou reprovação incondicional de Deus. O pensamento calvinista, a despeito da ambiência renascentista, começa a se tornar intolerante. O teólogo holandês Jacobus Armínius (1560-1609), foi uma das figuras mais atacada pela intolerância calvinista. Defendendo a condicionalidade nos juízos de Deus, a saber, salvação para os que escolhem o seu filho, e danação para os que o rejeitam, foi duramente perseguido por partidários do calvinismo, tendo que, em boa parte de sua vida manifestar seus sentimentos a respeito de questões controversas. Em um dos seus escritos, numa atitude defensiva, procura mostrar que seus sentimentos, além de estar em harmonia com as Escrituras, são corroborados pelos escritos de várias autoridades eclesiásticas, entre elas, alguns pais da igreja, incluindo Santo Agostinho (354-430) em alguns pontos, e São Tomás de Aquino (1225-1274).

Não foi só o pensamento calvinista que se tornou um peso para os filósofos e teólogos de tradição liberal renascentista. Outros ramos religiosos também perseguiram os livres pensadores, dentre eles, o catolicismo com sua inquisição, o judaísmo e o islamismo. A indisposição judaica em admitir livres pensadores tratou o filósofo Baruch de Spinoza (1596-1650) com muita hostilidade. Dantes, tendo sua família perseguida pela inquisição católica, por conta de suas raízes judaicas, fora posteriormente, duramente perseguido e rejeitado pelos judeus, pelo fato de divergir com o conceito de Deus defendido pala tradição judaica, apresentando um Deus ligado a todas as coisas.
Mais tarde um clérigo britânico, adepto do anglicanismo John Wesley (1703-1791), luta por reformas sociais na recém industrializada Inglaterra, que incluiu, entre suas propostas a reforma trabalhista, reforma carcerária, reforma educacional e a abolição da escravatura. Além de se engajar pelas reformas sociais, assumiu a até então vilipendiada teologia arminiana, tendo escrito um texto em defesa do arminianismo e contra a intolerância antiarmiana. Wesley foi o primeiro clérigo a assumir a teologia arminiana. Ademais, foi de sua inspiração que nasceu a Igreja Metodista, pois Wesley, apesar de anglicano procurou viver uma espiritualidade mais intensa, e na vivência dessa espiritualidade incitou um grande avivamento na Inglaterra que inflamou os cristão a se preocuparem com a pessoas ostracizadas da sociedade, pessoas que o meio religioso em que vivia não se importava ou simplesmente ignorava. A Igreja Metodista nasceu como fruto de seu engajamento em prol de uma nova espiritualidade.

No devenir histórico o homem procura o esclarecimento, busca arduamente as luzes da razão. Esse é o espírito do iluminismo (vigoroso no século XVIII), que na ideia de Kant, inauguraria um novo momento na humanidade, em que o homem sairia da menoridade para a maioridade, rejeitaria o hábito de simplesmente acatar ideias alheias, para pensar de maneira autônoma.
Com John Locke (1632-1704), e seu principio liberal, e Dave Hume (1711-1776) e seu empirismo cético, as sociedades pouco a pouco foram se desvencilhando do predomínio do pensamento dogmático, passando a exercer a sua liberdade de pensamento. A assertiva de George Berkeley (1685-1753) de que se o que conhece nada mais é que um feixe de sensações, e que a totalidade do real apenas é percebida por Deus, abriu espaço para que o homem se afastasse das ideias dogmaticamente formatadas – já que, do que se observa, nada se sabe fundamentalmente.
Com a bandeira da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, as barreiras da intolerância, se não foram totalmente suprimidas, foram diminuídas. Nomes como: John Locke (1632-1704) defensor do estado liberal, Voltaire (1694-1778), defensor da liberdade das ideias e crítico da mesquinhez religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que incitou o homem a buscar a liberdade no Estado; Montesquieu (1689-1755), que formulou a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; e Immanuel Kant(1724-1804) que defendeu a necessidade de o homem buscar o esclarecimento, a fim de passar da menoridade para a maioridade, para ser capaz de fazer uso de seus próprios juízos; foram os grandes filósofos do iluminismo.
Se as preocupações dos homens foram se alterando, novos problemas também foram surgindo. Na contemporaneidade, problemas como trabalho, alienação do homem, liberdade, existência, crise civilizatória e pessoa humana; angústia, absurdidade e falta de sentido da vida, ganham contornos expressivos. Søren Kierkegaard (1813 – 1855) rejeitando a estática filosofia hegeliana do Espírito Universal, levanta o problema da existência – com isso a vida passa a ser interpretada como algo dinâmico, e não como ideias determinadas, como partes componentes de um espírito universal absoluto. Também acusou a igreja visível de estar esvaziada de Deus. Depois do filósofo dinamarquês, a questão da existência e do problema do homem enquanto ser existente, esteve envolvida em quase todos os grandes debates filosóficos. A chamada de atenção aos problemas existenciais foi tão forte, que chegou a invadir outros espaços da produção intelectual. A literatura reproduziu o tema, que invadiu também as dependências da religião. Se Kierkegaard levantou o problema da existência, e da angústia do homem envolvido num mundo que não compreende, o alemão Karl Marx (1818 —1883) outro grande e influente pensador, ainda no âmbito da existência, tratou a questão das necessidades materiais do homem existente. Em torno do problema das preocupações existenciais e suas contingências, filósofo, literatos e religiosos foram problematizando e desenvolvendo várias questões, sempre tendo no homem a sua preocupação central. Problemas como o desespero humano, angústia, ansiedade, alienação do homem diante da natureza e do trabalho, despersonalização do homem civilizado, entre outros, foram exaustivamente discutidas em vários círculos intelectuais. Filósofos, teólogos e literatos como: Dostoiévski (1821-1881), Nietzsche (1844-1900), Franz Kafka (1883-1924), Paul Tillich (1886-1965, Gabriel Marcel (1889-1973), Graciliano Ramos (1892-1953), Reinhold Niebuhr (1892–1971), André Malraux (1901-1976), Emmanuel Mounier (1905-1950), J-P.Sartre (1905-1980), Albert Camus (1913-1960), abordaram esses temas com pertinácia e inquietude. Com Tillich a teologia entra nas questões da existência buscando também dialogar com a cultura com o fim de promover uma comunicação da teologia com a sociedade. Advogava que a teologia não pode estar fechada em si mesma, ela deve interagir com a existência e suas demais formas a fim de conhecer os problemas que se apresentam Com ele, as tradições eclesiásticas são tratadas como símbolicas. Tratando questões do transcendente, mas presas em nossa finitude, os ritos e os termos religiosos com a carga expressiva que carregam, são colocados na categoria de símbolo. Defende que Deus não está preso em normas e padrões eclesiásticos, e age inclusive, em variadas manifestações culturais. Mounier por sua vez, reclama da religião desencarnada, e procura instaurar uma civilização personalista e comunitária, onde a pessoa tenha espaço para atualizar a sua vocação, deixando de ser tratada como uma mera coisa. Em relação ao cristianismo, defendia que os valores deveriam ser encarnados, não apenas proferido, a semelhança do lógos que se fez carne, todo o cristão deveria encarnar a palavra que crê e não apenas parolar. Já Reinhold Niebuhr (1892–1971) tratando do problema da falta de controle ético, entendia que isto é um problema desencadeado pela quase que total secularização da sociedade, principiada pelo intenso avanço das ciência físicas e a falta de capacidade de os cristãos ajustar os interesses éticos e espirituais da humanidade em relação a ciência que avança .

Num simplório passeio pela historia do pensamento percebemos a pluralidade de conceitos e ideias que a razão engendrou e que ainda cria.
A história ainda não acabou e nos convida a participar desse intenso debate com o fim de conhecer a verdade, ou chegar o mas perto dela possível. Hoje vivemos um grande problema, não fazemos jus a nossa condição de seres racionais, estamos acomodados nas ofertas do entretenimento fácil e confortável. A televisão e demais mídias estão a nos iludir com informações rasteiras e superficiais. Estas informações, acomodam nosso espírito, enfraquecendo nossa disposição em procurar a verdade e o conhecimento.

Será que não temos mais motivo de encontrar o conhecimento? Será que o que conhecemos já nos basta?

Pelo contrário, muitas questões ainda não foram solucionadas. Problemas éticos, religiosos, filosóficos, teológicos, psicológicos, pedagógicos e sociológicos, só para citar alguns, ainda precisam ser tratados. Não chegamos a maioridade como previa Kant, ainda eufórico e excitado pelo iluminismo. Se não chegamos ainda a era do esclarecimento, devemos parar? Devemos nos resignar? De forma alguma. Como afirmou Jesus, “vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa”.
A mente humana deve ser usada para iluminar as nossas ações, para desvendar a natureza, para levantar problemas e solucionar os problemas que se levantam. Sem problemas levantados não existiriam as respostas a esses problemas. Muito do que já sabemos, são frutos de respostas a problemas levantados por mentes inquietas, mentes que levaram a sério sua vocação de alumiar as trevas da ignorância.
Assim como há trigo, há também o joio, da mesma forma, fazendo-se verdadeiro, existe o falso. Na mesma linha lógica, transvestida de razão está a loucura. Mas qual seria a diferença entre elas? como poderíamos detectar a loucura, já que se apresenta como razão? Me aproveitando da sabedoria de Jesus de Nazaré, com ele, respondo: pelos seus frutos os conhecereis. Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Portando a medida entre o falso e o verdadeiro esta na prova de seus frutos.
Qualquer sistema de ideias que não consegue entrar em sintonia com a razão, não pode ser considerado válido. Os loucos também se pautam em seus sistemas, mas como já disse alguém que não me recordo, são sistemas fechados em seu próprio mundo, não conseguindo servir como respostas a nenhuma questão fora de seus limites particulares, apenas, na mente isolada de tal mente demente.Todas as suas impressões são respostas de seu mundo particular que as tem como definitivas. Daí perguntamos: fora do limite da mente demente, seu sistema de ideias pode responder satisfatoriamente qualquer questão racional?
A mesma indagação deve ser colocada sobre qualquer sistema de ideias, ou seja, o tal sistema pode responder racionalmente as questões que se apresentam na minha existência, ele pode apresentar respostas satisfatórias ou pelo menos respostas racionais? Se o sistema apresenta um amaranhado de ideias que entram em choque com os próprios termos que utiliza, considere-o como insatisfatório, e como tal inapropriado. As contradições sistêmicas quase que em sua maioria invalida o projeto sistemático, principalmente quando se trata de questões fundamentais. Assim sendo, procure os caminhos que os sistemas indicam, se te levarem a satisfação racional, não que isso já seja a resposta definitiva, pode ser considerado, ou ao menos ser comparado com outros sistemas. O perfeito sistema racional tem que se sustentas diante das questões que se apresentam.

A razão humana nunca foi capaz de banir a ação da loucura. Mesmo nas mentes que produziram maravilhosos edifícios da razão, a loucura encontrou espaço para agir e agir de forma engenhosa. As inquisições, violentas perseguições, criadas para satisfazer as exigências dogmáticas frutos de teorias teológicas ou frutos de particulares sistemas filosóficos ou até mesmo de interpretações pessoais, são grandes exemplo que a luz da razão muitas vezes se enfraquece diante da obstinada e poeirenta loucura humana.
A razão muitas vezes, deu espaço para a loucura. Ainda hoje, por exemplo, nos diversos debates teológicos, em nome de dogmas, religiosos se agridem para defender a linha teológica que adotam, políticos não dialogam por conta da bandeira ideológica que ostentam, pessoas se distanciam de seus próximos por diferenças étnicas, sociais, religiosas e nacionais. Diante desse quadro pesaroso, uma proposta se levanta. Que tal usarmos a nossa razão e com ela tentarmos resolver o problema da loucura que vez por outra domina a mente dos homens que se deixam tomar pela vaidade de seus projetos e de suas escolhas?
Ainda há muito o que fazer em prol da razão e do conhecimento, ficaremos parados diante de tal demanda? Nos acomodaremos diante dos confortos do não pensar e da indiferença? Ou nos engajaremos na empresa do pensamento a fim de construirmos sistemas que cada vez mais encurrale a loucura em estreitos espaços, e por consequência, cada vez mais conquiste espaço para a ação da razão humana? Nos inspiraremos nos bons exemplos que nos precederam, ou ficaremos estáticos diante da ignorância que nos rodeia?
Seremos racionais ou viveremos como loucos presos em pequenos e fechados sistemas particulares de ideias que nada de edificante tem a transmitir para a sociedade humana?

Lailson Castanha
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Como Jacobus Arminius acredito que: "As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si mesmas.[...] Nenhum escrito composto por Homens, seja um, alguns ou muitos indivìduos à exceção das Sagradas Escrituras[...] está isento de um exame a ser instituído pelas Escrituras. É tirania, papismo, controlar a mente dos homens com escritos humanos e impedir que sejam legitimamente examinados, seja qual for o pretexto adotado para a tal conduta tirânica." (Jacobus Arminius) - Contato: lailsoncastanha@yahoo.com.br

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