Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suas similaridades, vertentes, ambivalências e divergências.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sobre a predestinação, considerada no estado primordial DO HOMEM


Jacobus Arminius

9. Sobre a predestinação, considerada no estado primordial DO HOMEM

1. Não é uma afirmação verdadeira, que "fora dos homens considerados naturalibus puris, (com ou sem coisas sobrenaturais), Deus determinou, por decreto da eleição, elevar à felicidade sobrenatural, alguns homens em particular, mas, deixar outros in nature (na natureza) ".

490 2. E é precipitado afirmar que "pertence à relação ou analogia do universo, que alguns homens sejam colocados à direita e outros à esquerda, assim como o método do mestre construtor exige que algumas pedras sejam colocadas à esquerda, e outras à direita, de uma casa que está para ser construída."

3. A permissão pela qual qual Deus permite a alguns homens de se desviarem e perderem o fim sobrenatural, é insensatamente tornada subordinada a esta predestinação, porque pertence à providência dirigir e conduzir uma criatura racional à felicidade sobrenatural de uma forma que é agradável à natureza daquela criatura.

4.Também sobre a permissão, da qual Deus permitiu que nossos primeiros pais caíssem em pecado, é precipitado dizer que se subordina a essa predestinação.

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sábado, 27 de março de 2010

SOBRE Deus considerado de acordo com sua natureza

Jacobus Arminius

2. SOBRE DEUS CONSIDERADO DE ACORDO COM SUA NATUREZA

1. Deus é bom por uma necessidade natural e interna, não voluntariamente; o qual a última palavra é estupidamente explicada pelos termos "sem constrangimento” e "não servilmente".
2. Deus conhece de antemão as coisas futuras através da infinidade de sua essência e, através da perfeição preeminente de sua compreensão e previsão, e não como ele quis ou determinou que devesse necessariamente ser feito, embora ele não previsse, exceto o que era futuro, e não seria futuro a menos que Deus houvesse decretado a execução ou a permissão.
3. Deus ama a justiça e as suas criaturas, contudo ama a justiça ainda mais do que as criaturas, das quais, resultam duas consequências:
4. A primeira, que Deus não odeia a sua criatura, exceto por causa do pecado.
5. A segunda, que Deus não ama absolutamente nenhuma criatura para a vida eterna, exceto quando considerada justa, seja pela justiça legal ou evangélica.
6. A vontade de Deus é correta e útil em distinguir o que é antecedente e que é conseqüente.
7. A distinção entre a vontade de Deus que está em segredo ou a sua boa vontade, e aquela que é revelada ou significada, não pode ser rigorosamente examinada.
8. justiça punitiva e misericórdia não são, nem podem ser "o único movimento" ou causas finais do primeiro decreto, ou de sua primeira operação.
9. Deus é bendito em si mesmo e no conhecimento de sua própria perfeição.
Ele é, portanto, de nada necessita, nem precisa de demonstração de nenhuma das suas propriedades por meio de operações externas: Mas se ele fizer isso, é evidente que ele faz de sua pura e livre vontade, embora, nesta declaração [de qualquer das suas propriedades] certa ordem deva ser observada
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de acordo com as várias egressas, ou "saídas" da sua bondade, e de acordo com a prescrição de sua sabedoria e justiça.
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Fonte: ARMINIUS, Jacobus. The works of Arminius. vl 2
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quarta-feira, 24 de março de 2010

SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS

Jacobus Arminius

1. SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS

1. A regra da verdade teológica não é dupla, uma principal e outra secundária, mas é uma e simples, as Sagradas Escrituras.

2. As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si, e é uma afirmação imprudente ", que são na verdade a regra, mas apenas quando compreendida de acordo com o significado da confissão das igrejas Holandesas, ou quando explicada pela interpretação do Catecismo de Heidelberg.

3. Nenhum escrito composto por homens - por um homem, por alguns homens, ou por muitos - (com exceção das Escrituras Sagradas,) é axiopison "honroso de si mesmo", ou autopison "de si mesmo implicitamente merecedor de credibilidade", e, portanto, não está isento de um exame a ser instituída por meio das Escrituras.

4. É uma afirmação irrefletida, "que a Confissão e o Catecismo são colocados em questão, quando são submetidos a um exame", pois eles nunca foram colocados para além do perigo de serem postos em dúvida, nem podem eles ser assim colocados.

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5. É tirania e papismo controlar a mente dos homens com os escritos humanos, e impedir que eles sejam submetidos a um exame legítimo, mesmo sob qualquer pretexto que a conduta tirânica for adotada.
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Fonte:The Works of Arminius Vol. 2

http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO

Myer Pearlman
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V. A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO
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Temos estudado as preparações para a salvação e considerado a natureza desta. Nesta seção consideramos: É a Salvação final dos cristãos incondicional, ou poderá perder-se por causa do pecado?
A experiência prova a possibilidade duma queda temporária da graça, conhecida por "desviar-se". O termo não se encontra no Novo Testamento, senão no Antigo Testamento. Uma palavra hebraica significa "voltar atrás" ou "virar-se"; outra palavra significa "volver-se" ou ser "rebelde". Israel é comparado a um bezerro teimoso que volta para trás e se recusa a ser conduzido, e torna-se insubmisso ao jugo. Israel afastou-se de Jeová e obstinadamente se recusou a tomar sobre si o jugo de seus mandamentos.
O Novo Testamento nos admoesta contra tal atitude, porém usa outros termos. O desviado é a pessoa que outrora tinha o zelo de Deus, mas agora se tomou fria (Mat. 24:12); outrora obedecia à Palavra, mas o mundanismo e o pecado impediram seu crescimento e frutificação (Mat. 13:22); outrora pôs a mão ao arado, mas olhou para trás (Luc. 9:62); como a esposa de Ló, que havia sido resgatada da cidade da destruição, mas seu coração voltou para ali (Luc. 17:32); outrora estava em contacto vital com Cristo, mas agora está fora de contacto, e está seco, estéril e inútil espiritualmente (João 15:6); outrora obedecia à voz da consciência, mas agora jogou para longe de si essa bússola que o guiava, e, como resultado, sua embarcação de fé destroçou-se nas rochas do pecado e do mundanismo (1 Tim. 1:19); outrora alegrava-se em chamar-se cristão, mas agora se envergonha de confessar a seu Senhor (2 Tim. 1:8 ;2:12); outrora estava liberto da contaminação do mundo, mas agora voltou como a "porca lavada ao espoja-douro de lama" (2 Ped. 2:22; vide Luc. 11:21-26).
É possível decair da graça; mas a questão é saber se a pessoa que era salva e teve esse lapso, pode finalmente perder-se. Aqueles que seguem o sistema de doutrina calvinista respondem negativamente; aqueles que seguem o sistema arminiano (chamado assim em razão de Armínio, teólogo holandês, que trouxe a questão a debate) respondem afirmativamente.

1. Calvinismo.
A doutrina de João Calvino não foi criada por ele; foi ensinada por santo Agostinho, o grande teólogo do quarto século. Nem tampouco foi criada por Agostinho, que afirmava estar interpretando a doutrina de Paulo sobre a livre graça.
A doutrina de Calvino é como segue: A salvação é inteiramente de Deus; o homem absolutamente nada tem a ver com sua salvação. Se ele, o homem, se arrepender, crer e for a Cristo, é inteiramente por causa do poder atrativo do Espírito de Deus. Isso se deve ao fato de que a vontade do homem se corrompeu tanto desde a queda, que, sem a ajuda de Deus, não pode nem se arrepender, nem crer, nem escolher corretamente. Esse foi o ponto de partida de Calvino — a completa servidão da vontade do homem ao mal. A salvação, por conseguinte, não pode ser outra coisa senão a execução dum decreto divino que fixa sua extensão e suas condições.
Naturalmente surge esta pergunta: Se a salvação é inteiramente obra de Deus, e o homem não tem nada a ver com ela, e está desamparado, amenos que o Espírito de Deus opere nele, então, por que Deus não salva a todos os homens, posto que todos estão perdidos e desamparados? A resposta de Calvino era: Deus predestinou alguns para serem salvos e outros para serem perdidos. "A predestinação é o eterno decreto de Deus, pelo qual ele decidiu o que será de cada um e de todos os indivíduos. Pois nem todos são criados na mesma condição; mas a vida eterna está preordenada para alguns, e a condenação eterna para outros." Ao agir dessa maneira Deus não é injusto, pois ele não é obrigado a salvar a ninguém; a responsabilidade do homem permanece, pois a queda de Adão foi sua própria falta, e o homem sempre é responsável por seus pecados.
Posto que Deus predestinou certos indivíduos para a salvação, Cristo morreu unicamente pelos "eleitos"; a expiação fracassaria se alguns pelos quais Cristo morreu se perdessem.
Dessa doutrina da predestinação segue-se o ensino de "uma vez salvo sempre salvo"; porque se Deus predestinou um homem para a salvação, e unicamente pode ser salvo e guardado pela graça de Deus, que é irresistível, então, nunca pode perder-se.
Os defensores da doutrina da "segurança eterna" apresentam as seguintes referências para sustentar sua posição: João 10:28,29: Rom. 11:29; Fil. 1:6; 1 Ped. 1:5; Rom. 8:35; João 17:6.

2. Arminianismo.
O ensino arminiano é como segue: A vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos. (1 Tim. 2:4-6; Heb. 2:9; 2 Cor. 5:14; Tito 2:11,12.) Com essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Embora a salvação seja obra de Deus, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.
As Escrituras certamente ensinam uma predestinação, mas não que Deus predestina alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina " a todos os que querem" a serem salvos — e esse plano é bastante amplo para incluir a todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade tem sido explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação lemos as palavras: "quem quiser pode vir"; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: "eleitos segundo a presciência de Deus". Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvos, e predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o fixou.
A doutrina da predestinação é mencionada, não com propósito especulativo, e, sim, com propósito prático. Quando Deus chamou Jeremias ao ministério, ele sabia que o profeta teria uma tarefa muito difícil e poderia ser tentado a deixá-la. Para encorajá-lo, o Senhor assegurou ao profeta que o havia conhecido e o havia chamado antes de nascer (Jer. 1:5). Com efeito, o Senhor disse: "Já sei o que está adiante de ti, mas também sei que posso te dar graça suficiente para enfrentares todas as provas futuras e conduzir-te à vitória." Quando o Novo Testamento descreve os cristãos como objetos da presciência de Deus, seu propósito é dar-nos certeza do fato de que Deus previu todas as dificuldades que surgirão à nossa frente, e que ele pode nos guardar e nos guardará de cair.

3. Uma comparação.
A salvação é condicional ou incondicional? Uma vez salva, a pessoa é salva eternamente? A resposta dependerá da maneira em que podemos responder às seguintes perguntas-chave: De quem depende a salvação? É irresistível a graça?
1) De quem depende, em última análise, a salvação: de Deus ou do homem? Certamente deve depender de Deus, porque, quem poderia ser salvo se a salvação dependesse da força da própria pessoa? Podemos estar seguros disto: Deus nos conduzirá à vitória, não importa quão débeis ou desatinados sejamos, uma vez que sinceramente desejamos fazer a sua vontade. Sua graça está sempre presente para nos admoestar, reprimir, animar e sustentar.
Contudo, não haverá um sentido em que a salvação dependa do homem? As Escrituras ensinam constantemente que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida e a morte, e Deus nunca violará esse poder.
2) Pode-se resistir à graça de Deus? Um dos princípios fundamentais do Calvinismo é que a graça de Deus e irresistível. Quando Deus decreta a salvação de uma pessoa, seu Espírito atrai, e essa atração não pode ser resistida. Portanto, um verdadeiro filho de Deus certamente perseverará até ao fim e será salvo; ainda que caia em pecado, Deus o castigará e pelejará com ele. Ilustrando a teoria calvinista diríamos: é como se alguém estivesse a bordo dum navio, e levasse um tombo; contudo está a bordo ainda; não caiu ao mar.
Mas o Novo Testamento ensina, sim, que é possível resistir à graça divina e resistir para a perdição eterna (João 6:40; Heb. 6:46; 10:26-30; 2 Ped. 2:21; Heb. 2:3; 2 Ped. 1:10), e que a perseverança é condicional dependendo de manter-se em contacto com Deus.
Note-se especialmente Heb. 6:4-6 e 10:26-29. Essas palavras foram dirigidas a cristãos; as epístolas de Paulo não foram dirigidas aos não-regenerados. Aqueles aos quais foram dirigidas são descritos como havendo sido uma vez iluminados, havendo provado o dom celestial, participantes do Espírito Santo, havendo provado a boa Palavra de Deus e as virtudes do século futuro. Essas palavras certamente descrevem pessoas regeneradas.
Aqueles aos quais foram dirigidas essas palavras eram critãos hebreus, que, desanimados e perseguidos (10:32-39), estavam tentados a voltar ao Judaísmo. Antes de serem novamente recebidos na sinagoga, requeria-se deles que, publicamente, fizessem as seguintes declarações (10:29): que Jesus não era o Filho de Deus; que seu sangue havia sido derramado justamente como o dum malfeitor comum; e que seus milagres foram operados pelo poder do maligno. Tudo isso está implícito em Heb. 10:29. (Que tal repúdio da fé podia haver sido exigido, é ilustrado pelo caso dum cristão hebreu na Alemanha, que desejava voltar à sinagoga, mas foi recusado porque desejava conservar algumas verdades do Novo Testamento.) Antes de sua conversão havia pertencido à nação que crucificou a Cristo; voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de Deus e expô-lo ao vitupério; seria o terrível pecado da apostasia (Heb. 6:6); seria como o pecado imperdoável para o qual não há remissão, porque a pessoa que está endurecida a ponto de cometê-lo não pode ser "renovada para arrependimento"; seria digna dum castigo mais terrível do que a morte (10:28); e significaria incorrer na vingança do Deus vivo (10:30, 31).
Não se declara que alguém houvesse ido até esse ponto; de fato , o autor está persuadido de "coisas melhores" (6:9). Contudo, se o terrível pecado da apostasia da parte de pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas essas admoestações careceriam de qualquer fundamento.
Leia-se 1 Cor. 10:1-12. Os coríntios se haviam jactado de sua liberdade cristã e da possessão dos dons espirituais. Entretanto, muitos estavam vivendo num nível muito pobre de espiritualidade. Evidentemente eles estavam confiando em sua "posição" e privilégios no Evangelho. Mas Paulo os adverte de que os privilégios podem perder-se pelo pecado, e cita os exemplos dos israelitas. Estes foram libertados duma maneira sobrenatural da terra do Egito, por intermédio de Moisés, e, como resultado, o aceitaram como seu chefe durante a jornada para a Terra da Promissão. A passagem pelo Mar Vermelho foi um sinal de sua dedicação à direção de Moisés. Cobrindo-os estava a nuvem, o símbolo sobrenatural da presença de Deus que os guiava. Depois de salvá-los do Egito, Deus os sustentou, dando-lhes, de maneira sobrenatural, o que comer e beber. Tudo isso significava que os israelitas estavam em graça, isto é: no favor e na comunhão com Deus.
Mas "uma vez em graça sempre em graça" não foi verdade no caso dos israelitas, pois a rota de sua jornada ficou assinalada com as sepulturas dos que foram destruídos em conseqüência de suas murmurações, rebelião e idolatria. O pecado interrompeu sua comunhão com Deus, e, como resultado, caíram da graça. Paulo declara que esses eventos foram registrados na Bíblia para advertir os cristãos quanto à possibilidade de perder os mais sublimes privilégios por meio do pecado deliberado.

4. Equilíbrio escriturístico.
As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo como do Arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O Calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação — e assim o faz a Bíblia; o Arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem — e assim o faz a Bíblia. A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são colocadas em posição antagônica, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada à soberania e à graça de Deus na salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do homem, como reação contra o Calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo.
Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade onde a graça de Deus havia recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido fortemente defendidas, ele acentuava a graça de Deus. Quando deixamos os mistérios da predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com o assunto. João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos conduziram milhares de almas a Cristo.
Pregadores piedosos calvinistas, do tipo de Carlos Spurgeon e Carlos Finney, têm pregado a perseverança dos santos de tal modo a evitar a negligência. Eles tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de Deus certamente perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em dúvida o fato do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na santidade, dizia Calvino, bem faria em duvidar de sua eleição.
É inevitável defrontarmo-nos com mistérios quando nos propomos tratar as poderosas verdades da presciência de Deus e a livre vontade do homem; mas se guardamos as exortações práticas das Escrituras, e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que se nos ordenam, não erraremos. "As coisas encobertas são para o Senhor Deus, porém as reveladas são para nós" (Deut. 29:29).
Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente dos perigos da vida cristã. Maior ênfase deve ser dada aos meios de segurança — o poder de Cristo como Salvador; a fidelidade do Espírito Santo que habita em nós, a certeza das divinas promessas, e a eficácia infalível da oração. O Novo Testamento ensina uma verdadeira "segurança eterna", assegurando-nos que, a despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou dificuldades exteriores, o cristão pode estar seguro e ser vencedor em Cristo. Ele pode dizer com o apóstolo Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom. 8:35-39).
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PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da bíblia; Tradução Lawrence Olson. São Paulo: Editora Vida, 2006.
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domingo, 21 de março de 2010

Entre a razão e a loucura.

Passaram-se séculos e séculos, e na mesma movimentação gerações e gerações também passaram. Nesta passagem história muitíssimas ideias foram engendradas e admitidas, como também, posteriormente rejeitadas.
Na era clássica, considerada o apogeu da razão, em terras gregas, nasce a filosofia. As primeiras movimentações racionais, tidas como articulações do pensamento lógico foram registradas naquele lugar e momento histórico. Na ambiência grega, no período clássico, foram registrados os problemas que os homens começavam a levantar, problemas esses frutos de mentes reflexivas, que pediam soluções racionais. Por soluções racionais, podemos entender como: soluções buscadas a partir de ponderações da mente humana, distanciando-se de respostas místicas reducionistas, ou presas nos costumes e nas tradições.
Os primeiros filósofos como Tales, Anaxímenes e Anaximandro de Mileto, bem como Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eléia buscavam entender a origem das coisas, em palavras comuns, como surgiu o mundo, do que ele foi formado e qual a sua substância fundamental. Questões do Ser e do Devir foram também tratadas, respectivamente por Parmênides e Heráclito, que também aborda a noção de Lógos. Em Sócrates, e posteriormente, com Platão e Aristóteles outras questões foram levantadas, como: política, ética, conhecimento, fundamento da realidade, constituição, características e atributos humanos, arte, essência, contingência, além do início das coisas, entre outras. Os três grandes filósofos citados influenciaram as gerações posteriores, e tiveram os seus pensamentos como pressupostos para os sistemas de ideias que se formariam, tanto que os grandes pensadores do período helênico como os grandes filósofos religiosos medievais tiveram como base para suas filosofias, Sócrates Platão e Aristóteles. Os pré-socráticos Parmênides e Heráclito, também exerceram muita influências na mente dos filósofos posteriores
Fora da Grécia, até mesmo antes de sua da era clássica, também foram registradas muitas agitações do pensamento humano resultando na criação de muitas questões. Por exemplo, as Escrituras Judaicas, narram as indagações do Eclesiastes, atribuída a Salomão, sobre questões da existência como: temporalidade/finitude, o problema da vaidade, injustiça, sabedoria e ignorância entre outras. Nas mesmas escrituras, o problema do mal e da aparente ausência da justiça, são problematizadas no livro do profeta Habacuque. Vemos questões semelhantes nos Salmos, no livro de Jó, e em outros profetas bíblicos.
Voltando a historia Ocidental, a existência, atributos e ação de Deus, passam a ser exaustivamente cogitadas. Na Idade Média, desde o seu início no século IV, com Santo Agostinho, Deus passa a ser problematizado. Os filósofos cristãos, já tendo como pressuposto, a ideia de Deus como regente do universo, herdada da precedente tradição patrística dos primeiros anos da era Cristã, passaram a conjecturar a ideia de Deus, atribuindo-lhes características, estudando atributos tidos como seus e explicando supostas determinações, motivações e decretos divinos, além de tentar explicar o seu ser. A partir deste momento histórico, a filosofia passa a trabalhar ao lado da teologia tendo entre seus maiores articuladores filósofos religiosos, como, o já citado Santo Agostinho (cristão), Santo Anselmo (cristão), Abelardo (cristão),
Averróis (muçulmano), Avicena (muçulmano), Maimônides (judeu), São Tomás de Aquino (cristão). Esses filósofos, além de tratar questões metafísicas, trataram também de questões existenciais, mesmo que pautando suas ideias em realidades ontológicas. Entre essas abordagens, talvez a mais importante seja a questão da liberdade. Afinal, existe livre-arbítrio humano, ou Deus, absolutamente determina tudo?
Num outro momento, na Renascença,(XIII – XVII), talvez mais firmemente no século XV, o homem procurou reavivar a atitude racional, ou seja, a atitude do livre pensar. Esse ato foi uma reação contra o pensamento medieval, preso em pressupostos dogmáticos, que por tal característica, impediam o homem de pensar livremente. Essa tomada de posição favoreceu a empresa científica – que passou a engendrar e alcançar grandes inventos e descobertas. Talvez, Pico della Mirandola (1463-1494), foi o grande impulsionador desse novo momento, quando publicou o seu Discurso sobre a Dignidade do Homem. A renascença patenteou-se como a era da razão e do humanismo.
A era da razão, teve como grande representante o filósofo francês René Descartes (1596—1650). Com o sua cérebre afirmação Cogito Ergo Sun, apresentou a razão, como primazia do saber. O inglês Francis Bacon (1561—1626), por propor a reforma do conhecimento e com isso inaugurando um novo modelo epistemológico, que deu origem a ciência moderna, também foi um nome de grande importância. O advento da Reforma iniciada no século XVI com a tese defendida por Lutero de que o homem podia, por si só, interpretar as Escrituras, sem o auxílio dos bispos da igreja, revigorou ainda mais o sentimento de liberdade e valor humano mesmo não intentando tal fim.
Na esteira humanista figuras como Erasmo de Rotterdã (1446-1536), Luis de Molina (1535-1600) se destacam. Entre suas teses estavam a da liberdade humana, mesmo diante da grandeza de Deus. Em outras palavras, o humanismo defendido por esses filósofos assentava-se na ideia de que a soberania de Deus não eliminava a liberdade do Homem.
Apesar da época, e de seus contornos humanistas, o dogmatismo não deixa de mostrar sua força. O próprio Lutero, outrora defensor da livre interpretação bíblica, lança ataques odiosos contra Erasmo por conta de sua posição favorável a ideia do livre arbítrio. O ranço teológico se acentuou ainda mais, com as pressuposições teológicas de Calvino (1509-1564), principalmente em sua noção de predestinação e eleição. Para ele, Deus absolutamente predestina o homem para salvação ou para danação, sem nenhuma relação com suas ações. Para o homem, ser caído, vítima do pecado original, não restava nada, a não ser se submeter à eleição ou reprovação incondicional de Deus. O pensamento calvinista, a despeito da ambiência renascentista, começa a se tornar intolerante. O teólogo holandês Jacobus Armínius (1560-1609), foi uma das figuras mais atacada pela intolerância calvinista. Defendendo a condicionalidade nos juízos de Deus, a saber, salvação para os que escolhem o seu filho, e danação para os que o rejeitam, foi duramente perseguido por partidários do calvinismo, tendo que, em boa parte de sua vida manifestar seus sentimentos a respeito de questões controversas. Em um dos seus escritos, numa atitude defensiva, procura mostrar que seus sentimentos, além de estar em harmonia com as Escrituras, são corroborados pelos escritos de várias autoridades eclesiásticas, entre elas, alguns pais da igreja, incluindo Santo Agostinho (354-430) em alguns pontos, e São Tomás de Aquino (1225-1274).

Não foi só o pensamento calvinista que se tornou um peso para os filósofos e teólogos de tradição liberal renascentista. Outros ramos religiosos também perseguiram os livres pensadores, dentre eles, o catolicismo com sua inquisição, o judaísmo e o islamismo. A indisposição judaica em admitir livres pensadores tratou o filósofo Baruch de Spinoza (1596-1650) com muita hostilidade. Dantes, tendo sua família perseguida pela inquisição católica, por conta de suas raízes judaicas, fora posteriormente, duramente perseguido e rejeitado pelos judeus, pelo fato de divergir com o conceito de Deus defendido pala tradição judaica, apresentando um Deus ligado a todas as coisas.
Mais tarde um clérigo britânico, adepto do anglicanismo John Wesley (1703-1791), luta por reformas sociais na recém industrializada Inglaterra, que incluiu, entre suas propostas a reforma trabalhista, reforma carcerária, reforma educacional e a abolição da escravatura. Além de se engajar pelas reformas sociais, assumiu a até então vilipendiada teologia arminiana, tendo escrito um texto em defesa do arminianismo e contra a intolerância antiarmiana. Wesley foi o primeiro clérigo a assumir a teologia arminiana. Ademais, foi de sua inspiração que nasceu a Igreja Metodista, pois Wesley, apesar de anglicano procurou viver uma espiritualidade mais intensa, e na vivência dessa espiritualidade incitou um grande avivamento na Inglaterra que inflamou os cristão a se preocuparem com a pessoas ostracizadas da sociedade, pessoas que o meio religioso em que vivia não se importava ou simplesmente ignorava. A Igreja Metodista nasceu como fruto de seu engajamento em prol de uma nova espiritualidade.

No devenir histórico o homem procura o esclarecimento, busca arduamente as luzes da razão. Esse é o espírito do iluminismo (vigoroso no século XVIII), que na ideia de Kant, inauguraria um novo momento na humanidade, em que o homem sairia da menoridade para a maioridade, rejeitaria o hábito de simplesmente acatar ideias alheias, para pensar de maneira autônoma.
Com John Locke (1632-1704), e seu principio liberal, e Dave Hume (1711-1776) e seu empirismo cético, as sociedades pouco a pouco foram se desvencilhando do predomínio do pensamento dogmático, passando a exercer a sua liberdade de pensamento. A assertiva de George Berkeley (1685-1753) de que se o que conhece nada mais é que um feixe de sensações, e que a totalidade do real apenas é percebida por Deus, abriu espaço para que o homem se afastasse das ideias dogmaticamente formatadas – já que, do que se observa, nada se sabe fundamentalmente.
Com a bandeira da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, as barreiras da intolerância, se não foram totalmente suprimidas, foram diminuídas. Nomes como: John Locke (1632-1704) defensor do estado liberal, Voltaire (1694-1778), defensor da liberdade das ideias e crítico da mesquinhez religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que incitou o homem a buscar a liberdade no Estado; Montesquieu (1689-1755), que formulou a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; e Immanuel Kant(1724-1804) que defendeu a necessidade de o homem buscar o esclarecimento, a fim de passar da menoridade para a maioridade, para ser capaz de fazer uso de seus próprios juízos; foram os grandes filósofos do iluminismo.
Se as preocupações dos homens foram se alterando, novos problemas também foram surgindo. Na contemporaneidade, problemas como trabalho, alienação do homem, liberdade, existência, crise civilizatória e pessoa humana; angústia, absurdidade e falta de sentido da vida, ganham contornos expressivos. Søren Kierkegaard (1813 – 1855) rejeitando a estática filosofia hegeliana do Espírito Universal, levanta o problema da existência – com isso a vida passa a ser interpretada como algo dinâmico, e não como ideias determinadas, como partes componentes de um espírito universal absoluto. Também acusou a igreja visível de estar esvaziada de Deus. Depois do filósofo dinamarquês, a questão da existência e do problema do homem enquanto ser existente, esteve envolvida em quase todos os grandes debates filosóficos. A chamada de atenção aos problemas existenciais foi tão forte, que chegou a invadir outros espaços da produção intelectual. A literatura reproduziu o tema, que invadiu também as dependências da religião. Se Kierkegaard levantou o problema da existência, e da angústia do homem envolvido num mundo que não compreende, o alemão Karl Marx (1818 —1883) outro grande e influente pensador, ainda no âmbito da existência, tratou a questão das necessidades materiais do homem existente. Em torno do problema das preocupações existenciais e suas contingências, filósofo, literatos e religiosos foram problematizando e desenvolvendo várias questões, sempre tendo no homem a sua preocupação central. Problemas como o desespero humano, angústia, ansiedade, alienação do homem diante da natureza e do trabalho, despersonalização do homem civilizado, entre outros, foram exaustivamente discutidas em vários círculos intelectuais. Filósofos, teólogos e literatos como: Dostoiévski (1821-1881), Nietzsche (1844-1900), Franz Kafka (1883-1924), Paul Tillich (1886-1965, Gabriel Marcel (1889-1973), Graciliano Ramos (1892-1953), Reinhold Niebuhr (1892–1971), André Malraux (1901-1976), Emmanuel Mounier (1905-1950), J-P.Sartre (1905-1980), Albert Camus (1913-1960), abordaram esses temas com pertinácia e inquietude. Com Tillich a teologia entra nas questões da existência buscando também dialogar com a cultura com o fim de promover uma comunicação da teologia com a sociedade. Advogava que a teologia não pode estar fechada em si mesma, ela deve interagir com a existência e suas demais formas a fim de conhecer os problemas que se apresentam Com ele, as tradições eclesiásticas são tratadas como símbolicas. Tratando questões do transcendente, mas presas em nossa finitude, os ritos e os termos religiosos com a carga expressiva que carregam, são colocados na categoria de símbolo. Defende que Deus não está preso em normas e padrões eclesiásticos, e age inclusive, em variadas manifestações culturais. Mounier por sua vez, reclama da religião desencarnada, e procura instaurar uma civilização personalista e comunitária, onde a pessoa tenha espaço para atualizar a sua vocação, deixando de ser tratada como uma mera coisa. Em relação ao cristianismo, defendia que os valores deveriam ser encarnados, não apenas proferido, a semelhança do lógos que se fez carne, todo o cristão deveria encarnar a palavra que crê e não apenas parolar. Já Reinhold Niebuhr (1892–1971) tratando do problema da falta de controle ético, entendia que isto é um problema desencadeado pela quase que total secularização da sociedade, principiada pelo intenso avanço das ciência físicas e a falta de capacidade de os cristãos ajustar os interesses éticos e espirituais da humanidade em relação a ciência que avança .

Num simplório passeio pela historia do pensamento percebemos a pluralidade de conceitos e ideias que a razão engendrou e que ainda cria.
A história ainda não acabou e nos convida a participar desse intenso debate com o fim de conhecer a verdade, ou chegar o mas perto dela possível. Hoje vivemos um grande problema, não fazemos jus a nossa condição de seres racionais, estamos acomodados nas ofertas do entretenimento fácil e confortável. A televisão e demais mídias estão a nos iludir com informações rasteiras e superficiais. Estas informações, acomodam nosso espírito, enfraquecendo nossa disposição em procurar a verdade e o conhecimento.

Será que não temos mais motivo de encontrar o conhecimento? Será que o que conhecemos já nos basta?

Pelo contrário, muitas questões ainda não foram solucionadas. Problemas éticos, religiosos, filosóficos, teológicos, psicológicos, pedagógicos e sociológicos, só para citar alguns, ainda precisam ser tratados. Não chegamos a maioridade como previa Kant, ainda eufórico e excitado pelo iluminismo. Se não chegamos ainda a era do esclarecimento, devemos parar? Devemos nos resignar? De forma alguma. Como afirmou Jesus, “vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa”.
A mente humana deve ser usada para iluminar as nossas ações, para desvendar a natureza, para levantar problemas e solucionar os problemas que se levantam. Sem problemas levantados não existiriam as respostas a esses problemas. Muito do que já sabemos, são frutos de respostas a problemas levantados por mentes inquietas, mentes que levaram a sério sua vocação de alumiar as trevas da ignorância.
Assim como há trigo, há também o joio, da mesma forma, fazendo-se verdadeiro, existe o falso. Na mesma linha lógica, transvestida de razão está a loucura. Mas qual seria a diferença entre elas? como poderíamos detectar a loucura, já que se apresenta como razão? Me aproveitando da sabedoria de Jesus de Nazaré, com ele, respondo: pelos seus frutos os conhecereis. Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Portando a medida entre o falso e o verdadeiro esta na prova de seus frutos.
Qualquer sistema de ideias que não consegue entrar em sintonia com a razão, não pode ser considerado válido. Os loucos também se pautam em seus sistemas, mas como já disse alguém que não me recordo, são sistemas fechados em seu próprio mundo, não conseguindo servir como respostas a nenhuma questão fora de seus limites particulares, apenas, na mente isolada de tal mente demente.Todas as suas impressões são respostas de seu mundo particular que as tem como definitivas. Daí perguntamos: fora do limite da mente demente, seu sistema de ideias pode responder satisfatoriamente qualquer questão racional?
A mesma indagação deve ser colocada sobre qualquer sistema de ideias, ou seja, o tal sistema pode responder racionalmente as questões que se apresentam na minha existência, ele pode apresentar respostas satisfatórias ou pelo menos respostas racionais? Se o sistema apresenta um amaranhado de ideias que entram em choque com os próprios termos que utiliza, considere-o como insatisfatório, e como tal inapropriado. As contradições sistêmicas quase que em sua maioria invalida o projeto sistemático, principalmente quando se trata de questões fundamentais. Assim sendo, procure os caminhos que os sistemas indicam, se te levarem a satisfação racional, não que isso já seja a resposta definitiva, pode ser considerado, ou ao menos ser comparado com outros sistemas. O perfeito sistema racional tem que se sustentas diante das questões que se apresentam.

A razão humana nunca foi capaz de banir a ação da loucura. Mesmo nas mentes que produziram maravilhosos edifícios da razão, a loucura encontrou espaço para agir e agir de forma engenhosa. As inquisições, violentas perseguições, criadas para satisfazer as exigências dogmáticas frutos de teorias teológicas ou frutos de particulares sistemas filosóficos ou até mesmo de interpretações pessoais, são grandes exemplo que a luz da razão muitas vezes se enfraquece diante da obstinada e poeirenta loucura humana.
A razão muitas vezes, deu espaço para a loucura. Ainda hoje, por exemplo, nos diversos debates teológicos, em nome de dogmas, religiosos se agridem para defender a linha teológica que adotam, políticos não dialogam por conta da bandeira ideológica que ostentam, pessoas se distanciam de seus próximos por diferenças étnicas, sociais, religiosas e nacionais. Diante desse quadro pesaroso, uma proposta se levanta. Que tal usarmos a nossa razão e com ela tentarmos resolver o problema da loucura que vez por outra domina a mente dos homens que se deixam tomar pela vaidade de seus projetos e de suas escolhas?
Ainda há muito o que fazer em prol da razão e do conhecimento, ficaremos parados diante de tal demanda? Nos acomodaremos diante dos confortos do não pensar e da indiferença? Ou nos engajaremos na empresa do pensamento a fim de construirmos sistemas que cada vez mais encurrale a loucura em estreitos espaços, e por consequência, cada vez mais conquiste espaço para a ação da razão humana? Nos inspiraremos nos bons exemplos que nos precederam, ou ficaremos estáticos diante da ignorância que nos rodeia?
Seremos racionais ou viveremos como loucos presos em pequenos e fechados sistemas particulares de ideias que nada de edificante tem a transmitir para a sociedade humana?

Lailson Castanha
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sexta-feira, 5 de março de 2010

Graça Preveniente (Ou Graça Preventiva ou Graça Salvadora)

Igreja Metodista - Doutrinas
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3. Graça Preveniente (Ou Graça Preventiva ou Graça Salvadora)
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Introdução
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Havendo chegado à conclusão de que o ser humano é pecador, sem possibilidade alguma de, por si mesmo, libertar-se do pecado e recuperar a comunhão com Deus que lhe seria possível em estado de pureza, somos agora levados à pergunta mais importante para a nossa vida: Como podemos nós ser salvos? A resposta está na própria Escritura: "Pela Graça de Deus sois salvos".
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Textos bíblicos:
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• Deuteronômio 30:15-20: diante da Graça de Deus, o ser humano não pode ser indiferente. A Graça exige uma resposta. No texto, o povo de Israel foi chamado a escolher entre a VIDA e a MORTE.


• Josué 24:19-24: Josué explica ao povo de Israel as duas opções: servir ao Senhor ou não. Após a escolha lhe restava arcar com as conseqüências dessa escolha.

• Salmo 119:30: o salmista declara sua escolha e decisão.
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• Isaías 1:18-20: aí está o convite à Graça. Não há pecados horrendos que Deus não possa perdoar. Ele continua convidando ainda hoje à participação de sua graça e perdão.

• Ezequiel 18:30-32: Como um Pai amoroso, Deus se aflige com a perdição de sua criatura e apela para a conversão e a vida.

a - O Que é Graça de Deus? Quando se fala em graça de Deus tem-se, geralmente, a impressão de que é algo que Deus concede ao ser humano, uma realidade independente de Deus, uma força misteriosa, um poder extraordinário, que opera a salvação.

Todavia a graça de Deus não é nada mais que a disposição benevolente de Deus para com o ser humano, sua misericórdia posta em ação a favor do ser humano, exercendo-se de tal maneira que o ser humano possui agora uma possibilidade de ser salvo. Dizer "somos salvos pela graça de Deus", significa então que somos salvos pela misericórdia de Deus posta em ação a nosso favor.

De todas as coisas que a Bíblia revela aos homens e mulheres, nenhuma é tão única e importante como a existência em Deus de um tal espírito de misericórdia e amor para com o ser humano pecador. Deixados sem esta revelação, homem e mulher, não teriam certeza de coisa alguma. Se se considera como se desenvolveram as religiões nascidas da supertição humana, de sua observação dos fenômenos físicos e naturais (raios, trovões, seca, vulcões, etc.), se compreenderá muito facilmente como puderam surgir opiniões das mais variadas a respeito da divindade, que por se imaginá-la multiforme, na crença de muitos deuses, quer por julgá-la insensível às necessidades humanas ou sujeita aos caprichos da natureza do ser humano, podendo ora ser propícia, ora ser irritadiça, ora mesmo ser irada e desejosa de exterminar as suas criaturas.

Esse tipo de conceituação e pensamento ainda se é atribuida a Deus (Javé), na Bíblia, muitas vezes, até que Jesus Cristo surja e revele um Deus de amor e de bondade, cuja característica mais marcante é a de ser gracioso com os homens e mulheres, pronto a, por causa de sua graça, perdoar os pecadores e salvá-los de seus pecados.
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E isto Ele o faz concretamente enviando o seu próprio e Unigênito Filho como redenção de toda a humanidade. É na cruz que vemos revelada de maneira mais notável, a maravilosa e salvadora graça de Deus.

b - A Motivação da Graça de Deus: Um ponto importante temos de levantar aqui: Por que motivo resolve Deus mostrar a sua graça? Qual a motivação que o leva a assim compadecer-se do ser humano pecador?
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A resposta de muitos será que afinal Deus vê um valor no ser humano, sente que apesar dos seus pecados ele é digno de ser salvo porque possui em simesmo valor. Ou quem sabe, porque a sua situação de pecador não é de desgraça total, podendo através de seus esforços possuir o mérito de provocar a misericórdia de Deus.
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Nenhuma dessas hipóteses, porém, é admitida por João Wesley. Para Wesley nada há no ser humano que possa alterar a posição de Deus a seu respeito. Seu coração é pecador e sua condição é de irremediavelmente perdido, uma vez que vive apenas para si mesmo. Os esforços nos quais se empenhe são totalmente egoistas, visando seu próprio benefício. Deus não é o centro de sua vida.

"A graça de Deus - diz Wesley - da qual nos vem a salvação, é gratuita em tudo e para todos. É gratuita a todos a quem é concedida. Não depende do poder ou mérito do ser humano, em nenhum grau, nem no todo, nem em parte. Do mesmo modo ela não depende das boas obras ou da retidão daquele que recebe, de coisa alguma que tenha feito ou que seja. Não depende dos seus esforços, dos seus sentimentos, bons desejos, bons propósitos ou intenções, pois todos estes fluem fa graça gratuita de Deus; são apenas a corrente, não a fonte. São os frutos da graça gratuita e não a raiz. Não são a causa mas os efeitos da mesma. Seja o que for de bom que haja no homem ou 1ue seja feito por ele, é Deus o autor e que o faz. Assim é a sua graça gratuita em tudo, isto é, não depende de nenhum poder ou mérito no homem, massomente em Deus, que nos deu gratuitamente o seu próprio Filho e "com Ele deu-nos gratuitamente todas as coisas".
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c - A Universalidade da Graça de Deus: Mas terá Deus distribuido a sua graça com todos os seres humanos? É aqui que Wesley se torna mais enfático. Nem mesmo as doutrinas católico-romanas provocaram-lhe tão grande ira quanto a propagada idéia ao seu tempo de que Deus havia escolhido uns quantos para a salvação, deixando a grande maioria perecer nos seus próprios pecados.

A chamada doutrina da reprovação, a de que Deus não apenas não se importa com milhões, mas deliberadamente os predestinou à perdição, enchia Wesley de horror, que a considerava uma terrível blasfêmia contra Deus, pois o considerava injusto, cruel e mentiroso.
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A graça de Deus estava aberta a todos os homens e mulheres. Não apenas aberta a todos mas presente em todos. Wesley acreditava que a Graça Salvadora (ou Preventiva, como ele a chamava) estava em atuação no coração de todos os seres humanos, ao lado de sua consciência, a própria presença de Deus em ação, por sua misericórdia, procurando levar o ser humano ao arrependimento: "Parece ser esta faculdade a que se referem usualmente aqueles que falam de consciência natural, expressão encontradiça amiúde em alguns dos nossos melhores autores, contudo não estritamente certa, pois, embora possa ser chamada natural, por achar-se em todos os homens, não é, todavia natural, propriamente falando-se, mas um don sobrenatural de Deus, acima de todos os seus dotes naturais".
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Era esta graça universal a verdadeira boa nova do Evangelho, que anunciava a todos os homens e mulheres a salvação pela fé em Jesus Cristo. Wesley não a cria eficiente, isto é, ela não realizava a salvação, mas plenamente eficaz, suficiente e capaz para salvar a todos os que cressem.

d. Resposta à Graça de Deus: Colocada, porém, diante dos homens e mulheres a graça de Deus não lhes permitia uma situação de indiferença. ela era um desafio a que todos os homens e mulheres deveriam responder afirmativa ou negativamente. Responder indiferentemente era apenas outra maneira de repudiá-la, "apagando o Espírito", expressão que Wesley tomara emprestada à Escritura e usava constantemente.

A rejeição consciente da graça de Deus era na verdade, a escolha da perdição eterna, uma vez que não havia outra maneira de poder o ser humano alcançar a salvação.

Isto nos leva ao ponto de considerar se o ser humano pode ou não resistir à graça de Deus. É a graça de Deus irresistível como muitos acreditavam? Absolutamente, responderia Wesley. Não apenas o homem e mulher podem resistir à graça de Deus mas até mesmo destruir aquela graça divina que já está alojada em seu coração. Neste sentido negativo o ser humano é senhor absoluto de seu destino e capitão de sua própria salvação. E algumas vezes a graça de Deus opera de maneira irresistível, "como um relâmpago caindo dos céus", ele declara decisivamente que este não é o método usual da operação divina e que mesmo nestes casos esta irresistibilidade é passageira, dependendo finalmente do ser humano, como veremos no tópico Doutrina do Livre Arbítrio, a decisão final a respeito de sua salvação.

Ou como diz Santo Agostinho, que Wesley cita em um de seus sermões: "Qui fecit sine nobis, non salvabis nos sine nobis, "ou seja, "Aquele que nos fez sem nossa atuação não nos salvará sem nosso assentimento"(consentimento, concordância).
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Obs.: As citações feitas de João Wesley foram retiradas da COLETÂNEA DA TEOLOGIA DE JOÃO WESLEY, de Burtner e Chiles, pág. 117 e 118 (1ª citação) e p. 152 (2ª citação).
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Igreja Metodista - Doutrinas
3. Doutrina da Graça Preveniente (Ou Graça Preventiva ou Graça Salvadora)
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Graça e livre arbítrio

Jacobus Arminius

No que diz respeito graça e o livre arbítrio, ensino em conformidade com as Escrituras e o consentimento ortodoxo: O Livre arbítrio é incapaz de fazer ou aperfeiçoar qualquer bem espiritual genuíno sem a graça. Que não se diga que eu, assim como Pelágio, cometo uma falácia em relação à palavra "graça" quero dizer que ela é a graça de Cristo que pertence à regeneração. Afirmo, portanto, que a graça é simples e absolutamente necessária para a iluminação da mente, para o devido controle das emoções, e para a inclinação da vontade ao que é bom. É essa graça que opera sobre a mente, os afetos e a vontade, que infunde bons pensamentos na mente, e inspira a por em ação bons desejos, e inclina a vontade a colocar em prática bons pensamentos e bons desejos. Essa graça precede, acompanha e segue; excita, assiste, opera para que queiramos o bem, e colabora para que não queiramos em vão. Ela afasta as tentações, dá assistência e oferece socorro em meio às tentações, sustenta o homem contra a carne, o mundo e Satanás, e concede ao homem, nesta grande luta o gozo da vitória. Ela levanta novamente aqueles que foram vencidos e caíram, estabelece e lhe provém com uma nova força, e torna-os mais cauteloso. Essa graça dá início a salvação, é o que promove, aperfeiçoa e consuma.

Confesso que a mente de um homem natural e carnal é obscura e sombria, que suas afeições são corruptas e desordenadas, que sua vontade é obstinada e desobediente, e que o próprio homem está morto em pecados.

.Tradução: Lailson Castanha

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WORKS OF ARMINIUS VL 2. An Open Letter to Hippolytus a Collibus - 4. GRACE AND FREE WILL

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sobre os decretos de Deus, que dizem respeito à salvação dos homens PECADORES, segundo seu próprio sentido

Jacobus Arminius.
15. SOBRE OS DECRETOS DE DEUS, QUE DIZEM RESPEITO A SALVAÇÃO DE HOMENS PECADORES, SEGUNDO SEU PRÓPRIO SENTIDO.
.1. O primeiro decreto sobre a salvação dos pecadores, como aquele pelo qual Deus resolve nomear seu Filho Jesus Cristo como Salvador, Mediador, Redentor, sumo sacerdote, também aquele que pode expiar os pecados, e, pelo mérito de sua própria obediência pode recuperar os perdidos a salvação, e dispensá-los pela sua eficácia.
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2. O segundo decreto é aquele pelo qual Deus resolve receber em favor aqueles que se arrependem e creem, e, para salvar em Cristo, por causa de Cristo e por Cristo, os que perseveram, mas para deixar debaixo do pecado e da ira aqueles que são impenitentes e incrédulos, e condená-los como estrangeiros de Cristo.
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3. O terceiro decreto é aquele pelo qual Deus resolve para administrar esses meios de arrependimento e fé, são necessárias, suficientes e eficazes. E essa administração é direcionada de acordo com a sabedoria de Deus, por que ele sabe o que é adequado, pelo qual ele sabe aquilo que é adequado, ou seja, se convém a misericórdia ou a severidade; mas também segundo a sua justiça, por qual ele está preparado para acompanhar e executar [os direcionamentos] de sua sabedoria
.4. Destes, segue um QUARTO DECRETO, a respeito da salvação de pessoas específicas, e na condenação de outras. Este descansa ou depende da presciência e previsão de Deus, por que ele sabe quem creria com a ajuda da graça preveniente ou anterior, e perseveraria pelo auxílio da graça posterior ou seguinte, e quem não iria crer e perseverar.
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5. Disto, Deus diz que "sabe quem são seus", e o número daqueles que serão salvos, e daqueles que serão condenados, é certo e fixo, e o quod e o qui, [a substância e as partes de
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.quem ele é composto,] ou, como a expressão das escolas, materialmente e formalmente.
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6. O segundo decreto [descrito no § 2] é a predestinação para a salvação, que é o fundamento do cristianismo, salvação e da certeza da salvação, é também a matéria e a substância da doutrina ensinada pelos apóstolos.
.7. Mas essa predestinação, pela qual Deus teria decretado salvar criaturas e as pessoas em particular para revestir-los com fé, não é o fundamento do cristianismo, da salvação, nem da certeza da salvação.

Tradução: Lailson Castanha

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ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius Vl 2_15. On The Decrees Of God Which Concern The Salvation Of Sinful Men, According To His Own Sense
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11. OF THE FALL OF ADAM
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sábado, 23 de janeiro de 2010

DA QUEDA DE ADÃO

Jacobus Arminius
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11. DA QUEDA DE ADÃO
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1. Adão era capaz de continuar na bondade e de abster-se de pecar, e isso em realidade e em referência à questão, e não apenas pela potencialidade impedida de ser posta em ação, por conta de algum decreto anterior de Deus, ou melhor, não sendo possível conduzir a um ato pelo decreto anterior.
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2. Adão pecou livremente e voluntariamente, sem qualquer necessidade, interna ou externa.
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3. Adão não caiu por meio do decreto de Deus, nem por ser ordenado a cair nem por deserção, mas pela mera permissão de Deus, que não é colocada em subordinação a predestinação quer à salvação ou a morte, mas que pertence a providência, como se distingue até agora, em oposição a predestinação.
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4. Adão não caiu, necessariamente, quer no que diz respeito a um decreto, nomeação, deserção, ou permissão, a partir do qual é evidente que tipo de julgamento deve ser formado sobre as expressões das seguintes descrições:
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5. "Confesso, certamente, que pela vontade de Deus todos os filhos de Adão cairam nesta condição miserável em que estão confinados e presos." (Calvin's Institute, lib. 3, cap. 23.)
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6. "Eles negam, em palavras expressas, a existência deste fato - que foi decretado por Deus que Adão devesse perecer por sua própria deserção".
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7. "Deus sabia de antemão o que resultaria ao homem, ele tornou-se, assim, foi ordenado pelo seu decreto."
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8. "Deus não só previu a queda do primeiro homem, mas por sua própria vontade, ordenou ele."
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Obs: Neste comentário, sobre a queda de Adão, Jacobus Arminius traça sua assertiva levando em consideração seu distanciamento da teologia calvinista, por isso, ao final de suas considerações, destacando algumas afirmativas contrárias ao seu pensamento (quatro últimas citações), intentando mostrá-las como inadequadas. A primeira, afirmação citada é de Calvino.
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Tradução: Lailson Castanha
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ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius, Vl 2.
http://wesley.nnu.edu/arminianism/arminius/v.htm#11. OF THE FALL OF ADAM
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

“Não sois das minhas ovelhas” (Jo 10. 26) – uma interpretação arminiana.

A Bíblia é enfática na ressalva de que ninguém pode ir até Cristo, se o Pai não o enviar. Mas é clara também, no fato de que, apenas serão salvos os que crerem e se submeterem a Cristo. Quanto ao número das pessoas que irão até Cristo, declarado nas suas palavras, “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim”(Jo 6.37), as Escrituras afirmam: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” (Jo 12.32). Sobre a vontade do Pai, em relação a essas pessoas, Jesus afirma: “Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna”.(Jo 6.40a)
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Sobre essa questão, vários pesquisadores das Escrituras, teólogos, e debatedores livres, afirmam que o fato de Jesus afirmar: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas,” indica que existem pessoas que, por serem rejeitadas por Deus, foram, por conseguinte, impedidas de crer.
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Segundo eles, a ordem estabelecida seria:
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Deus rejeita, por isso impede as pessoas de crer.
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Quando Jesus afirma: “Mas vós não credes, porque NÃO SOIS DAS MINHAS OVELHAS”,(Jo 10.26) com isso afirmava, que a prova que os tais não eram participantes de seu rebanho, era a ausência de fé, não a impossibilidade dada por Deus de que cressem, tanto que, por não crerem, foram censurados por Cristo. Se Eles não fizessem parte das ovelhas, como parte de um plano específico de Deus, os tais não seriam censurados. Não se pode ignorar que estas palavras foram direcionadas à grupos de judeus que já tinham anteriormente desprezado a Jesus, chegando, até mesmo a afirmarem: "Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis?"(Jo 10.20). Esses Judeus tentavam Jesus, com toda sorte de provocações e não criam em suas obras, ademais, rejeitaram a Cristo acusando-o de proferir blasfêmias: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (Jo 10.33).
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As Escrituras não afirmam que os tais judeus já foram rejeitados de antemão, pelo contrário, sobre os judeus as Escrituras afirmam: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam(...)” (Jo 1.11). Isso deixa bem claro, que os judeus citados por Cristo, não estavam entre as suas ovelhas porque, anteriormente eles mesmos (os judeus incrédulos) já o tinham rejeitado, e não porque Cristo precedentemente os rejeitou . Muitos textos sacros evidenciam o fato de que, o próprio Deus encerra os insubordinados na desobediência e endurece ainda mais os já antes duros de coração, que não acolhem o amor da verdade para serem salvos, enviando a “operação do erro, para darem crédito à mentira; afim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade, antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça”.(2 Ts 2.10,11); Reflitamos também no texto seguinte de Rm 1.28: “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm” .
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O grupo descrito por Jesus como "não pertencente as suas ovelhas” ao contrário da idéia de ser um grupo absolutamente rejeitado, fazem parte daqueles judeus descritos por João, aqueles a quem Jesus viera, filhos da mesma Jerusalém que “que mata os profetas, e apedreja os lhe foram enviados!”, sobre a qual Jesus expressou o conhecido lamento: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” seguido do severo juízo: “Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (MT .23 37-39).
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Com essa interpretação, rejeitamos a proposição anteriormente destacada, proposta pelos grupos contrários ao arminianismo, entendendo que não está em harmonia com as Escrituras.

Jacobus Arminius, falando sobre o decreto de Deus, afirma:

"O segundo preciso e absoluto decreto de Deus, é aquele em que ele decretou receber em generosidade aqueles que se arrependem e crêem, e, Cristo, pelo seu nome e por Ele, garante a salvação de tais que se arrependem e perseveram fielmente até fim; mas para deixar em pecado, e sob a ira, todos as pessoas impenitentes e incrédulas, e aos maldizentes como estrangeiros de Cristo."(1)
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Corroborando a assertiva de Arminius, propomos o enunciado seguinte, por entender que é mais harmônico com a totalidade dos ensinos bíblicos, a saber:
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Deus rejeita a todos quantos não dão crédito à verdade, impedindo que, posteriormente, creiam.
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“Se não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração.(Ml 2. 2)
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Lailson Castanha.
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(1) ARMINIUS, Jacobus. The Works Of James Arminius V1.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

"Duplex amor Dei" na teologia de Jacobus Arminius.

Dr. William den Boer, professor de História da Igreja e História dos Dogmas, na Universidade Apeldoorn em sua fecunda pesquisa direcionada a teologia arminiana, ressalta um conceito arminianio anuviado por outros temas que permeiam o debate em torno da teologia de Jacobus Arminius, principalmente a questão do livre arbítrio. O conceito é o mesmo termo que deu o título para um de seus livros, a saber: Duplex Amor Dei, ou, amor duplo de Deus
Apesar de reformado, Dr Willian den Boer, procura desmistificar algumas ideias equivocadas sobre Arminius e sua teologia. De Boer destaca que a teologia arminiana é pouco estudada e consequentemente mal compreendida.
Em sua citada obra, ele defende, que e a preocupação central da teologia arminiana é destacar a justiça de Deus, apesar de ressaltar, que este tema não se desassocia de outros, estão todos interligados; o destaque ao livre arbítrio humano na teologia arminiana, surge como consequência a centralidade da justiça de Deus. Além de destacar a justiça de Deus, Armínius destaca que a escolha do pecado é do homem em sua completa liberdade para escolher, e, portanto, o mesmo é inteiramente responsável pelo pecado e suas consequências. Deus criou o homem com livre arbítrio, que se manteve após a queda. Percebe-se a justiça de Deus em sua permissão ao exercício da liberdade de escolha do homem. Este homem, em seu livre arbítrio, é inteiramente responsável por todo o pecado, e assim sendo, Deus não pode nunca ser o seu autor. O livre-arbítrio é essencial ao ser humano. Deus criou o homem com a capacidade de exercer escolhas e o trata de forma justa (entendendo por justiça como dar a alguém o lhe é devido). Sem liberdade real do homem, Deus seria o autor de tudo, inclusive o pecado e o mal.
Após a queda de Adão, Deus chama toda a raça humana para a participação numa Nova Aliança. Ele oferece a salvação para todas as pessoas, tendo sua justiça, fundamentada no sacrifício substitutivo de Cristo. Segundo Arminius, Deus em sua graça previniente, disponibiliza todos os meios necessários para que o homem, em sua liberdade, receba a salvação, sendo que o homem a recebe somente através da fé em Cristo, por intermédio da sua graça". Willian den Boer ressalta que na teologia de Jacobus Arminius, “Deus toma a iniciativa para a Nova Aliança. Ele vê no sacrifício vicário de Cristo a satisfação de Sua justiça, é Cristo que dá os meios da graça. O homem possui a livre vontade, e continuamente depende da graça Deus”. Arminius enfatiza que o homem é sempre responsável pela sua descrença, e a sua recusa em aceitar a oferta da graça de Deus, nesta ênfase desfaz-se da tese calvinista da predestinação absoluta. Predestinação incondicional em última análise, significa que as pessoas não têm nenhuma responsabilidade e que Deus seria a causa da incredulidade e do pecado. Crença e descrença seria uma necessidade, atribuída por Deus ".
Sobre os problemas que as pessoas vêm nas possibilidades escolhas do homem caído, De Boer afirma: "Mas Armínio salientou que a escolha do homem, realmente, nunca pode ser uma boa opção sem a graça de Deus.”, isso indica que o homem não tem mérito em sua boa escolha, ela sempre está atrelada a ação da graça de Deus. Normalmente os calvinistas sempre usam o termo "arminiano" em suas críticas aos evangélicos. Eles dão demasiada ênfase sobre "a escolha pessoal a Jesus, sem a ação da graça de Deus . "Isso não é o que Arminius tinha em mente", explica a diferença Den Boer, "Deus está sempre ativamente a encorajar as pessoas a escolher, sem a graça de Deus, seu o incentivo não estaria lá. Mas não há compulsão irressitivel de Deus, Deus, desta forma faz justiça à liberdade essencial do ser humano. Mas o homem não é um indivíduo autônomo que opta por Deus, o homem sem a graça não escolhe próprio bem ". Antes da queda, o homem percebia o bem com clareza, por que Deus, o Sumo Bem, não havia se afastado do homem, após a queda, o homem afetado, só escolhe o bem, com o auxílio da graça. Depois da queda, apesar de continuar com o seu livre arbítrio, ela jamais pode fazer uma escolha virtuosa pois só visualiza e conhecer o que é mal. Por isso, que só faz bom uso do seu livre arbítrio a partir da graça, que mostra a opção virtuosa ao homem.
O teólogo Holandes, também ressalta acertadamente que Armínius não era pelagiano como afirmam os calvinistas, destacando que Arminius considerava a nossa salvação depende da graça de Deus.
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Em seu livro “Duplex Amor Dei. Características contextuais da teologia de Jacobus Arminius (1559-1609)”, Den Boer indica que Arminius acreditava que a doutrina da predestinação de Calvino, Beza e seus seguidores, assim como Gomarus, faz significar que Deus é o autor do pecado. É perceptível que a consequência final da doutrina da predestinação defendida no calvinismo é que Deus é o autor do pecado. Mas ao invés de pensar sobre isso, é dito que isto é entendido devido à estreiteza de nossas mentes. Arminius não aceitou essa justificativa. Sobre isto, citando apenas um exemplo, ele comentou que poderia ser declarado que Deus criou os homens à perdição, coisa que acreditava ser uma idéia contrário à justiça de Deus. Para evitar esse sentimento contraditório, Arminius destaca a justiça de Deus. A justiça de Deus se refletiu no seu amor duplo (duplex amor Dei "). O amor primário de Deus pela ação da sua justiça, demostrando ódio ao pecado e o secundário, em sua relação graciosa com a criatura humana. No conceito de duplo amor, Arminius segundo De Boer, se afasta da Teologia Reformada, na questão da relação entre o conhecimento de Deus e sua vontade. Na questão se o conhecimento de Deus existe antes da vontade de Deus, ou vice-versa, os Teólogos reformados ensinam que a vontade de Deus “é” antes de seu conhecimento. Em primeiro lugar, Deus quer o que os pecadores fazem, então ele sabe quem ele quer bem-aventurados. A Criação de Deus e a predestinação são dominadas por sua vontade livre e soberana. Claro que falamos aqui de uma forma humana, sabendo que o conhecimento de Deus está posicionado na eternidade e entendendo a complexidade desse assunto. Teologicamente falando, esse juízo é feito como organização ao pensamento.
Atrás da análise do amor de Deus está a questão da relação entre a essência de Deus e seus atributos. Deus e Seus atributos de perfeição são idênticos, mas em nossa compreensão, os vemos como propriedades diferentes. A distinção entre os atributos de Deus é uma distinção virtual – não real em si .
Os atributos de Deus não são os sentimentos de Deus. Justiça, bondade, amor e graça, são atributos de sua plenitude. O amor de Deus (Amor ") é a determinação de seu amor eterno, decretando que homem seja eleito para a salvação, pela graça de Cristo através da fé.
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Deve-se considerar a manifestação do amor de Deus de duas formas, ou seja, um duplo amor de Deus: o primeiro deles é o amor à justiça [ou justiça], pelo qual Deus mostra o seu ódio ao pecado. O segundo é um amor pela criatura, é um amor pelo homem, segundo a expressão do apóstolo aos Hebreus: "Porque o que vem a Deus deve cer que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam "(Hb 11:6).
Den Boer assim define o duplo amor: Arminius identifica o duplo amor de Deus como fundamento da religião em geral, e da religião cristã, em particular. A primeira e mais importante é o amor pela justiça, o segundo e subordinado amor, é para a humanidade. O último é subordinado, porque há uma coisa que o limita: o amor de Deus pela justiça. Em outras palavras, Deus pode amar uma única pessoa, quando sua justiça foi satisfeita com relação a essa pessoa.”
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Lailson Castanha.....
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Foto: Dr. William den Boer, professor de História da Igreja e História dos Dogmas, na Universidade Apeldoorn
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domingo, 3 de janeiro de 2010

Cristianismo desencarnado.

O que se conhece por cristianismo hoje, quase nada tem haver com a fé em Cristo e no seu sacrifício na Cruz como fator preponderante para nossa reconciliação e recomeço, nada tem a ver com amor e justiça. Hoje cristianismo em suas diversas vertentes é uma religião desencarnada de sua matéria principal. Vemos nas igrejas apenas a idéia de cristianismo, mas não conseguimos enxergar essa idéia encarnada.
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A essência Cristã é Cristo, ele é visto no meio da cristandade pelos seus valores, e quando esses valores são adotados e exercitados de forma real, quando isso acontece, quando a matéria principal, que é a doutrina de Cristo está encarnada, não mais haverá representação, mas através da vivência desses valores haverá a demonstração de vida cristã, e todos os que estão a ver, verão um cristianismo autêntico de uma fé encarnada, demonstrada nas ações e nos valores da cristandade. Cristo, através do cristianismo encarnado será entendido, por que seus valores serão expostos na vivência de cada um que tem no cristianismo sua identidade existencial. Mas o que vemos hoje nos círculos cristãos, não é a mensagem cristã encarnada, em cada vertente vemos uma encarnação ou uma idéia dominante, tomando lugar da mensagem evangélica, incorporada nas manifestações e preocupações de cada seguimento cristão representado. Em alguns seguimentos, egoísmo incorporado numa teologia de um deus prestador de serviços, é que domina a liturgia. Em outros vemos a teologia, apesar de não intrínseca, não essencial, dominando a preocupação dos clérigos dessa representação cristã, o domínio é tão forte que muitas vezes o excesso de zelo pela teologia que encarnam, os fazem esquecer de enfatizar o amor, a mais importante manifestação do cristianismo. É o dogma teológico ganhando mais corpo do que os preceitos de Cristo é a ostentação teológica em maior apreço do que o cristianismo encarnado. E por outro lado também é real na maioria das comunidades cristãs, a despreocupação com o ensino cristão é o cristianismo sem o uso dos dons para o serviço do Reino de Deus, sem o ensino sem a exortação, é o cristianismo sem a responsabilidade com as vidas. É o cristianismo sem discípulos, desencarnado. A situação é tão horrenda, que lideres que defendem uma linha teológica expõe uma crise aberta recentemente na comunidade do outro, que defende um outro pensamento. A vitória da teologia para o primeiro grupo foi mais importante do que guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. A teologia encarnou-se, colocando a unidade cristã apenas como uma mensagem. Corpo mesmo, vivência, apenas ao dogma teológico.
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Só com o cristianismo encarnado seremos diligentes em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz, porque o amor cristão, o amor de Cristo encarnado, tem poder de nos unir mesmo em nossas diferenças filosóficas e teóricas. É necessário que os cristãos busquem com toda alma viver esse amor, para que Cristo e não a teologia seja glorificada.
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Apesar de naturalmente nos identificarmos com um sistema teológico ou filosófico, por termos uma pessoalidade e nela uma tendência que nos diferencia do raciocínio do outro ser, temos em comum a uniformidade das principais doutrinas do cristianismo e nelas devemos nos apegar, para não nos distanciarmos do amor e da convivência harmoniosa com os domésticos na fé.
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Patrística, agostianismo, tomismo, calvinismo, arminianismo, teologia relacional, apesar de serem importantes como sistemas de identidade filosófica-teológica, nada são se comparado com a importância da encarnação da mensagem de Cristo na vida dos cristão.
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"Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos". ( 1Jo.3 16.)
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(1)_"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, (2)_com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor (3)_esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; (4)_há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação". (Ef.4.1-4)
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Lailson Castanha
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Gravura: H. Bosch (1450 - 1516)
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

SOBRE A CRIAÇÃO DO HOMEM CONFORME A IMAGEM DE DEUS


SOBRE A CRIAÇÃO DO HOMEM CONFORME A IMAGEM DE DEUS

Jacobus Arminius

Disputa nº 26

1. o homem é uma criatura de Deus, consistindo de corpo e alma racional, bom, e criado a imagem divina - em conformidade com o seu corpo, criado a partir de matéria pré-existente, isto é, terra misturada e espalhada com umidade aquosa e etérea, - em conformidade com a sua alma, criada a partir do nada, pela respiração de ar em suas narinas.
2. Mas o corpo teria sido incorruptível, e, pela graça de Deus, não teria sido suscetível á morte, se o homem não tivesse pecado, e não teria, por esse feito, proporcionado para si a necessidade de morrer. E porque devesse ser o recipiente para a alma, foi equipado pelo sábio Criador com excelentes órgãos
3. Mas a alma é de uma natureza inteiramente admirável se considerar sua origem, substância, faculdades e hábitos.
(1) Sua origem; a partir do nada, criada por infusão, e, infundida na criação à um corpo devidamente preparado para a sua recepção, podendo formar a matéria com uma forma, e, e sendo unida ao corpo pela ligação do nascimento, pôde, com ele, pode estabelecer com ele uma ufisamenon, produção. Criada, digo, por Deus no tempo, como ele ainda, diariamente, cria uma nova alma em cada corpo.
4. Sua substância é simples, material e imortal. Simples eu digo, não em relação a Deus, pois consiste em ato e potência ou capacidade, de ser e sua essência, de sujeito e acidentes, mais é simples em relação as coisas materiais e compostas. É imaterial, porque ela pode subsistir por si só, e quando separada do corpo, pode operar sozinha. É imortal, não certamente de si, mas pelo sustento da graça de Deus..
5. Suas faculdades são duas, o entendimento e a vontade, como de fato, o objeto e a alma são duplos. Para o entendimento apreender a eternidade, a verdade universal e particular, por um natural e necessário, ademais, por um ato uniforme. Mas a vontade tem uma inclinação para o bem. No entanto, esta é também, segundo o modo de sua natureza, para o bem universal e para aquele
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que é o Bem principal, ou, de acordo com o modo da liberdade, a todos os outros [tipos de] bem.
6. Finalmente. Em seus costumes que são, primeiro, a sabedoria, pelo qual o intelecto de forma clara e suficientemente entende a verdade sobrenatural da bondade assim como da felicidade e da justiça. Em segundo lugar, Justiça e santidade da verdade, porque a vontade capacitada para seguir o que esta sabedoria ordenou que se fizesse e que ele mostrou que se desejasse. Essa justiça e sabedoria são chamadas de original, porque o homem as teve desde sua própria origem, e se o homem tivesse continuado na sua integridade, igualmente teria sido comunicado a sua posteridade.
7. Em todas essas coisas, a imagem de Deus maravilhosamente brilhou. Nós dizemos que essa é a imagem pela qual se assemelhou a seu Criador, e manifestou-se conforme o modo de sua capacidade -em sua alma, de acordo com a sua substância, faculdades e hábitos - no corpo,embora isso não possa ser adequadamente dito, ter sido criado a imagem de Deus que é puro espírito, e algo divino, assim como, se o homem não tivesse pecado, o seu corpo nunca teria morrido, e porque é capaz de distinta incorruptibilidade e glória, da qual trata o apóstolo em 1 Coríntios 15, porque apresenta alguma excelência e majestade para além dos corpos de outros seres vivos, e, por último, porque é um instrumento bem equipado, para as ações e operações admiráveis - em toda a sua pessoa, de acordo com a excelência, integralidade, e o domínio sobre o resto das criaturas, a quais foram confiadas a ele.
8. As partes dessa imagem podem ser assim distinguidas: algumas podem ser chamadas de natural ao homem, e outras sobrenatural; algumas essenciais, e outras acidentais. É natural e essencial para uma alma ser um espírito, e de ser dotado do poder de compreensão e de vontade, tanto de acordo com a natureza e o modo de liberdade. Mas o conhecimento de Deus e das coisas relacionadas a salvação eterna, é sobrenatural e acidental, como o são igualmente a retidão e a santidade da vontade, de acordo com esse conhecimento. A imortalidade é medida essencial para a alma, que não pode morrer se não deixar de ser, mas é por esse motivo sobrenatural e acidental, porque é através da graça e da ajuda da sua preservação, que Deus não fica confinado a prover a alma..
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9. Mas a imortabilidade é inteiramente sobrenatural e acidental, pois ela pode ser retirada do corpo, e o corpo pode retornar ao pó, de onde foi tirado. Sua excelência acima de outros seres vivos, e sua peculiar aptidão para produzir vários efeitos, são naturais a ele e essencial. Seu domínio sobre todas as criaturas, que pertence a todo o homem, como ser constituido de corpo e alma, pode em parte, ser considerado como pertencentes a ele, de acordo com a excelência de sua natureza, e, em parte, pelo dom da graça, da qual o domínio, parece ser uma evidência, que nunca é inteiramente tomada fora da alma, apesar de variada, e de ser aumentada e diminuida de acordo com graus e partes.
10. Assim o homem foi criado, para que pudesse conhecer, amar e adorar o seu Criador, e poderia viver com ele para sempre em estado de bem-aventurança. Por este ato de criação, Deus claramente manifestou a glória de sua sabedoria, bondade e poder.
11. A partir desta descrição do homem, ao que parece, ele é servido para realizar o ato de religião a Deus, pois tal ato é exigido dele - que ele é apto para a recompensa, que pode ser devidamente julgada para aqueles que executam [atos de] a religião de Deus, e de punição, que pode ser justamente impostas aqueles que inflingiram a religião por negligência, e, portanto, que a religião pode, através de um merecido direito, exigir do homem, de acordo com essa relação, e está é a relação principal, de acordo com o que devemos, na sagrada teologia, tratar sobre a criação do homem conforme a imagem de Deus.
12. Além desta imagem de Deus, e essa referência para as coisas sobrenaturais e espirituais, esta sob nossa consideração o estado da vida natural em que o primeiro homem foi criado e constituido de acordo com o apóstolo Paulo,
"o que é natural foi primeiro, e posteriormente o que é espiritual" (1Co 15.46).
Este estado é fundado na união natural do corpo e da alma e na vida que a alma vive naturalmente no corpo; de que união e vida é que alma obtém para o seu corpo, coisas que são boas para ele, e, por outro lado, o corpo está pronta paras as obras que são congruentes a sua natureza e desejos. De acordo com este estado ou condição, existe uma relação mútua entre o homem e as coisas boas deste mundo, cujo efeito
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é que o o homem pode desejar-lhes, e, em obtê-los para si, pode outorgar as obras que considere necessárias e convenientes.

Obs: Podemos observar neste texto, que Jacobus Arminius, a exemplo dos teólogos e filósofos escoláticos como Maimônedes e Tomás de Aquino, se apropriava da linguagem e dos conceitos aristotélicos. Diferentemente de Calvino que seguia a tradição platônica/agostiniana.
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Tradução e comentário adicional: Lailson Castanha
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Como Jacobus Arminius acredito que: "As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si mesmas.[...] Nenhum escrito composto por Homens, seja um, alguns ou muitos indivìduos à exceção das Sagradas Escrituras[...] está isento de um exame a ser instituído pelas Escrituras. É tirania, papismo, controlar a mente dos homens com escritos humanos e impedir que sejam legitimamente examinados, seja qual for o pretexto adotado para a tal conduta tirânica." (Jacobus Arminius) - Contato: lailsoncastanha@yahoo.com.br

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